Uma caralhada de léguas submarinas
Não é fácil mergulhar em um mar vermelho e turvo, atrás de objetos que, certos ou errados, estragam a decoração local e arruinam o feng shui estabelecido nas profundezas. Bate aquele medo de não gostar do seu achado, de aparecer pelado na frente dos outros na volta, de sentir um gelo desagradável e se perder em um universo desconhecido submerso sem a menor possibilidade de encontrar um caminho.
Algumas vezes o clima está convidativo. Um calor insuportável ou um tempo muito mais frio que o mar. Aí, não há outra alternativa senão afundar. Além disso, pode ser que você tenha malhado o ano inteiro e colocou a sua roupa de banho mais bonita, favorecendo as probabilidades. Então toma coragem pra entrar. Respira fundo. Guarda o máximo de oxigênio que os pulmões podem suportar. Fecha os olhos e pula de ponta. Seja o que deus quiser!
O amor é um jogo, não é novidade. Cada partida é disputada contra o universo num tabuleiro do jogo da vida controlado por uma criança hiperativa girando uma roleta viciada. As vezes você volta 2 casas, outras para o começo. Em alguns momentos acaba caindo no labirinto da loucura. Mas tem saída. Sempre tem uma saída. "Tudo pode ser se quiser será sonhos sempre vem pra quem sonhar". Na mocada, aproveita que ninguém tá olhando e coloca o ponteiro no número que você quer.
Pouco importa o tempo praticando, estudando técnicas modernas ou lendo o manual de instruções no verso da caixa. É impossível ganhar todas as vezes. Pra jogar, tem que estar preparado pra perder.
Dói mais que cortar o dedo com papel, chutar a quina do armário com o dedo mindinho, pedra nos rins, tatuar o peito ou bater o cotovelo em alguma superfície muito dura e ficar com o braço formigando. Várias pessoas já passaram por todas essas situações, mas sobreviveram de boa pra contar a história. Saíram peladas da água. Cada uma delas, com o corpo rubro tingido em viscosidades diversas. Tremendo ou suando. As vezes, com a intimidade coberta de tinta. As vezes não. Só lá dentro pra saber.