"AAAAAAAAA
É um grito em meio a multidão
Um grito pretendido
Mas não gritado
Um grito
É curioso como há momentos em que as pessoas aparecem simultaneamente
E enchem sua vida de presença
E te enchem de algo bom, como o reconhecimento
Não de uma qualidade, mas de sua mera existência
E as vezes há o vazio
O vazio preenchido por tantas coisas que parece irônico ser chamado de vazio
E essas coisas, cujo nome não as darei, te sufocam internamente
Como um balão antes murcho e que aos poucos infla e ocupa um volume que apesar de estimado é sempre inesperado
Eu não posso gritar
Mas não estou triste, ou zangada, nem nada que eu possa definir
É só um momento
Um momento em que o balão infla de repente e me invade
E me faz querer gritar
Mas eu não grito
Porque há uma multidão
Que mesmo sem se fazer presente está ali
Uma multidão de seres julgadores
Que cômico
Julgam agora e reclamam de serem julgados depois
Por que não se pode gritar?
As pessoas não percebem que o ar precisa ir pra algum lugar?
Não grito
Eu escrevo
E nesse momento penso que meu balão nunca poderá voar como os outros
Não há ar nele
Só palavras
Palavras mal ditas, palavras nem ditas, palavras
Mas há ar nas palavras
Há ar
E se eu não posso gritar
O que eu faço?"
-Valgreeneando



















