aposentos de siobhan com @fromodins
os artelhos se moviam pelo pano macio ao passo que os cachos grossos caíam sobre os ombros ao ajeitar a peça em seu corpo. um bico se formava no núcleo dos lábios ao analisar o corpo em frente ao espelho. siobhan não se categorizava como alguém alheia aos próprios atributos, o rosto e o corpo ornavam para a formação de uma figura até então atrativa; era uma constatação prática, sem o brilho expeço de uma vaidade excessiva. deixou escapar um suspiro ao deslizar os dedos sobre a gola da vestimenta, a textura do tecido refrescante contra a pele quente do pescoço ao passo que alcançava o olhar de freyja pelo espelho. — não sei se gosto disso. o que você acha? — ela inclinou o rosto, buscando outro ângulo, como se a mudança de perspectiva pudesse suavizar aquela sensação de desalinho. era a primeira vez em tempos que se prestava àquela tarefa, até então, as roupas que já não queria simplesmente desapareciam de suas vistas como a poeira varrida de um cômodo limpo. nem mesmo sabia nomear a razão por qual pensou em fazer isso por si só, fosse por benevolência ou por tédio, era frívolo e consequentemente inútil de dizer. a verdade é que ela preferia estar em outro lugar (vagando pelos corredores do castelo, em exemplo), mas a neve gelada certamente transformaria o passeio em uma tortura: o nariz ainda trazia o tom avermelhado que denunciava o tempo maior que havia insistido em ficar do lado de fora, antes de praguejar pelo clima em voz baixa. por sorte tinha freyja junto dela, a companhia da mulher era como um calor reconfortante, tanto que fizera uma nota mental de não incluir nenhum aspecto acadêmico naquele encontro. — você já conviveu muito com a neve? confesso que prefiro as estações mais quentes. é tudo tão escuro e mórbido no inverno — aeragon não era tola ao ponto de pensar que tal clima era insólito dado ao enfraquecimento dos khajols, e embora o altar em seu quarto não estivesse abandonado, sentia algo ruim ao olhá-lo por muito tempo, mas não seria ela a dar voz ao que poderia assombrar a própria mente.














