A vida - para além do mais que possa ser - é curta. O destino é cruel e talvez não aleatório. A morte ganha sempre, mas isso não quer dizer que tenhamos de lhe baixar a cabeça e a bajular.
O Pintassilgo.
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A vida - para além do mais que possa ser - é curta. O destino é cruel e talvez não aleatório. A morte ganha sempre, mas isso não quer dizer que tenhamos de lhe baixar a cabeça e a bajular.
O Pintassilgo.
O Pintassilgo, 2019.
aqui apenas dublado.
Mas naquela única noite no MCM Grand, nós tínhamos ficado muito próximos, sentados no piso do banheiro a noite toda na suite do pai de KT conversando. Nem nos beijamos! Conversa, conversa, conversa! Quase chorei com aquilo. Realmente abrimos o coração um pro outro. E... Fiquei tão triste quando o dia nasceu, tipo, por que aquilo tinha que acabar? Porque a gente podia ter ficado sentado ali conversando pra sempre um com o outro! E foi tão perfeito e Feliz!
O Pintassilgo | Donna Tartt
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤthe goldfinch
ㅤ"it is a glory and a privilege to love what ㅤㅤㅤㅤㅤㅤdeath doesn't touch."
ㅤㅤㅤㅤa lixeternal production. 蓮の花
"I had the epiphany that laughter was light, and light was laughter, and that this was the secret of the universe." Donna Tartt, The Goldfinch
__
"Only twenty minutes to sleep
But you dream of some epiphany
Just one single glimpse of relief
To make some sense of what you've seen."
Taylor Swift, Epiphany
Sou extremamente apaixonada pelo primeiro minuto do filme O Pintassilgo. (The Goldfinch)
Donna Tartt já fez um trabalho maravilhoso com o livro e ver a sua obra em filme é emocionante.
Em apenas um minuto temos toda a introdução. Gosto de ver como é bem representado esse clima desesperado do Theo e as palavras que ele diz, tão parecidas e carregadas de emoção, da mesma forma que estão no livro. Não tem como passar despercebido o foco de que tudo gira em torno da mãe dele e a pintura, ver com poucas imagens tudo o que perder ambas as figuras causa a ele. Sua vida antes já era vazia e sem sentido, perder a mãe foi a maior tragédia na vida do personagem e isso acarretou em diversos erros e desgraças. Perder então a pintura também é o ponto alto para que nem sua vida valha mais apena. Acho simplesmente fascinante e lindo o quão bem o filme nos mostra isso. Temos apenas um minuto de cena, que está carregado de significado e sentimentos com imagens de arrepiar qualquer pessoa!
O Pintassilgo é um filme de perfil clássico, uma adaptação do livro best-seller internacional que rendeu o prêmio Pulitzer à sua autora, Donna Tartt. Neste novo trabalho do diretor John Crowley, existe uma busca constante na dialogação entre estética e narrativa visual a fim de retratar o momento de vida e os interesses do jovem Theo Decker, traumatizado desde a infância devido à morte da mãe em um atentado terrorista no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Tal tragédia não muda apenas a juventude de Theo, mas define o seu futuro.
Theo teve sua vida transformada para sempre, a perda da mãe lhe mostrou realidades até então muito desconhecidas. Através de um anel de família entregue em meio ao caos por um desconhecido, ele chega a Hobie (Jeffrey Wright), um vendedor e antiguidades que irá lhe apresentar a arte e paixão pelas artes clássicas, que também é o tutor de Pippa (Aimee Laurence), outra sobrevivente. Theo é temporariamente abrigado pela família da senhora Barbour (Nicole Kidman), de um requinte mais relacionado ao bom gosto que à arrogância. O conforto recebido nestes dois ambientes aos poucos desperta em Theo o interesse pelo antigo.
O Pintassilgo transita em duas linhas temporais, acompanhando Theo quando criança (Oakes Fegley), nos mostrando como acontecimentos de nossa infância emolduram nossa personalidade, e quando adulto (Ansel Elgort), que nos apresenta um adulto quebrado, e influenciado por suas dores e traumas, a também consumido pela culpa e sentimentos confusos. A narrativa alterna entre estes momentos a todo instante, assimilando causa e consequência em vários âmbitos acerca da vida de Theo. Em especial, o apreço consolador que nutre pelo quadro O Pintassilgo, por ele levado do Metropolitan em meio à confusão instaurada em decorrência do atentado terrorista.
Quando as coisas parecem se ajeitar na vida de Theo, seu pai até então ausente (Luke Wilson) aparece para mudar não apenas a vida de Theo, mas também a estética do filme. A mudança para Las Vegas, migrando para o deserto em um convívio mais "popular", por assim dizer. Tal mudança introduz na vida de Theo outra figura fundamental, Boris (Finn Wolfhard), que tem um sotaque estranhíssimo e perfil contestador; a amizade entre Boris e Theo traz vida ao longa-metragem, gerando saborosos momentos politicamente incorretos que tão bem definem a adolescência.
Em uma história onde tudo simplesmente se condensa, some e se desfaz em um piscar de olhos, nossos corações almejam por mais detalhes, e pela felicidade na vida de Theo, coisa que a narrativa não entrega; ele encontra momentos de uma singela paz em meio a suas dores e traumas de maneiras destrutivas, e que deixam cicatrizes em sua personalidade de forma bem explicita. Acredito que essa seja uma das discussões do filme, a influência de acontecimentos em decisões que podem prejudicar nosso futuro. Mas como diz Boris no filme, “É a vida, não é?”.
Grandioso como história, O Pintassilgo é um filme que tem muito a contar para quem sabe ouvir, um drama sutil e de detalhes tão tênues que são capazes de tocar nossas chagas e que dialoga com realidades vividas. Conduzido com elegância por John Crowley nesta requinte apresentação, o filme entrega uma rica e valorosa estética incontestável, refletido também nas alternâncias de ambientação vistas em cena. Não sendo uma história apelativa, as emoções são intensas para os personagens, mas o expectador apenas as observa, não sente com tanta intensidade, o que acredito ser um ponto positivo, assim somos capazes de compreender as consequências com a mente, e não apenas com o coração, em uma história onde se perde absolutamente tudo, em um mero piscar de olhos, nossos olhos permanecem a todo o tempo atentos.
Seria bobagem não apreciar o trabalho artístico que persegue a construção da história, a paleta de cores corresponde às tonalidade usada no quadro que dá nome ao filme. Em todo o momento e em cada detalhe as cores estão presentes, até mesmo o sutil vermelho bordô que se aproxima do bico do pássaro. A fotografia usa de uma iluminação constante e sublime, que acompanha tanto a inocência quanto a quebra dela na vida de Theo. Certamente o filme foi feito para olhos atentos e corações sensíveis.
Por Stefany Taglialatella