Kyung achou que quando acordasse ele estaria bem - que seu pânico passaria, que todo o desespero que sentira no dia passado teria ido embora - mas não foi bem assim.
Acordou suando, arfando, sentindo o rosto tremer. Pegou o travesseiro e o colocou sobre o rosto como forma de abafar o grito desesperado. Ficou assim por um bom tempo até que o ar lhe faltasse.
Se levantou e foi para o banheiro, tomar um banho frio para se acalmar. Dentro do box examinou sua pele pálida. Nenhuma das feridas causadas por seu pai eram tão visíveis, mas, para ele, elas estavam praticamente gritando em seu rosto. Levou os dedos lentamente até o ante-braço, traçando uma linha onde uma marca de queimado estava.
Queria chorar, queria gritar, queria fazer com que aquelas marcas não ficassem tão visíveis, mas ao invés disso, simplesmente, fechou os olhos, sentindo a água fria contra sua pele, respirando fundo.
Tinha passado, no mínimo, vinte minutos embaixo d'água tentando fazer com que todo aquele medo fosse embora, sem muito sucesso.
[...]
Estava caminhando pelos campos de morangos, colhendo os frutos, tentando ao máximo ficar longe de qualquer pessoa - preferia evitar um ataque de pânico.
Caminhava pelas longas fileiras cheias de frutos vermelhos, comendo um ou dois algumas vezes. Gostava dali - do cheiro que tinha e da paz que sentia - era quase como se tudo estivesse bem, de verdade.
Aquela era, provavelmente a sua décima cesta que estava entupida de frutos e estava começando a se sentir cansado devido a noite mal dormida.
Colocou a última cesta junto das outras e, ao invés de ir comer algo e depois tomar um banho, foi na direção da arena, pensando em treinar arco e flecha - precisava treinar mais, defender os outros e se defender, de quem quer que fosse.