Carta aberta - “Preta demais para globeleza”.
Desde criança, acho linda a magia e beleza do carnaval. Todas as cores, pessoas, músicas e festas me encantam, mas o que mais me chamava a atenção é a “exaltação” da mulher negra. Sou carioca, com 22 anos e cresci ouvindo que a mulher negra é patrimônio do carnaval e que eu, como uma delas, deveria agradecer e continuar com essa cultura.
No entanto, quando comecei a entrar nesse mundo percebi que tudo não passa de erotização e racismo.
Em 2013, a Nayara Justino foi eleita como Globeleza. Ela é uma mulher negra retinta, com cabelo natural e corpo menos voluptuoso do que os de suas antecessoras. Para mim, foi um marco de representatividade, mas claro, a sociedade brasileira não achou que seria isso. Foram diversos comentários racistas e misóginos toda vez que o comercial passava na televisão, a ponto de ela ter sido substituída no ano seguinte. Muitas meninas da minha comunidade sonhavam em chegar a esse posto um dia, e se desapontaram com o que aconteceu. Aí eu me pergunto: é isso mesmo que chamam de exaltação à mulher negra? Um show de racismo que afirma se alguém é “preta demais” ou “gostosa de menos”? Não consigo entender tamanha hipocrisia.










