Era uma vez um reino no meio da floresta. Lá vivia um pequeno povoado, esquecido. Tinha rei, rainha, príncipe e princesa. Tinha nobreza, mas todos eram iguais perante os outros. Eu era uma camponesa, e minha família plantava pra sobreviver. Mas na minha mente, o mundo era outro. Eu via as comemorações reais de longe, apesar de serem em estrada,livre, com a realeza no chão e recebendo o carinho do povo que apesar de tudo, prezavam muito. Porém, eu ficava longe da confusão. Me escondia numa árvore próxima, lá no alto, pra ter uma visão privilegiada. Não daquelas autoridades tão adoradas e queridas por onde eu vivia. Meus olhos se focavam apenas em uma ilusão em forma de gente. Deixava até umas lágrimas caírem, quando tinha a visão daquele cavalheiro tão especial. Evidentemente, um príncipe com a visão toda ocupada por miseráveis como eu, jamais me notaria um dia. Nunca saberia que todas as noites penso nos seu sorriso tão lindo e reluzente, sua graciosidade, a aura iluminava, todas as evidências que com certeza, denunciavam sua descendência nobre. Mas minha fome não era de títulos, rótulos, sangue azul. Eu via algo naquele moço que mostrava que não era ali que ele queria estar. Que ele tinha um outro lado a desvendar, e não tinha sido descoberto por ninguém. Todos os dias eu trabalhava com meus pais, e esperava que algum dia ele pedisse minha calejada mão em casamento, que ele sentisse algo por mim também. (...)