don't let them win p.o.v. florence // flashback reaping day
Uma vez ao ano, aquele sentimento tomava conta de seu peito. Mesmo quando ainda jovem demais, Florence sentia profundamente, naquele dia, a tristeza das famílias, o desespero dos tributos - e tudo que se passava em sua mente era: por quê? Por que se submetiam àquilo? Como ovelhas, seguiam o pastor, ou melhor, a Capital, direto ao abatedouro... Como aquilo podia ser justo?
Reposou os olhos em seu avô, à distância, com o desprezo de sempre. Entretanto, ao observa-lo ouvir sobre a Colheita naquele ano, algo a fez duvidar de que ele estivesse completamente perdido, porque, por meros minutos, seu avô havia perdido qualquer controle, dando o espetáculo que a Capital tanto queria ao escutar que um de seus parentes seria sorteado para aquela edição. Respirou fundo. Seus pulmões pareciam precisar de mais ar diante do pânico que se instalava de forma avassaladora. Ela sabia que seu nome seria chamado. Sabia.
A propaganda de sempre veio antes de começar o sorteio perverso, feito para nada além de entretenimento. Sua morte seria entretenimento. Sentiu a respiração se perder até ouvir seu nome ser anunciado. Queria poder dizer que o mundo parou com a notícia tão horrível, mas não parou. Todos os olhares... Florence engoliu tudo o que sentia. Choraria quando tivesse qualquer sombra de privacidade. Não entreteria a Capital mais do que o necessário. Ergueu a cabeça e não olhou para trás. Não para sua mãe, cujos gritos ainda podia ouvir, nem para seu pai, cujos soluços podia jurar que também escutava. Eles não a criaram para aquilo. Não a criaram para ser uma assassina. E agora, de uma forma ou de outra, jamais teriam a filha deles de volta - não como ela era agora.