acendo um cigarro. o vejo queimar entre meus dedos. fecho os olhos. penso em você. em como seria te ver chegando, o tomando da minha mão e o jogando fora, com todo aquele discurso de que nicotina faz mal, coisa e tal e que eu deveria parar com isso. então eu olharia pra você, com a expressão incrédula, como quem diz "você me faz mais mal que que todas essas substâncias tóxicas queimando", mas continuaria calada, te observando me olhar sem expressão, esperando que eu falasse algo que te desse razão da ação, mas não. eu levantei, te virei as costas e fui embora. esperei aquele puxão no braço pra me fazer parar com a birra e olhar pra você, ainda furiosa, mas com esperanças de que me pedisse pra ficar, mas não o fez. e virei novamente, tirando o cabelo da cara, suspirando e me recompondo. afinal, você sempre me deixou ir, mesmo quando deixava claro que não era de fato o que eu queria fazer e você sabia, tenho certeza que sim. decido abrir os olhos e logo parar com toda essa besteira de imaginar situações e involuntariamente inserir você em todas elas. talvez eu devesse só parar de te idealizar como o meu herói, o cara que poderia me salvar, se quisesse. olha ai. outra bobeira! eu nem conheço você direito. e além do que, quem poderia me salvar de mim, além de mim mesmo? mas eu? bom, eu sou uma romântica incurável, cheia de mágoa na bagagem e consequentemente acabo transparecendo certa frieza, receio... e você, com seu jeito incrivelmente tranquilo, sempre simplificando todas as coisas que eu costumava complicar, pondo mil barreiras e você incrivelmente destruía todas com uma facilidade espantosa e o jeito como me desvenda. mas eu não sei nada sobre você. o que acontece aí dentro. eu ainda nem te vi. você sempre ocupado, no fim do colegial, visando algo futuro, no esquema escola-cursinho-atividades por fora. e eu, meio oposta a você, não muito visionária nesse quesito, mas muito desinteressada, ou talvez só meio perdida e um pouco confusa. eu acabo gostando de quem cuida de mim, mesmo à distância. talvez eu nem goste da pessoa em si, mas sim da ideia de ser amada. mas não dura mais que alguns míseros meses e me vejo ridiculamente sozinha. então aproveito a deixa, o encanto e a paixãozinha passageira que me desperta a esperança de agora-vai e me faz querer escrever sobre. mas aí que tá o problema, eu não quero uma paixãozinha passageira, eu não quero ninguém passageiro, não quero mais me entregar carnalmente pra alguém que obviamente não vai acordar do meu lado amanhã, me olhando, me beijando a testa e sorrindo, me sussurrando com o hálito matinal de que eu sou a pessoa com quem deseja acordar ao lado todas as manhãs até o resto da sua vida. é, eu sei, leva tempo, às vezes. mas quem sabe? o amor é imprevisível, e talvez eu nem o ache, enquanto o procuro inconscientemente em qualquer pessoa que me ofereça o que eu quero ou me fale o que eu espero ouvir. talvez toda essa procura de um amor, seja falta do próprio, mas talvez seja só pela consciência das minhas necessidades, ou sei lá mais o que. como poderia saber? meus pensamentos estão organizados de maneira aleatória, o raciocínio varia de acordo com as emoções, que são instáveis. mas será que você entende? que seja. eu nem sei se você vai ler e se ler, saber se é pra você, espero que não eu nunca termino algo mesmo e pra ser sincera? eu nem sei o porquê de estar escrevendo isso. eu câmbio, desligo.
eu nem sei.










