Aaron sabia que Nes estava fazendo algo grande e importante por ele. Após mais de uma semana no hospital e três dias na casa da avó, sabia que ficar no quarto de hóspede da casa de Nes era um grande privilégio, mas ele não queria dar trabalho. O espaço era amplo, confortável, bem iluminado, e o fato de ser no térreo tornava tudo mais prático para sua atual limitação. Ainda assim, a ideia de depender de alguém lhe dava nos nervos. Sentado na cama, ele observou Nes ajeitar algumas coisas no criado-mudo, completamente no modo anfitriã dedicada. Ele soltou um suspiro cansado e apoiou o peso nos cotovelos. "Eu juro, Nes, estou bem melhor do que você pensa." Sua voz saiu um pouco cansada, marcada pela resignação. Ele sabia que não tinha escolha, ainda mais com o gesso que ia demorar alguns dias para tirar. Diante de uma olhada de lado da amiga, Blackwell revirou os olhos. "Estou falando sério, você está sendo dramática." Tudo bem, ele sabia que tinha quase morrido, os médicos falaram isso, mas agora que já se sentia um pouco melhor — sem febre, sem calafrios, sem visões delirantes, ainda que seguisse com o gesso na perna — a gravidade da situação parecia reduzir. "Só não quero que depois você se arrependa de me trazer pra cá. Uma conversa de uma hora no café da manhã é bem diferente de uma convivência diária". Ele ergueu a sobrancelha, querendo provar o ponto, apesar de que não acreditava realmente que ela fosse perder a paciência com ele tão fácil. Eram melhores amigos, e se conheciam há mais de duas décadas. Se fosse para Nes enjoar dele, já teria enjoado muito antes. @neslihvns @khdpontos