O primeiro terror noturno aconteceu meses atrás, o corpo envolvido em lençóis molhados e pegajosos de suor. A cena de tragédia com travesseiros esparramados e roupa enrolada ao redor dos pulsos e tornozelos. Sentia-se preso, confinado. Querendo escapar de um lugar que não existia, não tinha paredes fechando seu movimento no espaçoso quarto. E o pior... O pior nem era a visão, mas a sensação de ausência. De estar verdadeiramente sozinho no mundo, sem ninguém para estender a mão. O que é um tremendo absurdo. Família, amigos, aliados e conhecidos; a vida de Salih era cheia. E, mesmo assim, escondia-se em eventos e em silêncio, segundos antes do terror o dominar de novo. E de novo. E mais uma vez. O príncipe sentiu o primeiro aviso enquanto se encaminhava para a piscina, feliz da vida pelo momento de lazer quebrado com a cobra venenosa torcendo em suas entranhas. Buscou um lugar, qualquer lugar, com porta para se esconder e, dentro da sala, procurar mais um nicho no intuito de desaparecer para o mundo. O peito agitava, a respiração tão superficial que nem fazia diferença e a visão turvando-se, negra, ao ataque de pânico em toda sua força.
@jessaminec










