Aqui não houve festa de passagem de ano, nem idas para a rua, nem fogo de artifício; houve bom marisco, bom vinho, bom whisky, bons sonhos e boa música. É o plano habitual da efeméride, e mais uma vez não falhou. Enfim, agora que já passou a preguiça (e a ressaca), ficam aqui os votos de feliz ano novo para os leitores do Sobreiro Mecânico. Que 2026 traga muitos livros, muitas bandas desenhadas, muitos discos, muita música, etc.
Estava aqui a pensar no que esperar para 2026, e concluí que seria muito mais fácil alinhar alguns pensamentos se estivesse mais a par dos lançamentos que se avizinham. Por exemplo, só hoje soube que Emily St. John Mandel irá lançar neste ano um novo livro, intitulado Exit Party, que decerto quererei ler. No resto, aguardo com expectativa A River From the Clouds, a segunda parte da duologia que Ai Jiang iniciou com A Palace Near the Wind. E quanto a mais leituras, logo veremos o que aparece.
Idem para a música, apesar de aqui estar muito curioso quanto a alguns rumores de que Björk poderá lançar um disco novo em 2026, no contexto de uma exposição/instalação artística que fará na Islândia durante a Primavera. Quanto a concertos, veremos; até agora nenhum dos principais festivais me puxa para gastar o balúrdio que custa um bilhete (mais tudo o resto no recinto) em 2026. Paredes de Coura é tentador por ser, enfim, Paredes de Coura (e pelas Wet Leg), mas para já ainda não tenho nada decidido. Mas está na altura de olhar para as listas dos melhores discos de 2025 e ver que tesouros lá encontrarei...
Nos jogos, Control: Resonant é o grande destaque para 2026, claro; e vindo da Remedy, será jogo para comprar na data de lançamento... se houver edição física, claro (a ver se não se lembram de repetir o lançamento de Alan Wake 2, primeiro em versão digital e só muito mais tarde em disco). Fora da Playstation, daqui a duas semanas haverá o lançamento da expansão Lorwyn Eclipsed, que me fará finalmente regressar por alguns momentos a Magic: The Gathering. A primeira passagem pelo mundo de Lorwyn teve lugar entre 2007-2008, altura em que decorria ou meu longo hiato de Magic (ou, dito de outra forma: era quando eu jogava World of Warcraft), pelo que só uns bons anos mais tarde descobri as cartas daquele pequeno universo. Há muito que aguardava um regresso a Lorwyn, com a sua estética de fábulas e os seus Goblins (claro), Tritões, Elfos e outras sociedades não-humanas. Só lamento que este regresso tenha chegado somente agora, quando o meu entusiasmo por Magic está ainda mais baixo do que durante aquela década em que não joguei. A ver se o pré-lançamento deste mês serve de pretexto para alinhar aqui alguns pensamentos sobre esse tema.
E quanto a televisão e cinema? No pequeno ecrã ainda tenho algumas coisas por ver de 2025 (Pluribus, Fallout), mas imagino que as poucas séries que vi no ano passado - Severance, excepcional, e The Last of Us - só em 2027 verão a estreia das suas terceiras temporadas. Este modelo actual de televisão é péssimo, diga-se de passagem. Já no cinema, haverá a estreia do novo filme de Mamoru Hosoda, Scarlet (que até há minutos desconhecia existir, mas que me deixa muitíssimo interessado; chega em Fevereiro); haverá o regresso de Steven Spielberg à ficção científica; e haverá... sim, haverá Dune Part 3 de Denis Villeneuve, e haverá The Odyssey de Christopher Nolan. Acabarei por ver ambos, claro, ainda que nem um nem outro me entusiasmem por aí além.
Na verdade, o que mais me entusiasma em 2026 não se encontra nos livros, nos discos, nos concertos ou nos ecrãs grandes ou pequenos; encontrar-se-á, sim nos céus do norte de Espanha em Agosto, quando por lá for visível um eclipse total do Sol. Terei lido algures em miúdo, talvez em algum Borda d'Água (ei - ainda não havia internet em casa), que iria haver um eclipse total no extremo norte de Portugal (10 segundos de totalidade, apenas), e fiquei com a data gravada na memória, à espera desse longínquo 2026. Pois muito bem, cá estamos; agora é rezar por um céu limpo de Verão.