É de senso comum que algumas profissões “exigem” que o indivíduo seja de uma ou de outra casta. Alguns podem dizer que isso se trata de estereótipo, que a sociedade evoluiu para além destas convenções, convicções, que isso se trata de preconceito. Mas é inegável que ainda surte efeito. Mais inegável ainda é o fato de que defensores sociais, policiais, militares em geral são alfas. Personalidades fortes, a ponto de brigar entre si caso sejam contrariados, exibir seus egos, são algumas atitudes que certamente caracterizam os alfas. E Olga certamente é um exemplo de alfa. Mulher alta para os padrões, estrutura forte, sempre séria, porém com uma humildade tão fora das características da personalidade alfa, atributo que claramente atrai atenção de diversos ômegas com quem interage. Ninguém conectaria o fato dela perseguir um suspeito como um ômega no ciclo.
E foi numa perseguição que se encontraram pela primeira vez
A investigação levou meses, mas finalmente foi possível cercar o suspeito, este ligado a uma importante família mafiosa do país, ainda que no final quem realmente comanda todo sistema nunca seja pego, tirar alguns importantes integrantes do grupo de circulação pode garantir um sono melhor para os justos. E a informação era “quente”. E o suspeito estava na boate.
Diversos ômegas se encontravam lá para entretenimento dos demais. Dançando, bebendo, esperando dar para os alfas e os betas uma escapada da vida real, uma oportunidade de serem os alfas, os betas, se sujeitarem aos hormônios, os cheiros, vontades e anseios que uma vez fora tão dominante em suas personalidades. Em tal ambiente, não é tão inesperado encontrar entidades pertencentes às atividades. E é onde Rose se encontra. Ela não esperava que a boate fosse invadida essa noite, certamente teria se preparado melhor se soubesse que teria mais público alfa chegando.
Mas ela não estava preparada, só estava dançando como sempre, como esperado de um demônio da luxuria neste ambiente, controlando os níveis dos hormônios e as vontades dos presentes.
O ataque dos investigadores foi um sucesso, suspeito preso e todos presentes foram levados à delegacia para interrogatório. Inclusive certo demônio que poderia escapar facilmente dessa burocracia, mas se sentiu tentada a participar dessa situação tão humana porque certa ômega presente no meio de tantos alfas brutalhões.
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-Você tem direito de um advog-
-Por que você está entre com tantos alfas? - Rose interrompe Olga antes que ela possa continuar o bordão que estava cansada de repetir depois de quinze testemunhas interrogadas. Ainda assim, incrédula com a interrupção, questiona:
-Você é ome- Olga levanta de supetão, assustada e pálida, olha nervosa para o grande espelho se perguntando se alguém estaria do outro lado agora. Rose continua, inabalável - Você está bem?
-Estou é só… Você me pegou de surpresa. Normalmente eu quem faço as perguntas. - Olga se senta novamente, respira fundo e volta para seu profissionalismo.
-Entendo, perdão por ter atropelado suas palavras. Você me cativou durante a operação e por isso decidi vir conversar com você - Rose flerta livremente
-Não foi pela intimação do meu pessoal?
-Não preciso passar por isso - O sorriso da demônio é encantador, incandescente
-Certo. Não encontramos seus documentos e aparentemente “Rose” não é suficiente para localizarmos no sistema
-Não possuo os documentos de Adão
-Ilegal? Adão é seu pai ou local de nascimento?
-Não eu… Por que você se passa por alfa? -Isso novamente. Olga se retrai. com uma careta
-Você está tensa. Preocupada. Não precisa passar por isso. - Rose se levanta e as duas não se encontram mais na sala de interrogatório, mas na rua que dá acesso à boate, já é manhã e o sol está forte no céu limpo.
-Não queria assustar você, mas cansei de brincar de Adão e decidi que você também merecia uma pausa do trabalho.
-Não estamos no departamento
-De certa forma sim, mas com um atalho que eu conheço. -Rose sorri genuinamente contente