Welcome to the 21st Century | Helena & Adônis
A última semana havia sido uma semana particularmente difícil para a filha de Júpiter. Com uma patada só, acabou se sentindo a pessoa mais solitária do mundo. Juno deveria estar comemorando lá no Olimpo, conseguiu quebrar a bastardinha por dentro. Seu pai Olimpiano nem se importou em consertar o que a esposa enciumada fizera, não prestara nenhuma ajuda ou sequer algum alívio no meio daquela maldição, apenas pediu desculpas educadamente e continuou o seu egocentrismo com os outros irmãos do chalé 1. Com eles, ele parecia um pai maravilhoso. Helena se sentiu estúpida e ingênua de acreditar que ele iria fazer alguma coisa, que “merecer ser sua filha” e ser amada como uma era a mesma coisa. Tantas batalhas que venceu para deixá-lo orgulhoso, tantas coisas que fez por ele e que descobriu que jamais teriam retorno algum. Bem, já suspeitava que se iludia há uns tempos, mas preferia continuar seguindo a vida. Agora, se sentia perdida – se ele não a ajudaria, como escaparia dessa situação? Como reverteria a maldição? A resposta parecia bem simples: não reverteria. Aprenderia a viver com ela.
Seu momento de alívio foi quando Quíron deu permissão para ela e Adônis saírem para o mundo mortal. Uma distração era tudo o que precisava naquele momento, e tinha certeza que se divertiria com o garoto em Nova Iorque. Ele era uma figura estranha aos primeiros olhares, mas depois, ele se mostrava muito mais do que apenas “O-Garoto-Da-Roma-Antiga”. Seria divertido passar um dia inteiro no mundo mortal, respondendo perguntas sobre o novo mundo, comendo cachorro quente e vestindo-o de acordo com o século XXI. Helena deixou esse passeio tomar sua cabeça por completo, pensando nos lugares que o levaria por primeiro e em que perguntas e ele lhe faria – o que no caso, imaginava que fossem todas as possíveis. Estava pensando nisso enquanto apoiada em uma árvore perto do portal, sem suas “roupas de guerra” rasgadas e surradas, mas vestida como uma adolescente normal, jeans, regata e um casaco. Quando viu o filho de Cupido se aproximar, se desencostou da árvore e sorriu.
“Hey, está pronto?” Perguntou o olhando, e assim que já estava tudo nos conformes, ela simplesmente atravessou o arco que delimitava o mundo semideus do mortal. “Então vamos lá. Você vai gostar.” Do outro lado do portal, havia um belíssimo Porsche prateado estacionado. Havia o estacionado ali assim que teve a permissão, indo até a casa da mãe e pedindo emprestado. Ela e o marido tinham mais dois muito melhores do que este, de modo que Nayara simplesmente deu um discurso pseudo-responsável, dizendo que não era para bater o carro nem nada do tipo. Tanto fazia, ela só não iria jeito nenhum desde antes do Queens até Manhattan andando a pé. Do lado de Adônis, apontou para o carro para explicar. “Isso é um carro. É como uma biga, mas mais rápida e que funciona sem cavalos. É uma máquina, então nada a ver com Trivia. Não precisa ter medo, é cem por cento seguro. Ou quase.” E deu de ombros. Bem, Adônis não precisava saber de acidentes de carros no momento, porque não aconteceria nenhum. Sendo assim, simplesmente abriu a porta do passageiro para ele (já que achou que ele não saberia de início como abrir a porta) e depois entrou do lado do motorista. Já fazia um tempo desde a última vez que dirigiu um carro, mas automáticos não tinham mistérios. Era quase como jogar videogame.