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Hoje pude estar perto de você...
Tão perto! Que até doía a alma. Mal conseguia ouvir o que você me dizia, pois só o que podia pensar era no quanto eu queria que aquele momento durasse para sempre. Só podia ouvir as batidas de meu coração, pedindo para te tocar e dizer logo tudo aquilo que há muito deveria ter sido dito.
Era como se cada detalhe do momento passasse a ocupar cada centímetro de meu ser. O mel de seus olhos, seu sorriso, o louro de seus cabelos, os pelos e manchas do seu braço (que tanto aprendi a amar), o tom de sua voz, seu hálito... Foi preciso tanto esforço e autocontrole pra que você não percebesse o quanto eu estava nervoso e minhas mãos tremiam.
Por diversas vezes pensei segurar sua mão e arriscar tudo. Acabar de uma vez por todas com essa espera, esse dilema de Platão. Mas não consegui, não tive forças pra vencer o medo.
Como se o amor fosse algo que devesse ser escondido. Como se fosse errado querer o bem de outra pessoa mais do que o de si mesmo.
Não sei se foi real ou só o que meus olhos quiseram ver. Mas por um minuto você também pareceu esperar que algo acontecesse. Não sei ao certo.
Como se estivesse cansada de procurar por alguém, de um lugar em que virou hábito ter que negar aquilo que o mundo mais precisa.