Capítulo 48 - "Péssimo dia pra viajar, não?"
Minha família não ficou muito feliz com isso, principalmente Derek, que esbravejou, mas levei Alden para meu quarto e encostei a porta. Alden: Pra que tudo isso? - Ele riu carinhosamente. - Parece que to indo preso e tu vai me interrogar. - Ele apontou pra porta. Eu: Cala a boca, garoto. - Eu caminhei até onde ele estava sentado, na ponta da minha cama, e o beijei. Os beijos foram ficando mais intensos a medida que eu subia minhas mãos pela sua nuca e puxava seu cabelo, suas mãos em minha cintura, mas então ele parou. Alden: Ashy, tu tem certeza que quer continuar com isso na casa dos teus pais? - Ele continuou com a mão na minha cintura, mas o aperto do desejo não estava mais presente. Eu: Cê não quer? - Eu ignorei sua pergunta. Ele riu. Alden: Tu não faz ideia de quanto eu quero isso. - Ele me olhou, e completou quando me viu levantar a sobrancelha: - É sério. Só não quero fazer teus pais me odiarem de cara. Eu tirei suas mãos da minha cintura e sentei do seu lado. Eu: Tudo bem, cê tem razão. - Eu apoiei minha cabeça em seu ombro. Alden: Agora me conta tudo, sobre tudo, desde o começo. - Ele tomou minha mão na sua. Fiz um relato rápido a ele, me demorando na parte de que os caras tinham sido pegos. Ele me ouviu e se animou comigo na última parte, até que eu acabei meu relato e ficamos em silêncio, eu encarava suas botas de combate que combinavam com a jaqueta jeans, a regata preta e a calça surrada. Alden: A pergunta que todos nós estamos temendo em fazer: tu vai voltar pra casa? - Ele interrompeu o silêncio. Eu pensei naquilo. Não dependia de mim de qualquer jeito, mas eu sabia que faria qualquer coisa pra voltar pra casa, porque a casa do Derek, aquela cidade era sim minha casa e eu sabia que não poderia abandoná-la de forma alguma. E olhando ao redor, eu não reconhecia mais aquele lugar, meu quarto não parecia mais pertencer a mim. Eu suspirei. Eu: Sim. - Eu o encarei. - Mesmo que tivermos que fugir. Pai: Não vai ser preciso, querida. - Ele empurrou a porta delicadamente com uma bandeja. Eu: Vou poder voltar pra casa? - Eu o olhei esperançosamente. Pai: Sua mãe acha que cê deve ir. - Ele suspirou. - Eu relutei, mas no fundo sei que você pertence àquele lugar. - Ele sorriu. Meu pai colocou a bandeja com um prato de strogonoff na mesinha perto do sofá. Ele sabia o quanto eu amava seu strogonoff, meus olhos brilharam e a fome adormecida de manifestou, fazendo com que eu salivasse. Pai: Sabia que estava com fome! Ele me observou levantar e devorar o strogonoff. *** Dois dias depois eu já estava na porta de casa, pronta pra voltar pra casa. Derek e Lori arrumavam suas mochilas enquanto eu encarava o horizonte sentada no balanço da varanda. Mãe: Sinto falta de te ver aí. - Ela parou na porta da frente, me olhando. - Mas quando penso nisso, sei que está melhor com seu primo. - Ela completou antes que eu pudesse dizer algo. Eu: Sinto falta desse seu vestido de florzinhas. - Eu sorri. Ela riu junto comigo, fazendo destacar suas pequenas rugas no rosto. Ela era branquinha e baixinha como eu, os olhos castanhos não combinavam - eu havia puxado meus olhos claros do meu pai - mas o nariz e a boca definitivamente era uma herança passada pra mim. Eu me levantei do balanço e a abracei, passando a mão pelo seus cabelos longos e negros. Eu: Eu te amo, mãe. Não se esqueça disso. Mãe: Não vou me esquecer. Nos soltamos do abraço quando Derek e Lori, acompanhados pelo meu pai apareceram na porta da sala. Pai: Vou levar vocês até a estação. - Ele se dirigiu até o carro e abriu o porta-malas. Mãe: Vou sentir sua falta, criança. - Ela sorriu para mim e depois se despidiu de Derek e Lori. Foi então que vi um moleque baixo e de cabelo preto correndo pela rua em minha direção. Assim que Ben parou na varanda, colocou as mãos nos joelhos e arfou, procurando ar. Ben: Achou que eu não viria me despedir? - Ele tentou sorrir em meio das arfadas. Eu andei até não haver mais de alguns centímetros entre nós e cochichei: Eu: Chuck não vai aparecer por aqui, né? - Eu varri a rua com os olhos. Ben: Não, falei com ele agora a pouco e ele disse pra te desejar boa viagem. - Ele cochichou de volta. Eu assenti e o abracei, tentando guardar seu cheiro na memória. Eu: Nos vemos por aí, meu bem. - Eu sorri para ele enquanto caminhava até o carro. Ele sorriu de volta, acenando e então, se pôs a conversar com minha mãe. Entramos no carro e partimos. Eu observava o céu, sentada no banco de trás de mãos dadas com Lori. Era um dia fechado, completamente feio e chuvoso, eu suspirei. Lori: Péssimo dia para viajar, não? - Ela se virou para mim e sorriu. Eu: Sem dúvidas. - Eu sorri também e voltei a olhar o céu pela janela. Meu pai nos deixou na na frente da estação e enquanto esperávamos o trem, eu mandei uma mensagem para Alden: "Saber que vou te ver daqui a pouco já compensa o fato de ser um dia merda pra viajar." Guardei o celular no bolso da calça jeans e ri sozinha. Ele havia ido embora no dia anterior, alegando que tinha assuntos para resolver e eram urgentes. Não acreditei muito nisso, Lori disse que provavelmente ele queria fazer algum tipo de surpresa pra mim e dessa vez, eu tinha um pressentimento que nada daria errado. Desamarrei a jaqueta preta da cintura e a coloquei por cima da camisa velha que eu tinha dos Ramones, estava definitivamente frio. Derek: O trem! - Ele apontou. - Tá chegando. Quando o trem parou, subimos a bordo e procuramos uma cabine vaga. Acabamos por encontrar uma no meio do trem, Derek e Lori se sentaram em um banco e eu me sentei em outro em frente a eles. Foi quando meu celular vibrou, o tirei do bolso e encarei a tela com um sorriso no rosto. "Nenhum dia é merda quando sei que vou te ver." Lori: Tá rindo do que aí? - Ela já sabia o que era, só estava me provocando. Eu: Você é curiosa demais. - Eu balancei a cabeça negativamente. Ela riu e eu fiquei ali, observando Derek passar a mão pelo seu cabelo ruivo enquanto o trem partia e eu me aproximava cada vez mais de casa. *** Depois de alguns cochilos finalmente chegamos. Caminhei até a esquina da casa de Derek e eles ficaram por lá, enquanto eu fui andando até a casa de Alden. A casa parecia inabitada, tudo estava silencioso. Bati na porta uma, duas vezes e nada. Fiquei ali pensando se ele não estava em casa, mas não, ele havia pedido pra que o encontrasse ali quando chegasse. Até que finalmente ele abriu a porta e meus pensamentos foram arrancados de minha mente. Ele estava lá com os olhos verdes brilhando, pacificamente lindo e sorrindo, o sorriso mais lindo do mundo. Eu o abracei me aconchegando em sua camisa cinza. Eu: Como é possível sentir tanta falta de alguém em um dia? - Eu suspirei, sentindo seu cheiro de cigarro de menta e café forte. Ele não disse nada, só tomou meu rosto em sua mão e olhou fundo nos meus olhos antes de colar seus lábios nos meus. Não queria que aquele beijo acabasse nunca, que aquele momento fosse eterno. Mas então Alden separou-se do nosso abraço e pegou minha mão. Alden: Vem, tenho uma coisa pra te mostrar. - Ele sorriu, deixando suas covinhas a vista. O segui até o interior da casa, bem mais limpa do que da última vez que estive ali, e no sofá maior havia uma caixa branca extremamente grande. Eu: Você só pode estar brincando! - Eu o encarei, incrédula. - Isso é pra mim? Alden: Claro! - Ele soltou minha mão e acenou para que eu abrisse a caixa. Eu: Não posso aceitar, Alden. - Eu o encarei. - Cabe uma TV aí! - Balancei minha cabeça em direção a caixa. - Isso é uma TV? Alden: Para de enrolar e abre logo, garota! - Ele me empurrou para frente. O fiz, um pouco relutante. Abri a caixa com a maior curiosidade e ansiedade do mundo e meu ar sumiu quando vi o que tinha dentro.












