76º de Vencendo Barreiras 2ª Temporada
Narradora
O tempo que passou não foi nada fácil. Alice percorreu sua gravidez inteira sob o medo eminente de ter sua filha arrancada de seus braços depois que nascesse. Todos esses meses foram complicados para mãe e filha, já que Alice sofria com dores e com sangramentos, tinha dias que nem vontade de levantar da cama ela tinha.
Era raro ver um sorriso em seus lábios depois de tanta coisa, mesmo odiando o pai por tudo que ele estava fazendo-a passar, ela sentia sua falta todos os dias. Quando foi chamada na diretoria do colégio e informada que sua mensalidade não havia sido paga ela se viu de novo sem chão, a partir daí as coisas pioraram radicalmente, pois além de estudar, aguentar uma gravidez, comprar as coisas da filha e lidar com o assédio constante da imprensa ela teve que achar tempo para poder trabalhar para pagar seus estudos. Quem arcava com as despesas da filha era Pedro, que mesmo com o apoio da família também passou a trabalhar e conseguiu alugar um apartamento para ele, Alice e a filha.
Ao completar nove messes de gestação Alice deixou de frequentar a escola e o trabalho por ordens médicas e também depois de algumas brigas com Pedro.
Alice Narrando
Sentada em uma cadeira na sacada do nosso apartamento e vendo a vida passar lá fora. Era assim que eu passava dia após dia depois de completar nove messes, com o medo constante de perder minha filha eu tinha apenas momentos de paz e felicidade quando sentia ela se remexer em meu ventre, o que não estava acontecendo hoje.
Narradora
Era noite, ou melhor madrugada, Pedro chegara em casa e encontrara a namorada esparramada no sofá com as mãos no ventre. Ele sorriu, era assim que encontrava forças para seguir, na simplicidade dos atos e nas novas descobertas que a vida podia dar a um jovem casal como eles.
Ele dormia profundamente, quando Alice acordou com um leve desconforto, mudou de posição várias vezes, porém nada adiantava então resolveu levantar. Saiu do quarto, foi ao banheiro e enfim entrou na cozinha, sempre com as mãos sobre o ventre. Bebericou aos poucos um copo de água, enquanto encarava a lua que era a única fonte de luz na pequena cozinha. Já voltava para o quarto quando uma dor extrema lhe atingiu o ventre, ela curvou o corpo com o susto, a pontada foi embora, deixando uma cólica terrível que lhe tirava o ar.
Voltou ao quarto, deitar só piorava então resolveu sentar-se na poltrona que ficava em frente a cama de casal. Não queria acordar Pedro, mas com o movimento do quarto e o estrondoso barulho que fez quando um porta retrato caiu, ele acabou acordando e se assustou com a careta que ela sustentava no rosto.
Pedro: Meu amor o que houve?
Alice: Apenas uma cólica, fique tranquilo. - Ela respirava fundo por culpa da dor e isso era muito para Pedro, afinal poderia estar acontecendo algo com sua filha.












