Uma das coisas que sempre falei quando tive oportunidade é que nós seres humanos precisamos ter cuidado com as generalizações. O porque disso fica muito óbvio, embora sejamos dotados de atributos que nos fazem seres que relacionam em comunidade e por isso adotamos algumas semelhanças devido aos traços culturais do nosso tempo, onde esses traços por muitas vezes são modificados pelo espaço de nossa criação ou educação, ainda assim adotamos conclusões e visões de mundo inerentes à individualidade do ser.
Este livro é uma pesquisa realizada pelo historiador Carlo Ginzburg, que enquanto revisitada documentos referente a uma seita italiana de curandeiros e bruxos, se deparou com um depoimento intrigante de um Moleiro da Idade Média chamado Menochio. Devido às falas complexas do moleiro, a Inquisição documentou de forma muito extensa os detalhes do processo do seu julgamento no tribunal inquisitorial.
O mais interessante aqui é como Menochio, um moleiro, que não fazia parte do círculo de nobreza, logo teoricamente não deveria saber ler ou escrever, conseguiu tirar conclusões sobre a fundação do mundo ou mesmo contrariar o corpo episcopal da igreja católica, fazendo ele parte de uma fatia da sociedade demasiadamente complicada em sua época.
Menochio é uma figura intrigante e o texto embora seja de conteudo histórico, podendo ser analisado pelo olhar de um historiador com outras nuances, é constituído de maneira narrativista, o que torna a leitura leve e acessível a qualquer interessado em compreender mais sobre as individualidades dos seres envolvidos em quaisquer camadas sociais.

















