Correios ampliam prejuízo para R$ 3,2 bilhões no 1º trimestre
Queda de receitas e alta de despesas pressionam estatal Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil Publicado em 01/06/2026 - 17:37 Brasília Versão em áudio
Reprodução: © Valter Campanato/Agência Brasil Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,16 bilhões, resultado 82,3% maior do que o registrado no mesmo período de 2025, quando as perdas somaram R$ 1,72 bilhão. O balanço divulgado pela estatal mostra que a empresa segue enfrentando dificuldades financeiras mesmo após o início de um plano de reestruturação.
O resultado negativo ocorre após os Correios acumularem prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior desempenho da história da companhia.
Números
- Prejuízo líquido: R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026; - Prejuízo no mesmo período de 2025: R$ 1,72 bilhão; - Aumento das perdas: 82,3%; - Prejuízo acumulado em 2025: R$ 8,5 bilhões; - Receita bruta: R$ 4,04 bilhões, queda de 2,2% em relação ao 1º trimestre de 2025; - Despesas financeiras: R$ 985 milhões, alta de 248%; - Provisão para ações judiciais: R$ 1,06 bilhão; - Patrimônio líquido negativo: R$ 16,2 bilhões. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Justificativas
Segundo a estatal, o prejuízo foi provocado por uma combinação de queda nas receitas, aumento das despesas financeiras e revisão das provisões para processos judiciais. O principal impacto extraordinário veio do reconhecimento de uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a ações trabalhistas. Na prática, trata-se de uma reserva contábil criada para cobrir possíveis perdas em processos que ainda estão em tramitação na Justiça. A reclassificação desses passivos já vinha sendo defendida por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Com a atualização, o valor total reservado para contingências judiciais subiu de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano. A receita dos Correios continuou em queda nos primeiros meses do ano.
Desempenho
- Encomendas: R$ 2,2 bilhões (-5,5% em relação ao 1º trimestre de 2025); - Postagens internacionais: R$ 156 milhões (-60,3%); - Mensagens (cartas e documentos): R$ 1,2 bilhão (11,4%); - Outras receitas: R$ 465 milhões (48%). A redução das receitas ocorre em meio ao avanço da concorrência no setor de logística e à queda da demanda por serviços postais tradicionais. Apesar do resultado negativo, a empresa conseguiu reduzir parte dos custos operacionais em relação ao primeiro trimestre de 2025. - Custos de produtos e serviços: de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões (-7,6%); - Despesas com pessoal: de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões (-4,1%). Segundo os Correios, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), implantado em 2024, contribuiu para a diminuição dos gastos com pessoal.
Dívidas
As despesas financeiras foram um dos principais fatores de deterioração do resultado. O valor saltou de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano. O aumento está relacionado aos financiamentos contratados pela estatal para reforçar o caixa e sustentar o plano de recuperação financeira. Outro indicador que apresentou forte crescimento foi o das indenizações pagas a clientes por atraso na entrega de encomendas. Indenizações por atraso: - Março de 2025: R$ 2 milhões; - Março de 2026: R$ 30,5 milhões. O valor é mais de 15 vezes superior ao registrado um ano antes e reflete os problemas operacionais enfrentados pela empresa, especialmente após a greve de funcionários ocorrida no fim de 2025.
Reestruturação
Sob a presidência de Emmanoel Rondon desde setembro de 2025, os Correios executam um plano de reestruturação para tentar recuperar o equilíbrio financeiro. As medidas incluem: - redução de despesas administrativas; - revisão de contratos; - venda de imóveis sem uso operacional; - modernização tecnológica; - ajustes logísticos; - busca por novas fontes de receita. Em 2025, a estatal também contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para regularizar passivos e financiar parte da reorganização financeira.
Situação da estatal
Embora tenha registrado lucro bruto de R$ 153,4 milhões, indicador que considera apenas receitas e custos diretos da operação, os Correios continuam pressionados por despesas administrativas, financeiras e judiciais. Diferentemente do lucro líquido, o lucro bruto exclui impostos e despesas fixas, como aluguel, material de escritório, publicidade e salários administrativos. A meta da companhia é concluir o processo de reestruturação e voltar a apresentar resultados positivos a partir de 2027. Até lá, o desafio será reduzir o ritmo de crescimento das perdas e recuperar receitas em um mercado cada vez mais competitivo. Edição: Fernando Fraga














