Ela se imaginava bem longe dali. Longe de toda aquela gente que fingia socializar, que fingia se amar.
Ela fechava os olhos e conseguia sentir a brisa do mar e o barulho das ondas.
Sentia-se mais calma, mais tranquila.
Parecia que aquele aperto no coração havia passado, cessado. Um novo sentimento tomava conta dela, paz.
Ela pensava no quão estranho era não sentir o coração pesado... Tanto tempo havia se passado desde "aquele dia"... Já havia se acostumado com a dor, era sua única companheira. E até ela tinha lhe abandonado.
"Acho que estou morrendo", pensou.
Queria dar um mergulho. Sentir a água limpar todas as impurezas, todas as preocupações. Mas tinha medo de ir e não voltar mais. Tinha medo de se entregar as ondas.
Pensou neles, Paul e Adrienne. Eram o seu casal preferido em todo o mundo. Quase ninguém conhecia eles. Eles também amavam praia e aquela pousada.
Seria demasiadamente dolorosa a história deles, se fosse real.
"Bobagem", pensou. Eram reais pra ela.
Não dava pra se esconder pra sempre.
Assim, ela abriu lentamente os olhos, sentindo tudo ir embora e levantou-se. Sacudiu a poeira das roupas, abriu a porta da sala de materiais e saiu. Voltou a encarar a realidade.