Global Village*
Por Pamella Indaiá
“Por que fazer um voluntariado em outro país se aqui no Brasil há tantos que precisam?”.
Escutei bastante essa pergunta antes da viagem – e até depois. A minha resposta é: “E por que eu não faria?”.
Há quem diga que ‘devemos fazer o bem, sem olhar a quem’. Dessa forma, o impacto positivo que se pode gerar aqui ou em qualquer outra parte do mundo é o mesmo – ou não?
Diversas vezes falei sobre isso. É provável que se houvesse mais abertura para o que é novo e diferente, o mundo seria feito de seres humanos mais compreensíveis, o que evitaria uma série de problemas e conflitos.
Acredito que por meio da difusão de culturas, do conhecimento e da educação podemos formar uma nova realidade. Ao escolher fazer um intercâmbio voluntário, voltado para essas áreas, eu busquei contribuir com alguma mudança nesse mundão louco – ainda que fosse de uma maneira mínima.
Durante uma semana do projeto, as aulas que tínhamos nas escolas foram para justamente unir as apresentações que já vínhamos fazendo com o que tivéssemos de mais tangível sobre nossos países, o que chamamos de “Global Village” – a feira cultural da AIESEC que acontece em diversas partes do mundo.
Com um mapa enorme do Brasil, revistas, fotos de lugares turísticos e comidas típicas, um mini Cristo Redentor, entre outras coisas, montei a minha exposição sobre o Brasil. Os meus companheiros de trabalho e intercambistas também fizeram o mesmo. A ideia era poder aproximar diferenças e similaridades, proporcionar um mergulho em novas culturas, de maneira mais dinâmica.
Ao passar em cada stand os estudantes podiam falar sobre as suas curiosidades, tirar dúvidas ou apenas conversar. Lembro que um garoto me perguntou a altura do Cristo Redentor. “Sim, isso mesmo, quantos metros tem a obra?”, disse. Fiquei boba com a pergunta. Era sempre embaraçoso quando eles queriam saber algo que não sabia – as crianças não se contentam com qualquer resposta. Também havia uma necessidade de saber o que temos de parecido, como, por exemplo, as festas, se aqui montamos árvore de natal e coisas do tipo.
Lá eu conheci uma pequena aluna brasileira. Ela se mudou para Tandil com os pais e teve que se adaptar a nova realidade. Aprendeu o espanhol já no país, e para isso, teve a ajuda de uma amiga da escola. A garota argentina, por outro lado, acabou aprendendo também português e diz que agora tem muita vontade de conhecer o Brasil.
Passamos por algumas situações em que tivemos que explicar e gerar debates sobre as diferenças, como no caso das ‘tribos’ de jovens, que existem em todas as partes. Falar sobre tolerância, respeito ao próximo, coisas que fazem parte do cotidiano e, ainda sim, poucas vezes são abordadas.
Depois de tudo disso, fica a questão: E se o mundo fosse uma vila global?
Publicado originalmente em Agência Social, no dia 12 de março de 2013.








