Hidden answers // POV
A inquietação se tornou sentimento constante para Celine Walsh desde a volta de Eloise e se acentuou quando a irlandesa se deu conta de que muitas das respostas que procurava estavam embaixo de seu nariz o tempo inteiro, sobretudo quando descobriu sobre a separação dos pais. A coragem que sempre tinha sido deixada de lado, agora parecia ter papel importante para aquilo que buscava: a verdade. E uma vez que tinha descoberto o caminho que lhe traria isso, as coisas pareciam tomar um rumo diferente e Celine tinha certeza de que seria algo que a acompanharia por muito tempo.
A última conversa que teve com Girard-Dampierre a fez notar algo que estava claro há muito tempo, e com um estalo Celine descobriu que sua intuição já alertava para as diversas festas que frequentava com a amiga há um tempo. Nas primeiras vezes apesar da timidez frequente estar no meio de universitários parecia interessante demais para deixar de lado e com a presença de Eloise realmente não parecia ter muito para com o que se preocupar. Até que as coisas começaram a ficar estranhas e diferente da melhor amiga, Celine preferiu se afastar, ainda que os convites tivessem se tornado bastante incisivos por um tempo. Tentava acompanhar as descobertas da outra discretamente, mas coincidentemente ou não fora nessa mesma época que Eloise começou a se afastar
Naquele momento, no entanto, pareceu lógico reviver aquele 2019 que Walsh tinha deixado guardado por meses, mesmo com a morte da melhor amiga. Em um ato impulsivo pediu um Uber até o local que sabia ter sido importante para Eloise na época, por já ter tido provas de que ela havia frequentado diversas vezes e apesar de talvez não ser tão suspeito se pensassem em adolescentes saindo com universitários, Celine estava convencida de que não se tratava de algo como uma fase. Pegou as chaves do quarto na recepção e subiu as escadas com a sensação de ser parte de um grande filme de suspense, como se depois de tudo o que Eloise tivesse vivido nos últimos meses, não fossem suficientes para que ela se preocupasse com a própria vida. A verdade era que, naquele ponto, Celine sequer sentia que a sua valia tanto assim. Não tanto quanto as respostas que buscava.
Ao adentrar no quarto de hotel a irlandesa teve uma sensação estranha. A urgência de sua missão particular, no entanto, não permitiu que ela desse muita atenção a esse sentimento, rapidamente fechando a porta atrás de si e buscando nos poucos armários algo que pudesse ajudá-la a compreender o que a ex-melhor amiga ainda escondia. Apesar do sentimento de dependência que tivera com a outra em algum momento, assim como a culpa por não ter conseguido coragem suficiente para buscá-la antes, Walsh estava cansada de receber fragmentos de informações e verdades duvidosas.
Um envelope reluziu no momento em que Celine abriu uma das gavetas da escrivaninha robusta do quarto, embaixo de alguns papeis que não lhe pareceram importantes, afinal aquela não era a primeira vez que via um envelope como aquele, ou melhor, um convite. Um riso abafado escapou-lhe os lábios, ainda que a insegurança fosse maior do que a empolgação momentânea de ter encontrado algo por contra própria. As dedos finos e trêmulos logo pegaram o objeto, ao abri-lo, os olhos azuis varreram as palavras com atenção. “Fevereiro de 2020″ sussurrou pressionando os lábios inquieta. A loira ergueu o olhar para a janela pensativa. Já fazia algum tempo desde a última festa que havia ido com Eloise, logo já faziam meses desde que ela começara a agir estranho. No momento em que a irlandesa empurrou o convite para dentro do envelope ele pareceu enganchar em algo, ao olhar novamente notou um bilhete pequeno.
“Só quero conversar... E pedir desculpas”
A caligrafia não pareceu familiar, para além disso um frio percorreu o corpo. Celine sabia que ele não estaria ali por acaso, não com o convite, afinal eles sempre foram limitados e a lista de pessoas que os recebiam eram seletas. “Quem é você?” sussurrou com a voz rouca. Engoliu em seco, sentindo o nervosismo se tornar ainda mais presente. Se deu conta de que provavelmente já havia passado mais tempo do que deveria, apesar de ter pagado pela diária, não pretendia ficar mais tempo do que o necessário. Pegou o celular, fotografando os achados, chamando novamente um Uber para próximo ao apartamento que dividia e ficou encarando o envelope até que o carro estivesse próximo o suficiente para buscá-la, só então o devolveu para o lugar onde o tinha encontrado, passando rapidamente pela recepção para deixar as chaves.
Ao entrar no carro, mais perguntas surgiram e, apesar das respostas ainda raras que conseguia, Celine agora tinha certeza que estava indo pelo caminho certo, se é que poderia chamar assim.










