Mas olha como eu estou incrívelmente, naturalmente, maravilhosamente bem. Você não contaria com essa, né? Aposto minha coleção de livros água com açúcar que não contava. Não contava porque diferente de mim, você sempre teve muita certeza sobre o que eu sentia. Muitos consideram isso ótimo, uma dádiva. Mas a mais pura verdade é: não é MESMO. E mais verdade ainda (verdade tipo absoluta, quase um dogma), é que o poder de um relacionamento está, infelizmente, nas mãos daquele que gosta menos, ou se importa menos. Daquele que por ter tanta convicção que a outra pessoa vai aturar (na maioria das vezes) seus ímpetos de inconstância, usa e abusa do coraçãozinho inofensivo e ingênuo daquele que acreditou, assim como eu, que dar certezas é uma ótima jogada. Você me viciou nas suas incertezas, me fez acreditar na normalidade que isso era. Provocou em mim uma necessidade de viver na adrenalina que era estar sempre no meio das suas confusões mentais (ou sentimentais). E eu nunca mereci isso. Eu sabia, e você também. Então, agora, que você se diz pela primeira vez "decidido". Decido a ir. Eu percebo que já decidi há tempos não estar mais viciada em você, Decidi me libertar de você... só não sabia, talvez por medo ou falta de coragem. Mas apesar dos pesares, como dizia Gonzaguinha, você até que agregou coisas boas em mim. Então por causa disso, obrigada. Por ter me feito menos egoísta, menos autoritária, mais maleável. Ter me feito enxergar que nem sempre (ai como é difícil dizer isso) eu consigo o que eu quero. Mas a maior lição que aprendi foi que não se pode, de forma alguma de jeito algum, exigir um sentimento ou consideração de alguém que simplesmente não as possui. Não quando esse alguém não sabe o que sente, nem mesmo se próprio considera. Tô leve. Tõ bem. Como não me sentia em tempos. Agora me pergunto, será que dói pra você ouvir isso? Uao. Me surpreendi com a minha resposta: não faço idéia, e nem quero fazer. Quero que você leve esse seu mix de insegurança e indiferença pra bem longe de mim. Quero que sim, você seja feliz. Mas que encontre alguém que goste muito menos de você do que você dela. Alguém que te trate como um príncipe num dia e como um rato no outro. Alguém que te olhe com tamanha indiferença que te faça enxergar que, meu bem, agora você é o dominado. E ela? Ah, ela vai te ter na mão. Ela vai estar do lado que você sempre esteve. Vai se importar bem menos, vai fazer bem pouco caso, e no final... vai te deixar. Vai simplesmente te mandar um texto mandando você aproveitar sua vida, e de uma hora pra outra, como a vida útil de uma maré, puft, você vai se lembrar do que fez (comigo e provavelmente com outras mais). E será nesse momento que finalmente você vai encontrar sua maturidade. E só então, sua felicidade. Mas, enquanto isso, estou linda e rica curtindo ao lado dos homens (que graças a você) eu aprendi a dominar, por ser sempre a que a que se importa menos. Então, obrigada por isso também.