temos tudo que precisamos, nós mesmos
todos nós procuramos muitas respostas de muitas perguntas em muitas coisas. relacionamentos, empregos, romances de longas páginas, páginas de longas teorias. há pessoas que se drogam para descobrir as respostas em outras realidades, há aquelas que precisarão sentir certeza sobre suas perguntas olhando o nascer do sol e há as que machucarão os próprios ouvidos de tanto ouvir música em volume alto. elas irão mesmo aumentar o volume de qualquer música, o volume de qualquer coisa, qualquer mísera coisa que irá lhes falar um pouco sobre si mesmos. há quem jogue búzios, pergunte aos orixás, faça regressão ao passado no centro espírita, pague cartomantes, estude o mapa astral, decore todos os odus. há quem faça coisas que jamais faria para tentar descobrir se não está, apenas, no lugar errado. há quem mutile e corte fora pedaços da alma para se enquadrar e finalmente se definir por completo.
querendo ou não, fazemos de tudo, pensamos de tudo, provamos e reprovamos em tudo para sabermos: quem somos nós?
creio eu que descobrir quem somos de fato não esteja relacionado à coisas de fora, é tudo de dentro. é uma questão de se escutar, se conhecer, se ter dentro do seu próprio espírito e coração. se abraçar todas as manhãs - colocas os braços sobre seus ombros e apertar forte. quando descobrirmos quem somos, não estaremos completos. sempre teremos algo para descobrir. somos consequências. é como uma correnteza: vai fluindo, fluindo, fluindo, nunca para, nem quando morremos. o que você está colocando nessa correnteza? você está deixando a água fluir como deve?
estamos o tempo inteiro tentando entreter os outros. com filosofias, piadas, passeios, materiais. mas deveríamos entreter a nós mesmos. até em silêncio. devíamos beijar nossa própria alma. nossa mudança não é feita para os outros verem, é feita para nós sentirmos.
pensamos, pensamos, rotulamos, pensamos, quando o necessário era apenas sentir e pensar em comunhão e de alma lavada. não ter medo e vergonha do que se passa pela nossa mente e coração.
se tivermos vergonha de nós mesmos, criaremos uma besta dentro de nós e a atiraremos em um calabouço escuro - quando ela escapar, fará estrago. se, entretanto, cultivarmos nossas coragens e incertezas com água fresca, será como fazer amizade com um lobo, uma pantera, uma águia, um urso, ou um leão: nós o deixaremos soltos na natureza e eles, em gratidão, nos ensinarão a beleza da selvageria.
se estivermos em paz e na selva, não há o que temer. não há ansiedade que nos amargure, solidão que nos abale, negatividade que nos domine.
temos cor, gênero, classe, sexualidade, mas espiritualidade não tem a ver com a carne, e se nos esforçarmos, não terá nem a ver com a sociedade. não devemos nos conhecer para saber em que grupo entrar. devemos nos conhecer para sairmos desse plano mais evoluídos e plenos do que quando chegamos. nossa energia vital e nossa inteligência não devem ser desvalorizadas nunca.
e tendo tudo isso em mente, com clareza, entenderemos o que Osho, que acreditava na criança interior, queria dizer quando alegava que não devemos optar pelo honroso, pelo certo, pelo nobre, pelo aplaudível... devemos optar por aquilo que faça nosso coração vibrar.