16 de outubro, refeitório, antes do incidente. — w. @jonghagms
as batidas estão tão altas nos fones, em seu ouvido, que é capaz de realmente terminar surdo. iyla é a única coisa que ouve. o refeitório nunca foi tão silencioso.
a fila anda e athos segue no automático, não é preciso raciocínio. a cabeça balança discretamente, ritmada, e é simplesmente tão óbvio que está ali só em corpo.
parece que nada o traria de volta à órbita, e athos não quer ser puxado. o dia havia sido tão cansativo que não quer estar por ali por um tempo.
athos é puxado.
uma troca de pés da pessoa a frente, que se bate em sua bandeja, que faz athos recuar o corpo alguns centímetros, que bate as costas na pessoa atrás. e aí, mesmo que a culpa tenha sido da pessoa da frente, que sai apressada e deixando mil desculpas, athos quem acaba virando para checar o mutante na fila.
ele coloca a bandeja no balcão e toma um segundo para mirar a cara do coitado— e nesse momento, iyla perde sua atenção.
athos se perde, mas também se encontra, nos olhos alheios. o reconhecimento sendo mais rápido do que gostaria. é ele, o garoto da livraria e biblioteca, e não é que seja a primeira vez que o vê pelo instituto, mas é a primeira vez perto assim. é preciso engolir a saliva e piscar, tirando um dos fones que parece vibrar com o volume da música.
“ desculpe. ” parece um sussurro, mas seu tom é firme. ele novamente pisca ambos os olhos, tendo que se virar para o funcionário que o pergunta sobre as porções para o jantar.
são os últimos hotteok de açúcar e canela, e athos não pensa muito quando aceita que sejam colocados em seu prato.







