160
Me sinto suja, errada
Se não escrevo com o coração
Se a sensação é inventada
Um pacto com a ilusão.
Não vejo nenhuma razão
Pra me fazer triste ou amada
Nunca foi minha intenção...
Não quero escrever mais nada!
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160
Me sinto suja, errada
Se não escrevo com o coração
Se a sensação é inventada
Um pacto com a ilusão.
Não vejo nenhuma razão
Pra me fazer triste ou amada
Nunca foi minha intenção...
Não quero escrever mais nada!
159
Abriram a jaula,
A fera está solta!
Ela está faminta,
Com raiva,
Está louca!
Deram tantos calmantes,
Já não fazem efeito
E agora, bem feito
A sorte é outra.
158
Impessoal é o que eu comi no café
E literal é o meu convite pra surtar
Nem sei mais qual é o caminho para ir
Não vejo mal em me perder sem te encontrar...
Eu viajei e demorei, estava a pé
Coisas eu vi e refleti no meu querer
Houve momentos pra chorar e outros sorrir
Eu floresci, já era tempo de viver.
157
Venha, me tire da monotonia
Da sorte que em mim não cabia
Me tire de todo esse tédio...
Remédio é ser imprevisível
Que torna-se um combustível
Eu sei que isso é possível
Faíscas de acaso e assédio.
156
Estou usando roupas que nunca uso
Fantasiada de alguém que não sou
E embora tudo pareça confuso
Eu refaço tudo com o que restou.
155
Fé em Deus, Fé nos homens
Fé no amor, Fé na esperança...
Eu vejo um circo de gente fraca
Independente como criança.
O que fazer? Como falar?
Tudo que buscam não faz sentido,
Quando morrer vão acabar
Passando a vida sem ter vivido.
154
Hoje estamos sozinhos
No seu medo sinto o calor
O jogo é justo e você é sujo
O meu prazer será a sua dor.
153
Eu nunca quis ser a garota que escreve coisas clichês
Sobre o que inevitavelmente você passará um dia,
Mas preciso escrever o que sinto,
Assim como preciso respirar...
Os dias passam devagar quando estamos com pressa
E as horas voam como segundos, em todo sábado à noite
Parece injusto, esse lance do tempo
É algo sujo, não da pra acostumar...
Eu vivi por anos, só nesta semana
E algo me fez parar, me fez ser a dona do nada
Você conseguiu me limpar, jogando álcool na ferida exposta
Então gritei feliz, porque eu pude me lembrar...
É sábado à noite.
152
Apenas quero que saiba Que gosto das cores que usa Quando pinta minha voz Quando estou dando risada... Faz o som virar cor Faz a cor virar tom Faz da música da alegria Poesia de som...
Apenas quero que saiba.
151
Mate-me de dor
Mas não me mate de tédio
Eu quero é sabor, não remédio
Que só os acomodados conseguem tomar...
Sinta-me o calor
E me prenda com sua vontade
A carne que tire o pudor com a verdade
Tão melhor ser honesto no fogo
Do que fingir me amar.
150
Fez do amor um céu inteiro
E fez da dor um nevoeiro
E fez do seu sorriso o sol...
Para sorrir, jurou sem dó
Que quando tudo misturar
Vai de arco-íris transbordar,
E ser feliz mesmo tão só!
149
Use palavras difíceis para que eu não entenda
As merdas que saem da sua boca
Quando diz o que pensa mas não diz o que quer
Quando fala e se sente o dono da verdade...
Fale em outro idioma para que eu te ignore
E não sinta mais pena, e não sinta mais nada,
E que assim colabore com o meu poema
Sobre ver que você é bonito calado.
148
Poderia escrever sobre tudo
Sobre sentimentos ou objetos
Contar histórias ou inventá-las
Ou expor desejos secretos...
Na verdade, realmente posso
Mas sendo sincera, não quero
O meu ego escreve o que gosto
O que sinto, o que há de concreto.
Então desabafo nos versos
Tudo o que toma os pensamentos
Pode ser sentimentos, objetos
Histórias ou realmente o que penso.
147
Não há motivos para protestar
Tudo está exposto no ar
Onde é necessário respirar ou morrer...
E não é assim que as coisas devem ser?!
Enquanto o véu que cobre os segredos
Te camufla de todos os medos
Te faz mais triste, mas te faz mais forte...
Insensata e oportuna sorte
Que muda o rumo de todo enredo.
146
Escrevi poesia no fundo dos olhos
Cantei minhas rimas, chorei os meus versos,
É tanta alegria que não cabe em sonhos
Voltar e ser velha, mas sem retrocessos.
145
Esse poema é sobre o seu sorriso
Ele não rima, mas é tão lindo
O sorriso, não o poema
O sorriso, não o que escrevo...
Eu só sei escrever e sofro
Por não poder pintar os seus lábios
Por não poder pintar nosso beijo
E aquela árvore em que dançamos...
Esse poema é sobre o sorriso
Que não vira desenho, me vira do avesso...
O sorriso, não o poema
Você, não o que desenho.
144
Eu quero todas as minhas canções
Juntas numa só melodia,
Amor, tragédia, ilusão
Tristeza, calma, alegria.
Eu quero beber no cálice do medo
Comer do pão da coragem querida
Ter tudo em um todo na minha canção
E compor a completa essência da vida.