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should we talk about the weather?
Parece que o "verão" quer mesmo nos deixar; chove agora e choveu o dia inteiro. Depois do feriado de sol e calor, a temperatura já voltou ao mesmo padrão que se repetiu mais ou menos a semana passada inteira: tempo nublado e pancadinhas de chuva ocasionais. Digo "pancadinhas" porque a chuva inglesa é bem diferente da brasileira. É mais quieta, reservada, não gosta de fazer alarde. Mais ou menos como os ingleses - os clássicos, como aqueles estereótipos que a gente tem na cabeça em forma de um senhor de meia idade em seu terno bem cortado, num ônibus vermelho de dois andares indo para a casa, onde lhe espera uma xícara de chá com leite fumegante em frente a uma comédia antiga da BBC. Esse inglês praticamente não existe mais; uma pena. Mas a chuva britânica, ah, essa continua a mesma. Em São Paulo, no show do Damien Rice em que fui com a Julie, tive que rir quando ele, depois de chegar meio assustado no meio de uma típica pancada de chuva de verão, disse algo nos moldes de "chove muito lá na Irlanda, mas NÃO ASSIM!!". Hahaha, é verdade. A chuva por esses lados tende a ser chatinha, insistente, duradoura, aquele plic-plec quase inaudível na janela por horas, dias, semanas. Isso quando faz plic-plec. Na maioria das vezes os pingos são tão finos que nem fazem barulho, e a gente só sente a suposta chuva quando sai na rua e aquela sensação de "ar úmido" nos envolve. O que não quer dizer que não existam tempestades por aqui; é que elas são bem mais raras. Confesso que adoro um bom temporal à brasileira, daqueles que encharcam tudo em volta, criam poças enormes e uma sinfonia de trovões, despejam mini enxurradas ladeira abaixo e fazem subir aquele cheirinho pós-chuva de terra molhada; tudo bem latino e emocional. Não gosto quando derrubam casas, alagam cidades e matam pessoas, no entanto. Mas assim é a vida; gostar das regras é opcional. Então, aproveitando os últimos dias de verão disponíveis (nunca se sabe quando eles vão acabar) aceleramos os trabalhos na summer house e ela está praticamente pronta:
Falta apenas pintar o teto e pôr vidro na porta e nas janelas. Depois vem a "mobília"; estou pintando de vermelho uma pequena cama antiga de solteiro que andava jogada por aqui, e vou fazer também uma mesa na frente da janela e prateleiras.
Sim, isso aí em cima é mesmo um penico de louça. :) Comprei numa car boot sale (feira onde geral enche o carro com coisas que não querem mais e estacionam num campo de futebol para vender por qualquer mixaria) e está sendo usado como vaso de plantas; minhas begônias agradecem! A pequena xícara eu ganhei de brinde por ter comprado o penico; fim de feira, a dona devia estar a fim de se livrar de peso morto. Enquanto eu colocava os dois na bolsa, ela avisou: "não confunda os dois, hein!". Sim, minha senhora. Pode deixar. Eu não vou tomar café no penico e fazer xixi na xícara. Grata por se preocupar.
Os vasinhos vieram de um supermercado e foram escolhidos pela cor e pelos coraçõezinhos vazados estilo escandinavo. Ainda não sei se vão guardar flores ou velas perfumadas (não sei se a casinha vai ter eletricidade; caso não tenha, velas serão a única iluminação possível. Romântico!). Pelo visto essa "summer house" só vai ser aproveitada no próximo verão. Porque o tempo lá fora já tem cara de outono e posso ver daqui algumas árvores do jardim exibindo as primeiras folhas amareladas de 2009. Well, whatever. Nevermind. Hora de ir ali colocar a chaleira para ferver, calçar meias de lã e assistir a mais um episódio de Fawlty Towers ou Blackadder. :) P.S.: Quase ia esquecendo de agradecer a todo mundo que me indicou no BlogDay! Esqueci da data e também sempre achei difícil indicar apenas cinco... O que deixa ainda mais envaidecida em ver tanta gente bacana me indicando. Muito obrigada! Nem sempre dá pra encontrar todo mundo que me linka (não tenho mais contador de visitas); então, se você me indicou, ou se tem o Hello Lolla nos seus links, avisa aí nos comentários porque eu quero conhecer o seu blog também. :)
Em 2016.
Estava assistindo aos vídeos sobre os planos cariocas para as Olimpíadas de 2016 no YouTube. Tudo muito lindo e organizado nas tomadas aéreas (onde eles sabidamente evitam as favelas). Visto de cima, sem a presença inconveniente e intimidante de meninos de rua, mendigos, lixões e balas perdidas, o Rio se parece com algumas cidades européias; bonito, seguro, eficiente e asséptico. Infelizmente, não sei se isso é o bastante para que eu me anime. O público que costuma frequentar em massa esse tipo de evento tende a ser europeu ou norte americano. Ou seja, regra geral (e guardadas as exceções que confirmam a regra), chato. O tipo de chato para quem tudo é "chocante". Um papel jogado no chão = OHMYGOD a cidade é IMUNDA. Um pretinho pedindo dinheiro no sinal = OHMYGOD pobreza! Me senti intimidado!! Imagine se algum deles dá o azar de ser assaltado (bem provável, dada a mania de sair por aí fantasiado de turista e carregando bens duráveis pendurados pelo corpo)? Me lembram um pouco certos paulistas que simplesmente NÃO PODEM ler um texto na internet exaltando o Rio sem se sentirem compelidos a deixar comentários no nível de "Sim, mas e a violência?! O estado vive em guerra civil!!" ou "O Rio só serve para produzir favelas e funk carioca!", yadda, yadda, yadda, zzzz. (por favoooor, gosto de Sampaulo e a-do-ro paulistas, não estou generalizando; quem é cuzão, sabe) A esses, um toque: qualquer crítica tem mais chances de ser levada a sério se não soar recalcada.
Mais chatos que os turistas apavorados, só mesmo os brasileiros que passaram a vida imersos nessa realidade e, depois de um ou dois anos fora, voltam com o mesmo discurso gringo. Não é o meu caso. Impossível não se acostumar à sensação de segurança que tenho aqui mas, quando no Rio, continuo abusando da hospitalidade de mamãe na Baixada Fluminense (!!) e saindo sozinha para todo canto, como sempre fiz. Podia me sacrificar e pagar um aluguel de temporada num cubículo em Copacabana, daqueles em que você precisa dividir o espaço na cama com o fogão e fazer xixi na pia? Até podia. Mas prefiro viver como sempre vivi e gastar o dinheiro com cerveja, thanks. (E depois, algumas áreas da Zona Sul são bem mais violentas do que algumas áreas da Baixada Fluminense) Gringos, entretanto, não têm a minha experiência prévia. Não foram expostos à merda desde cedo e, por isso, estranham o cheiro. Traumatizam. Saem dizendo que a cidade é um inferno e prejudicam o turismo. Em geral eu não dou a mínima para a tal "imagem do Brasil no exterior". Acho mesmo que o Brasil e o Rio não andam fazendo por merecer mais turistas porque é verdade que as metrópoles são desnecessariamente sujas, a sinalização nas estradas é deficiente, o trânsito é caótico, os nativos exploram os estrangeiros e a violência é uma realidade com a qual muitas pessoas não estão a fim de lidar em troca de uma praia e um copo de caipirinha. Vamos pra Ibiza que é mais segura, todos falam inglês (ou tentam), não tem gente pobre nas ruas e cujos barmen fazem caipirinhas ainda melhores e mais baratas, né? É. Sinceramente? Se eu fosse estrangeira e sem laços com o país, talvez pensasse duas vezes antes de vir ao Brasil pagar o triplo do valor normal numa corrida de táxi e ainda ser chamada de otária por isso.
Ao contrário do que muita gente pensa, nem todo mundo sai do Brasil encantado pelas belezas tropicais. Muitos saem assustados, irritados e dificilmente pensando em voltar ou recomendar o destino aos amigos. A viagem é longa, o vôo é caro, o calor é intenso, a segurança é relativa, os preços nas lojas e restaurantes são absurdos. Não me admira que essa gente acabe indo pra Paris, que é uma cidade absurdamente bonita, eficiente, programada para explorar seus próprios clichês e deliciar os sentidos, porém fria e quase opressiva em sua imponência. Eu acho mesmo o Rio lindo, mas é uma beleza humana, imperfeita. E, acima da beleza "física", que é óbvia e todo mundo conhece, há essa beleza espiritual, esse estilo de vida e joie de vivre que, aí sim, cidade nenhuma no mundo tem igual. Enfim, o assunto é cheio de nuances conflitantes e não estou a fim de ser conclusiva (nem poderia). Às vezes acho que, para gostar do Rio (como um todo, não apenas a tríade zona-sul + praia + aeroporto... convenhamos, é fácil amar o "Rio pra Turista", né?), é preciso ter vindo de fábrica com um opcional chamado alma de carioca. Independente do lugar onde se nasceu.
Itália, ano passado.
O casal que vos escreve passava férias de verão na Sicília, aquele lugar mágico, cuja orla de um azul impossivelmente saturado é cercada por condomínios de luxo e hotéis cobrando diárias de mil euros, impossibilitando que locais e turistas pobres (oi!) tenham acesso ao mar. Ainda bem que eu não gosto de praia e fui pra lá com o único objetivo de comer até explodir. E fui bem sucedida; perdi 50% do meu guarda roupa ao chegar de viagem. Largamos o carro alugado num estacionamento em Taormina e fomos bater perna, comer coisas gostosas, comprar artesanato (o que coubesse na mala e no bolso) e fazer fotos. Na volta, o papel esticado no pára-brisa avisava que havíamos excedido o limite de horas permitido (onde esse tal limite estava afixado, não encontramos) e por isso estávamos sendo multados; favor pagar até o dia XX na delegacia da região XX de Taormina, grato. Problemas: estávamos indo embora de Taormina no dia seguinte para nos dirigir mais ao sul. Hotel reservado e tudo. Já começava a escurecer e encarei o prognóstico de me enfiar no carro e ir procurar o endereço da tal delegacia (não constava na multa) e depois tentar encontrá-la; admito que idéia de ir caçar uma delegacia na Sicília àquela hora não me pareceu convidativa. Enfiei a multa na bolsa para guardar de recuerdo e Respectivo riu: "Ok, a gente paga SE eles nos encontrarem!" Bom, hoje a multa chegou na nossa casa. Mais de um ano depois. Entrega especial, com assinatura requerida ao destinatário. A multa, em si, apenas oito euros. A cobrança, no entanto, era de quase 37 euros - atraso no pagamento, taxas de envio, etcétera. Sinceramente? Custou a eles bem mais do que isso descobrir nosso paradeiro e enviar a carta. Nota 10 em esforço investigativo, zero em custo-benefício. Mas essa eu pago, né? Caso contrário eles mandam a máfia em peso atrás de mim se eu um dia voltar a pôr meus Loubotins na Sicília. (by the way, não tenho Loubotins; gasto meu dinheiro pagando multas de trânsito hiperfaturadas)
Lembro que voltei da Sicília meiputa (por vários fatores, incluindo cidades que pareciam estar apodrecendo a olhos vistos) a ponto de gastar metade de um batom da MAC rabiscando um xingamento na parede de um banheiro em Siracusa - shame on me. Mas o fato é que a Sicília é um lugar tão único, tão surreal por vezes, que precisa de tempo para ser digerido e compreendido. E no fim das contas, as muitas pequenas coisas deliciosas se sobrepõe em número e em impacto às poucas grandes coisas ruins. E são essas pequenas coisas que me enchem de saudade e me fazem querer retornar um dia, mais sábia para evitar as roubadas e mais paciente com o ritmo desacelerado da vida dessa gente tão orgulhosa da sua cultura. O que me faz lembrar imediatamente do pequeno restaurante italiano em Londres, que tem sorte de contar com uma excelente cozinha, ótimo vinho e um garçom que, ao ser perguntado se era italiano, ergueu o nariz levemente indignado e respondeu, na lata: "no, madam - i'm sicilian".
Beautiful Things.
Muitas cores no catálogo da Rice; OUTRA loja dinamarquesa inacreditável. Preciso me mudar pra escandinávia. :)
A encantadora simplicidade das fotos desse álbum:
The Uniform Project: ela vai vestir o mesmo vestido durante um ano inteiro, como se fosse um uniforme, tentando reinventar a peça a cada dia. O desafio é provar que você não precisa de um guarda roupas lotado para se vestir de forma criativa e também arrecadar dinheiro para uniformes de verdade para as crianças da Índia. Além da motivação nobre, você pode se inspirar browseando o guarda roupas da moça, dia após dia; altas idéias para você dar uma repaginada naquele vestidinho preto sem graça que estava mofando na gaveta... E ah, só pra constar: ela tem sete vestidos iguais, um para cada dia da semana. Deu até vontade de costurar um igual pra mim; o potencial de versatilidade já foi mais do que provado!
Viver numa carrocinha cigana, anyone? Veja as fotos do interior delicioso da casinha aqui.
Gemma Correll
Gosto bastante dos desenhos da Gema Correll, especialmente a série "the unusual child" (também fui uma criança incomum que não se identificava com os demais da mesma faixa etária) e a "what i wore today" (aliás, ótima idéia para quem quer mostrar o que veste, mas não necessariamente a si próprio... Já sabia que existe um grupo no Flickr só para isso? Nele eu também adoro as ilustrações da Jenosaur).
God Save The Flag
Minha mais recente obsessão atende pelo nome de Union Flag.
{foto by kitschen pink}
Muita gente considera essa como sendo a "bandeira da Inglaterra" quando na verdade a Union Flag, como já diz o nome, representa todo o Reino Unido (incuindo Escócia, Irlanda do Norte, Gales e a Inglaterra propriamente dita). A verdadeira bandeira da Inglaterra é bastante sem graça. Também é comum chamar a Union Flag de "Union Jack", mas esse nome só é plenamente correto se a bandeira estiver hasteada num navio. Pelo visto a bandeira está na moda; para onde quer que o ser humano olhe, encontra a dita cuja em forma de bolsa, camisa, jaqueta, almofada, quadro, geladeira, caneca e até assento sanitário.
Ontem pirei e comprei duas bolsas na New Look; faz tempo que eu estava interessada, mas esperei até entrarem em promoção. Essa à esquerda, bem grande, espaçosa e cheia de bolsos internos e externos, muito boa pra bater perna por aí e poupar minhas bolsas mais caras (até parece que eu não tenho em casa uma dúzia de outras bolsas baratas pra escolher, mas deixemos quieto); e essa pequenina à direita, de paetês, onde só cabe mesmo dinheiro, chaves e celular, e por isso mesmo perfeita para dançar (justiça seja feita, eu não tinha nenhuma bolsa assim). Estou pensando em tirar essa alça sem graça e substituir por uma correntinha, o que vocês acham?
E essa bolsa de maquiagem aqui eu comprei na Accessorize no subsolo do Trocadero, em Piccadilly. A loja está fechando (até porque abriram outra, maior, no primeiro andar) e, por isso, a bolsinha só me custou duas libras:
Agora estou tentando fazer uma almofada com a Union Flag, por isso andei buscando inspiração pela internet:
by dotcom gift shop and karen hilton.
by designer cushions
by hen house and V for Violet.
by hen house and angel lifestyle.
all by vintage home.
by jane hornsby and letter fest.
by the rug company.
Se eu conseguir um resultado minimamente decente, mostrarei aqui. :)
St. Aubin's High Street