E do nada bateu uma nostalgia. Sentada no sofá, avistei na mesinha de centro um porta retratos com uma foto de quando eu estava na pré escola. Uma maria chiquinhas, um vestidinho florido e um ursinho na mão. Parece que foi ontem que mamãe levou-me ao estúdio fotográfico para tirar aquele retrato. Meu ursinho sempre comigo, não é atoa que ele estava presente na foto. Esperamos os quinze minutos até a revelação. Estava ansiosa. Muito ansiosa. Sentia-me gente grande, pois, certo dia, havia ido com minha mãe ao mesmo estúdio, porém desta vez ela foi fotografada. Disse-me que a foto era para um documento chamado identidade, do qual só gente grande possuía. Deitei-me no sofá e indaguei, "oras, como é possível haver tantas coisas irrelevantes e nada, nadica de máquinas do tempo?" Acabei caindo no sono. Poucas horas depois acordei com uma tremenda fome. Fui até a cozinha e fiz panquecas como mamãe fazia. É claro que essas não são comparáveis ás dela, mas modéstia a parte, ficaram uma delícia. Retomei meu lugar ao sofá, quando ao longe ouvi a buzina do carrinho do algodão doce. Pra quê maior lembrança da infância senão algodão doce? Peguei umas moedas soltas na mesinha e fui para a rua. Em meio à cinco crianças apenas eu de adulta. Confesso que me senti um pouco deslocada, mas valeu a pena. Sentei em uma rede que há em meu jardim e lá passei o resto da tarde. Com a noite, a chuva também havia chegado. Deixei minhas pantufas de lado e descaça tomei um banho de chuva como costumava fazer. Quem pela rua passava, estranhava aquela mulher dançando e pulando em meio a chuva. Entrei e fui direto para o banho. Coloquei um pijama, fiz brigadeiro e liguei a tv em um canal infantil. Assisti à uns dois ou três episódios das meninas super poderosas. Dei-me conta de que, não faz-se necessário máquinas do tempo ou coisa parecida. Basta ter lembranças, isso já é o suficiente.