Gabriel pergunta a Júlia porque ela ainda acredita em Deus? Então ela faz uma breve análise do diálogo de Alyosha e seu irmão Ivan da obra "Os Irmãos Karamazov": "- Ivan dá a Alyosha uma lista de motivos para provar que Deus não existe ou, se Ele existe, que é um monstro. É uma discussão muito pungente e passei bastante tempo pensando sobre ela. Mas você se lembra de como Ivan conclui sua argumentação? Ele diz que, embora rejeite a criação de Deus e este mundo, ainda há um aspecto dele que considera surpreendentemente belo: as folhinhas pegajosas que desabrocham na primavera. Ele as ama, por mais que odeie o mundo ao redor delas. Essas folhinhas não são fé ou salvação. São resquícios de esperança. Elas o impendem de cair em desespero ao demonstraram que, apesar de todo o mal que ela vira, ainda resta ao menos uma coisa bela no mundo." Mas Gabriel ainda não satisfeito, perturbado com todo o mal que já presenciou, mesmo com pessoas inocentes, insiste perguntando a Júlia sobre o sofrimento de quem não faz mal a outros e das crianças que não sabem ao menos diferenciar bem de mal e Júlia responde: "- Mas o que há de errado com o restante de nós, Gabriel? Por que permitimos que as pessoas abusem dos seus filhos? Por que não defendemos os doentes e os fracos? Por que permitimos que soldados arrebanhem nossos vizinhos, coloquem uma estrela em suas roupas e os entulhem em vagões de trem? Deus não é mau... Nós é que somos. Todos queremos saber de onde vem o mal e por que seres humanos possuem uma incrível capacidade para a crueldade. Por que a bondade não existe? Por que pessoas como Grace e Richard são tão boas? Por que existe um Deus, e Ele não permitiu que a Terra fosse inteiramente corrompida. Existem folhinhas pegajosas, se você procurar por elas. E, quando as reconhece, consegue sentir a presença Dele."
O Julgamento de Gabriel - Sylvain Reynard














