nome: caspian clearwater
idade: 24 anos
verse: percy jackson
looking for: m/f
No mundo acadêmico, não existia colega à altura de Clara Clearwater, uma pesquisadora prodígio em sismologia que virava cabeças por onde passava. Ninguém era páreo para a jovem até o repentino aparecimento de um misterioso especialista, que se entremeou em seu grupo de estudos com uma forte presença e parecia trazer consigo um entendimento profundo, quase intrínseco, de cada fenômeno da área. Incapazes de concordar em qualquer ponto e tornando-se propriamente rivais acadêmicos, a história aqui conta o único possível desfecho para essa série de conflitos: um envolvimento passional e inevitável. Deste curioso conto, entre uma mera – mas muito especial – mortal e o deus dos mares e terremotos, veio Caspian Clearwater, obstinado como sua mãe, com olhos de tempestade, mas também impossivelmente gentil.
Sua infância foi relativamente comum, se descontar alguns acontecimentos estranhos aqui e ali, que não são novidade para a vida de nenhum semideus. O trabalho de Clara frequentemente levava os dois para lugares diferentes conforme o fluxo de sua pesquisa, e isso, por muito tempo, ajudou a despistar a grande maioria dos monstros que pudessem vir por Caspian. Eternamente curioso, não era tarefa simples explicar as estranhezas que os cercavam sem levantar ainda mais suspeitas, mas Clara não era considerada brilhante sem motivo. O jovem Caspian nunca se importou de ser somente ele e a mãe no mundo, embora também não poupasse questionamentos: por que viviam se mudando, mas sempre na costa oeste? Por que só podia ir em excursões escolares que ficassem em distância razoável de casa? Por que moravam tão perto de qualquer praia, mas nunca chegava a oportunidade certa para conhecer o mar? Podia não importar quando soubesse, mas precisava saber. Enquanto Clara sabia que era impossível esconder a verdade de Caspian para sempre, o mundo parecia desabar do outro lado do país e como poderia sobrecarregar o filho com um destino de uma guerra? Para ela, seu pequeno não estava destinado a ser nenhum herói, desejava que ele tivesse apenas a oportunidade de ser, independente do sangue que corria em suas veias.
Eventualmente, é claro, a verdade os alcançou. Caspian tinha oito anos de idade quando a mãe, em meio ao jantar de domingo que sempre faziam no restaurante favorito de Clara, o deixou comendo a sobremesa para atender uma emergência no trabalho. Vinte minutos, meu bem, foi o que ela prometera com um largo sorriso no rosto, afinal o centro de pesquisa não ficava longe dali. Vinte minutos se tornaram quarenta, e duas horas, e uma eternidade depois disso. Um acidente de trânsito, um motorista alcoolizado, uma morte completamente mundana para Clara Clearwater, deixando para trás um filho que nada de comum tinha.
Depois disso, Caspian se lembra pouco mais do que um borrão. Conjuntos de luzes, cores, imagens que o levaram, com passos no automático, para um ponto de ônibus, um bilhete com destino a Nova Iorque em mãos, mas por que? Caspian só queria ver o mar; ele era apenas um garoto e certamente não tinha poder de tomar decisão alguma, mas sua mãe estava morta e era mesmo pedir demais, querer possuir o menor senso de agência? Sempre foram somente os dois, quem mais viria buscá-lo? Quem poderia impedi-lo? Estava sozinho no mundo. Agora só lhe restava o mar, que não conhecia, mas também não se importava. Esvaziou os bolsos em uma passagem para o litoral mais próximo.
A próxima coisa de que se deu conta foi despertar em uma praia diferente, com as roupas completamente secas, uma horda de desconhecidos o encarando enquanto um tridente brilhava sobre sua cabeça.Sem muitas opções do que fazer – que vida lhe restara no mundo real, órfão e sem ter sequer onde morar, com quem ficar? –, se tornou campista integral pelos meses seguintes, aliviado em, pelo menos, saber que não estava sozinho no chalé grande e imponente de um deus proibido de ter filhos com mortais. Inspirou-se grandemente na figura de Percy, seu meio-irmão, dono de uma coragem ímpar e uma impulsividade que talvez não fosse o melhor dos exemplos para uma criança impressionável.
Sempre obstinado, Caspian dedicou-se, desde o primeiro instante, ao aprimoramento de suas habilidades e autodescobrimento. Não tinha interesse particular em feitos heróicos ou glória – ficava satisfeito em deixar essa parte para Percy –, mas também sabia que não queria levar uma vida pela metade ou ordinária. Embora fosse muito jovem para participar efetivamente da Batalha de Manhattan, ficou contente de estar presente para as mudanças realizadas no Acampamento após os acordos, satisfeito de finalmente se sentir mais uma vez pertencente a algo, desde a morte de sua mãe. É leal ao Acampamento, embora tenha tido seus altos e baixos e batido de frente com outros campistas diversas vezes ao longo do tempo, com suas “diferenças inconciliáveis”. Ali, aprendeu a ser mais maleável e reconhecer onde pode insistir ou precisa ceder, tal como desenvolveu um senso de companheirismo e coletivismo sem igual, apesar da reputação um tanto individualista.










