Eu nem pensava mais em você. Fazia anos, exatamente oito para ser mais exata. Você tinha virado parte de um passado de sentimentos mistos. Então chegava meu aniversário, mesma época que a gente acendeu e apagou. Tudo indicava que mais uma vez você voltaria, parte de mim esperava que sim. O que eu queria com isso? Eu já vivo outros relacionamentos, não sei nem se teria mais um espacinho pra você. Foi ai que eu entendi que a nostalgia da ideia de você já ocupava um espaço gigante, exatamente esse espaço impedia que o todo me deixasse inteira. Aquela série nova que lançou lembra tanto a gente né? Quem a gente era. Eu não tinha mais certeza de nada sobre nós nesses oito anos. Hoje eu sou eu muito mais eu do que eu era há 8 anos. Será que você respeitaria meu corpo? Com todas as cicatrizes? Será que respeitaria meu pronome? Meus traumas e abusos? Minha sexualidade? Meus cinco gatos? Meu posicionamento político? Meu lugar no mundo? Das drogas que eu uso? Será que eu respeitaria os seus? Foi quando a ficha caiu - e ela sempre cai - que eu percebi que eu não tenho controle algum sobre nada disso. Sobre nada do que aconteceu e sobre todas as hipóteses de futuro que a gente nunca vai viver. Não importe quanto eu tente me aproximar, quantas mensagens eu mande - ou receba - e onde eu chegue. A única certeza - que é onde me agarrava e agora só deixo ir - é de que eu te entreguei o melhor que eu conseguia naquela época. Eu sempre soube disso, mas realmente ter consciência ativa sobre isso é meio novo pra mim. Não que tenha sido perfeito, longe disso, eu errei muito, você errou muito, a gente errou junto sendo tão certos, mas a gente fez nosso melhor e eu não posso mudar nada disso. Acho que pela primeira vez eu aceitei esse sentimento por completo. E eu admito que me senti meio idiota, sabe? Outra parte de mim sente que te entregou mais do que você gostaria de receber. Eu tive minha importância, porém inflada por um ego que veio não sei da onde, mas me protegeu, no fim das contas, da triste realidade de que vivenciamos de maneira diferente nossos sentimentos. Meio óbvio, não? Oito anos pra ficha cair - mas ela sempre sempre cai. Então eu tô assumindo controle daquilo que eu consigo. Eu te segui de novo, pra eu saber que você tá bem, pra eu lembrar que eu tô bem. Eu entendi o que eu gosto, fora dos julgamentos dos outros. Eu tô militando. Eu tô me desculpando e pedindo desculpas. Eu tô acendendo, tô sendo gasolina, Tô virando balão. Eu vivi e vou viver coisas que nunca imaginei que viveria, pro melhor e pro pior. E pra você eu só desejo e envio felicidade e amor. Antigamente eu te desejaria um até logo. mas acho que é finalmente um adeus.








