E a minha casa tem gosto dos seus dois braços ao redor do meu corpo
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E a minha casa tem gosto dos seus dois braços ao redor do meu corpo
Um brinde aos que nunca foram escolhidos!
Um brinde a todos aqueles que não foram escolhidos, mas que tomaram coragem, abriram o coração, passaram por todo o exército do medo, deixaram a prisão da rejeição e seguiram em direção ao amor, mesmo quando ele não era garantido. Gritei fogo: Eu disse que lhe amava em silêncio, por todos aqueles anos, você disse que não era capaz de me amar da maneira que eu precisava. Me queimei: cada parte pintada de queimaduras e cicatrizes em meu rosto, cheiro a cinzas, ainda. A dor de não ser nem se quer a segunda opção, terceira... quarta... quinta... sexta... Eu nunca ocupei um espaço, significativo mesmo, em sua estante de meninos perfeitos; um brinde a todos os que nunca foram amados como precisavam.
Eu toquei no sol (eu fui queimado)
Eu amei ele com tudo o que a minha alma pode oferecer. Lágrimas salgadas não combinam com sorrisos disfarçados de força. Hoje é só mais um dia no meio da semana, como todos os outros, nos quais eu trabalho, incansavelmente, e luto contra os mesmos pensamentos na minha cabeça. A primeira vez que eu o vi, foi como sentir luz solar sob o corpo, pela primeira vez. Mas, com o passar do tempo, a única coisa que me sobrou de tudo isso... foi o frio. Ele tinha os olhos mais lindos que já vi, uma pele brilhante e uma maneira curiosa de expandir a existência em poucos segundos de conversa. Era como se o sol estivesse conhecendo a lua, era como se a luz chegasse em um quarto cheio de escuridão, era como fogo; perigoso e cruel. Eles dizem que escolher quem não te escolhe é o começo das más decisões, gostaria eu de ter entendido isso, antes. Eu acho que se aqueles banhistas tivessem me visto chorando na praia, em Julho, teriam pedido para me abraçar ou conversar sobre o que estava acontecendo. Eu me escondi embaixo da água, e descobri que lágrimas salgadas, infelizmente, combinam com todo o oceano atlântico. Eu só tinha vinte e dois anos e um mundo de culpa e fantasia dançando no meu coração, enquanto você vivia toda uma vida do outro lado do Brasil. Se eu era realmente especial, não foi o que pareceu. Se você sentia tudo como eu, não foi o que conseguiu me entregar. Se você prometeu que me veria novamente quando voltasse ao Rio, espero que tenha se divertido com os seus amigos, enquanto eu não conseguia parar de pensar em você. Não foi ciúmes, não foi obsessão, não foi descontrole, foi todas as expectativas e sentimentos se estilhaçando como mil taças no salão mais silencioso da minha alma. Mas, a vida é assim mesmo, o tempo vai passando, levando as coisas ruins e deixando as coisas boas.
Eu precisei seguir em frente.
Precisei reconhecer que esse é o tipo de lealdade que eu não aceito.
Precisei beber todas as minhas lágrimas naquela praia.
Precisei limpar cada caco de vidro daquele salão.
Precisei entender que eu conheci o sol; que fui queimado
Sem ninguém, apenas, comigo mesmo é hora de seguir em frente
Depois de anos de sangramento. Descobri que ainda há mais sangue a perder. A vida te faz se machucar de todas as maneiras, só para te ver crescer e te tornar mais forte: mas, o que ninguém te diz é que pra isso acontecer você deve seguir em frente. Deixar as sombras no passado e carregar as luzes que vêm com toda a escuridão. Como olhar para as suas cicatrizes sem lembrar das batalhas que travou? Como puxar o oxigênio quando você esteve sem ar por tanto tempo? Como manter o seu coração com o perdão quando o ódio grita de todas as maneiras na sua alma?
Não há receita. Na verdade, a maneira mais sábia é continuar, independente de tudo e todos. Mantenha o seu coração protegido, conheça a si mesmo e siga. Estou gritando para você continuar... você consegue me ouvir berrando “Siga em frente!”?
Eu sinto falta da minha infância, adolescência, de como a minha casa era cheia e os meus pais andavam de um lado para o outro com parentes por todos os lados. A sensação de lar, preenchimento, liberdade sem saber o que ela é, se sentir livre sem saber o que é estar livre, já que jamais estive preso naquele tempo. Agora, estou aprisionado na solidão. Crescer é uma dupla jornada de aprisionamento e liberdade. E, honestamente, hoje estou derramado entre sombras, bebendo restos de felicidades de outrora e tentando me salvar com palavras que o eu de um tempo distante resolveu me escrever. O meu coração dói tanto, mas ele hoje acordou com esperança... e acho que isso é bom, significa que estou vivo. Vivendo tanto as coisas boas na minha memória, quanto toda a dureza da minha realidade.
Tá tudo bem, quando eu acho que estou sozinho. Todos nós estamos: essa é a vida. No fundo, entendo que há pessoas que me amam, que me querem bem, que me veem lutando e resistindo. Mas, por um fração de segundos compreendo também que sou eu que devo sentir esse impacto. Sou eu que sou atropelado pela minha dor, sou eu que sou destroçado pela rajada de desconforto, sou eu que tenho tirada de mim a minha vida e vejo tudo com um olhar de fora.
Mas, sou eu, que grito mais alto, que corro mais rápido, que aprendo a dançar...
SOU EU QUEM SEGUE EM FRENTE.
Macarrão instantâneo, água gelada e seiscentos e sessenta e seis demônios
Eu tento forçar os meus olhos a fechar, enquanto as luzes do quarto estão apagadas. Ouço barulho dos carros lá fora, o absoluto silêncio aqui dentro me assusta, poeiras pelas paredes e por toda a parte do quarto, por toda a parte do meu coração… Uma coisa que ninguém te conta: é que a sua dor vai crescendo durante a madrugada quando você passa dos vinte e os seus pensamentos te chamam para dançar sem parar, mesmo quando você nem aguenta mais ficar de pé. Você já sentiu como se houvesses seiscentos e sessenta e seis demônios mordendo, aos poucos, toda a sua alma? Olhando para trás o passado te persegue, olhando para frente o futuro te consome… honestamente, eu só queria escapar de tudo isso. Sou um morto vivo seguindo em direção a cozinha. Pausa. Espio a janela. A escuridão lá fora, lembra a escuridão aqui dentro. As chamas do fogão iluminam a cozinha, a água borbulha com paciência. Sento na cadeira, passam-se vinte minutos ou vinte anos? Não sei… Levanto-me levo o macarrão para o quarto, engulo essa porção quente e bebo água gelada, em seguida. Há tanto medo, tanta miséria, estou quebrado e acho que macarrão instantâneo e água gelada são tudo que há dentro de mim.
Eu estou no chão, e não vejo a hora de me reerguer
Rascunhos (apenas rascunhos)
Eu devo ter escrito um milhão de textos sobre você, só porquê você nunca os lerá, e só porquê há poesia entre você e as diversas versões de ti mesmo e entre mim e as diversas versões de mim mesmo, e entre nós e as diversas versões de nós mesmos. Eu devo ter escrito sobre como você age impulsivamente quando está com raiva, ou de como tenta proteger todo mundo, mesmo quando não consegue, ou que tem medo de desmoronar, só porquê tu já se acostumou a ser forte o tempo todo. Eu devo ter escrito sobre como você ri nos momentos mais inesperados e impróprios, em como os seus olhos também riem e como os mesmos também me fazem sorrir, quando não são apenas poeiras de escuridões negras, mas sim um céu escuro repleto de estrelas, e eu devo ter escrito também que prometi seguir cada uma delas, brilho por brilho, eu ainda tenho as cadentes no meu bolso. Eu devo ter escrito sobre como você conseguia mudar meu humor quando tudo estava completamente ruim e meu corpo era apenas mais um obstáculo nessa cidade tão frágil, quando minhas lágrimas eram apenas rastros de memórias que decidiram saia do interior do meu corpo que me machuca às vezes com cargas emocionais tão descontroladas, quando minha boca abria e tudo que sais eram palavras que não deveriam ou quando ela abria e a única coisa que ecoava era o silêncio. Eu devo ter escrito sobre como nós deixamos de ser nós, e de como agora eu sou só um cara com o coração partido escrevendo sobre um amor que não é mais o mesmo, e que um dia me fez tão bem. Eu não quero deixar de te amar, mas talvez isso seja necessário. Eu não quero esquecer teu cheiro, tua voz, teu gosto, teus lábios mas talvez isso seja necessário. Eu não quero parar de escrever sobre nós, sobre eu e você, mas talvez isso seja necessário.
E talvez todos os textos que eu escrevi sobre você, agora, sejam rascunhos.
Apenas: Rascunhos.
-Surreal Subversivo
"Já estou chegando ae" = Ainda nem saí de casa '-'