whoseisthisvoiceinsidemyhead replied to your post: You have no idea, shit is gonna go dow...
What is happening sorry for being annoying but please explaaaaaain
Ora essa, de todo!
Muito sumariamente, eis o que se passou: a minha faculdade, a FCSH, é declaradamente anti-praxe enquanto instituição, ou seja, não se mistura, mas também não impede nada de decorrer. Acontece que os professores são todos anti, e a maioria adora mandar bocas durante as aulas (tive sorte com os meus de história da arte que por acaso nunca o fizeram, salvo uma e foi bastante correcta).
Esta semana, uma professora do departamento de história, bastante conhecida por ser uma vaca, teve a infeliz ideia de escrever um texto que pretendia que fosse contra a praxe e publicar no Facebook. Acontece que o texto foi apenas uma desculpa para mascarar o elitismo dela. Nele disse que a praxe era uma coisa à qual os meninos dos subúrbios e das franjas de Lisboa, ou fora de Lisboa, é que aderiam, porque vinham de uma classe não intelectual e que provavelmente até eram os primeiros da família a licenciarem-se. E era por causa do grau baixo de onde vinham que aderiam às praxes, para se sentirem importantes. Pois por oposição, os meninos das 'elites' (e ela usa tanto esta palavra que dá para fazer um drinking game) não se envolviam nisso: porque vinham de grupos intelectuais, de elites com cultura.. Chega ao ponto de defender uma aluna conhecida como sendo militante do PCP que está há cinco anos a fazer o curso e ainda não o terminou (porque está sempre 'na luta') e que é tão comunista rica que vive nos prédios mais caros de Lisboa (acima do famoso café O Fábulas) e referiu-se a outro colega seu dizendo que 'devia lavar a boca sempre que falasse dela' pois ela vinha de uma 'elite intelectual' aparentemente muito superior, o que provavelmente quer dizer que a família fumava cachimbos na sala enquanto os camponeses do Alentejo cuidavam do bezerro que iam matar para o natal dos senhores.
Obviamente isto criou o caos, mas nem foi por a questão das praxes ter sido metida à mistura, mas porque esta mulher - que para mim, está aqui razões suficientes para ser posta no olho da rua - se sentiu na liberdade de expressar o quanto não gosta que as pessoas 'pobres' e dos subúrbios tenham acesso à universidade (daí que um grupo de pessoas tenha começado a gozar e a criar o hashtag no facebook SomosTodosSuburbanos lol). Vai daí, alguém teve a infeliz ideia de criar um debate público sobre a praxe.
Agora, um debate público sobre a praxe pressupõe que sejam um número igual de convidados quer a favor, quer contra. Pois aqui vai: a favor: um gajo de Ciência Polítca e Relações Internacionais; contra: uma professora de Antropologia, um aluno activista contra as praxes (como se não houvesse activismo mais necessário no mundo) e o realizador daquele filme Praxis (que toda a gente sabe que é contra porque todos vimos os prós e contras).
E entretanto, deixo algumas pérolas do que esta "professora de renome" fez questão de dizer:
Estes padrinhos e madrinhas - haverá uma ou outra excepção, claro - nunca são alunos de excelência, a maioria é de fora de Lisboa ou dos arredores da capital e pertencem cultural e economicamente às franjas mais desfavorecidas da sociedade - habitualmente são os primeiros da família a frequentar uma universidade.
Curiosamente, os filhos família, as "elites" que apoiam, claro, estes movimentos, não só não trajam como não se misturam... Não, que aquilo é para os suburbanos, coitaditos... E os coitaditos lá vão andando, convencidos que pertencem a qualquer coisa de especial... E especial é, atenção, pois os padrinhos e madrinhas dirigentes, em cada Faculdade, têm ligações exteriores a movimentos que controlando a "carneirada" a médio prazo controlam o país....
Isto é aquilo a que uma professora se sente no direito de dizer. Curiosamente, um colega ex-aluno de História abordou vários professores acerca da questão. Apenas 2 se manifestaram prontamente contra este comportamento, um disse que não tinha nada a ver mas não concordava. O resto, nem um pio. Silêncio é opressão, costumo eu dizer-