Estava numa fila dessas de lojas de departamento quando, de longe, avisto uma fila de cadernos dispostos na prateleira para venda. Achei estranho ver na capa não as princesas, mas as bruxas da Branca de Neve, da Bela Adormecida e da Pequena Sereia.
Acima das bruxas estava estampado em letras garrafais um grande “Vilãs”, e o design fez lembrar aquelas capas de CDs de trio musical. Não haviam outros cadernos com outros temas para vender naquela sessão. Um sinal de que, agora, as meninas podem escolher identificarem-se com o lado mal das histórias infantis (e eram cadernos escolares) sem qualquer restrição.
Tanto faz. Bem ou mal, princesa ou bruxa, tudo parece estar misturado neste nosso mundo relativista que não está nem um pouco preocupado em marcar os dois lados como claros opostos ou ensinar a rejeição ao mal e o acolhimento do bem.
A tendência parece ser a de tornar descolada a escolha pelas vilãs nas referências mais simples do dia a dia, como na capa de um caderno. O que, sutilmente, vai internalizando a ideia de que é legal e aceitável ser malvada.
A princesa não tem mais graça, é boba e ingênua. O que vai tornar a menina “diferentona” é sua escolha em quebrar o tabu e os padrões e não ter vergonha alguma de se assemelhar ao estereótipo do mal. Se não soubermos resistir conscientemente a estes símbolos que querem distorcer tudo para dar crédito à mentira, o mundo irá nos engolir e engolir nossos filhos graças a nossa total alienação. Ou acordamos a tempo ou a cultura do engano e da mentira nos dominará.
Via Arte e Maternidade












