Ah, negão!
A hipersexualização do homem negro no meio LGBT+ é algo que existe há muito tempo e é extremamente nojento. Afinal, tem algo melhor que aquele “cafuçu”? Imagina aquele negão na sua cama? Os negros têm paus enormes e são tão quentes na cama, menina. E mais uma vez, nós negros somos apenas objetos para os prazeres imundos de mais um nicho ao qual só nos nota com objetivo de saciar-se.
Outro dia, eu escrevi sobre a solidão do preto gay e hoje, estou aqui escrevendo sobre o fato de sermos hipersexualizados. Parece até meio contraditório, não é? Infelizmente não é. Nós homens negros não “servimos” para relacionamentos sérios, mas para ser fetiche de branco, nós caímos feito uma luva. Se você pesquisar “black man” na aba do Google a maioria dos resultados vão ser voltados para sites pornográficos, onde a maioria dos vídeos e fotos são de negros fortes, viris, “machos” e de pênis grande. É assim que todos nos vêem. Nós somos pênis ambulantes. Nós somos apenas mais um pedaço de carne barata que serve pra tapear e saciar o estomago refinado de gays fetichistas.
Não basta sofrermos da solidão por não estarmos diante dos padrões do mundinho GGGG, nós ainda temos que lidar com estereótipos criados que só servem para nos rejeitar, objetivar e ressaltar o quanto pessoas negras tem apenas a obrigação de servir os prazeres de brancos. Não é nada positivo ou empoderador ser apenas fetiche ou o “sonho de consumo” de alguém. Pessoas brancas acham que estão fazendo um favor ao compartilhar a foto de homens negros, mas queridos, vocês estão sendo racistas e propagando essa objetificação que pessoas negras sofrem.
E nessa ida e vinda, eu sei que vai ter gente dizendo que: “Se não posta foto de negro, vocês reclamam. Se posta foto, vocês reclamam”. Entretanto, não é disso que se trata e vocês sabem disso. Vocês acham que estão desconstruindo padrões por se masturbarem com fotos de negros e ainda por cima se vangloriam na rodinha de amigos por ter transado com um negro, mas sabemos que no fundo, vocês só têm interesse em nosso corpo. Afinal, o corpo negro é popular, mas nós não.
Estamos em todos os lugares, mas continuamos invisíveis. É tão cômico isso. Nossa cultura está sendo apropriada e utilizada como moda, nosso corpo é sexualizado, as taxas de homicídios têm cor, idade e classe social, sofremos racismo a partir do momento que colocamos nossos pés na porta de casa e mesmo assim continuamos invisíveis. Somos expulsos de escolas e faculdades, somos seguidos em lojas, parados por policiais e ainda assim, nós não existimos aos olhos da sociedade. Eu só existo para a porra duma punheta. Eu só existo para ser a comida exótica da semana.
E é nesse ponto que quero chegar e alertar vocês. Não é revolucionário sexualizar nosso corpo. É problemático, é doentio e nojento. Parem de dar atenção apenas ao nosso corpo e ouçam nossas dores, angustias e dilemas. Somos mais que um pedaço de carne barata para o gosto “refinado” de vocês. Somos pessoas.
A todos pretos que se sentiram contemplados com o texto eu desejo força e muita paciência nessa caminhada. É difícil ser gay e negro, porém com a cabeça erguida, nós vamos longe. Muito axé para nós!











