don't do it don't do it... ok, do it
with @hjxsungjae
Há dias na vida em que nada parece estar no seu devido lugar, nada parece dar certo e tudo que se quer fazer é se enfiar debaixo da coberta e procurar acolhida em um mar de netflix. Aquele era um daqueles dias em que arrastar-se de um lado para o outro do dormitório foi necessário, já que seus músculos não pareciam respeitar devidamente seus desejos e o ânimo também não bateu cartão. Seoji tinha coisas para fazer, matérias e roteiros para escrever para a aula de Storytelling, mas nenhuma engrenagem se movia dentro da cabeça nadando em Serotonina.
Um pacote de Lays e uma barra inteira de chocolate depois e ele viu a visão distorcer de tanto encarar a barra de texto piscando na tela branca de seu notebook. Fechou os olhos e apertou a parte baixa de suas palmas contra as orbes, sentindo-as queimar pelo esforço em vão; A realidade é que não estava com ânimo para nada. Ele simplesmente não queria fazer nada além da única coisa que não deveria fazer em hipótese alguma em seu dormitório.
Algo que seria no mínimo constrangedor, no máximo uma dor de cabeça imensa para explicar e se abrir com o colega de quarto, coisa que ainda não tinha conseguido forças para falar e, ainda que gostasse de Sungjae, não tinha ideia de como seria sua reação a respeito de toda essa bola de neve que é sua particularidade. Sendo provavelmente a pessoa com menos disciplina e autocontrole do mundo, especialmente quando trata-se de algo que quer fazer e não pode, ponderou por alguns minutos os riscos enquanto girava na cadeira da escrivaninha em um vai e vem lento e tedioso. Em um segundo de impulsão, o foda-se foi acionado em seu cérebro e ele se jogou de joelhos no colchão, curvando-se para alcançar um baú debaixo do móvel que dormia, este devidamente fechado com uma combinação para que apenas ele pudesse abri-lo.
Medidas tinham que ser tomadas, caso contrário sua vida nada dentro dos padrões seria exposta e. Abriu o baú e sentiu um arrepio na espinha, despindo-se rapidamente para se enfiar em um vestido de listras justo sem mangas, curto (um de seus favoritos), sua peruca em um corte Bob preto, que escondia a linha de seu maxilar, o deixando com feições mais delicadas. Sentou-se na escrivaninha mais uma vez e usou a webcam de seu notebook para se maquiar. Estava no meio do processo de colar os cílios postiços quando ouviu a maçaneta da porta se mexer, o som da chave destrancando-a.









