tem gente que só enxerga o caos de uma rua lotada no fim do expediente, com pessoas passando, se esbarrando, apressadas; ou uma massa frenética e agitada que parece precisar urgentemente chegar a algum destino. e tem gente que vê o sorriso da moça que passou; o menino que pegou a irmãzinha mais nova no colo num gesto tão carinhoso que dá até vontade de eternizar num quadro; o moço que lê sentado num outro canto da rua o que parece ser a história mais interessante do universo; o abraço do casal que de tão apertado pode ser despedida ou reencontro, mas de todas as formas só pode ser saudade; o senhor que saca um telefone do bolso e o atende com todo entusiasmo, como quem fala com alguém que há tanto não via… enfim, esse último tipo de gente vê devagarinho, vê segunda, terceira e quarta vez numa só. vê poesia. é que a realidade é a mesma, o que muda é a gente. a gente é que escolhe se vai acreditar na vida ainda ou jogar a toalha. mas se das opções escolher a primeira, será bem mais fácil sorrir, é verdade.
De verso e alma.
















