Deitado na cama, contemplando o branco infinito do teto, mergulho em lembranças. Lembro-me de um sofá pequeno, onde segurava uma carteira de motorista nas mãos, ouvindo batidas sincronizadas, como se o próprio coração do tempo sussurrasse nos meus ouvidos, intensificando a cada giro de meus dedos na bendita carteira.
O calor queimava como uma chama invisível, o suor descia em rios silenciosos, e a respiração se misturava à umidade do ar. Do lado de fora, chovia como chove agora, uma sinfonia de gotas ritmadas que ecoava o que eu sentia por dentro. Às seis, partimos; às dezesseis, eu ainda sorria, com um rastro de felicidade desenhado no rosto.
Voltei ao meu quarto. Voltei ao meu dia cansativo, carregando um sorriso congelado, uma máscara de “alegria”.
E, paradoxalmente, o branco do teto e das paredes, vasto e vazio, me traz as mais coloridas lembranças, como se cada recanto daquela paleta pálida revelasse matizes de momentos vividos, tingidos de nostalgia.












