"Eu não sou o que eu deveria ser - ah, quão imperfeito e deficiente! Eu não sou o que eu desejo ser - eu abomino o que é mau, e gostaria de me unir àquilo que é bom. Eu não sou o que eu espero ser - logo, logo eu lançarei fora a mortalidade, e com a mortalidade todo pecado e imperfeição! Embora eu não seja o que eu deveria ser, o que eu desejo ser, e o que eu espero ser - ainda posso verdadeiramente dizer que eu não sou o que eu fui uma vez - um escravo do pecado e de Satanás! Posso me unir de coração com o apóstolo e reconhecer: Pela graça de Deus, eu sou o que eu sou!" - John Newton Poliana, 22 anos, membro da PIB - NS. Aqui compartilho com você artigos, trechos de livros, vídeos e hinos que me edificaram, me consolaram, me repreenderam, me humilharam, me fizeram crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que o Senhor Se agrade em usar este blog para abençoar você. A Deus toda a glória!
É, 2015 já está indo embora. E eu gostaria de olhar para trás e dizer que este ano foi muito produtivo para mim. Cheio de conquistas e objetivos alcançados.
Eu gostaria. Mas eu não posso. Porque não é verdade. (Pelo menos não do meu ponto de vista)
A verdade é que eu passei boa parte do meu tempo diante de uma tela de computador. Checando meu e-mail várias vezes por dia, vasculhando o instagram dos outros, verificando se a Fabs (minha blogueira favorita) voltou a postar, e se a Flavia Calina enviou um vídeo novo. Nem mesmo ler a Bíblia toda eu consegui este ano porque eu permiti, estupidamente, que livros cristãos tomassem o lugar da Palavra de Deus. Arghh!
Eu sei, eu sei. Um absurdo.
A boa notícia é que eu não preciso ter medo de admitir meus fracassos e escolhas tolas, eu posso tirar minha máscara e ser verdadeira, eu posso admitir minhas falhas livremente porque a minha identidade e meu valor não se baseiam em minhas realizações, na minha sabedoria em remir o tempo, em minhas posses ou posição. Se baseiam em Cristo somente, na Sua obra consumada em meu favor.
Mas eu desejo que 2016 seja diferente. Desejo que seja um ano mais real e menos virtual. Desejo viver uma vida mais off. Passar mais tempo com Ele e em Sua Palavra, com minha família e amigos. E para isso, vou dar uma pausa aqui no blog. Não sei por quanto tempo, mas peço que ore por mim. Ore para que eu conheça e experimente de maneira mais profunda a Sua graça e Seu amor. Ore para que eu cresça no temor do Senhor. Ore para que meu único desejo seja viver para a glória do Seu Nome.
“...Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” (1 Coríntios 2:2)
Se você é como eu, no final de dezembro ou início de janeiro, começo a pensar no ano novo e a escrever resoluções. Às vezes nós escrevemos uma longa lista de metas; em outros anos, é mais curta. Pode ser simplesmente um tema ou uma frase que gostaríamos que definisse o ano. Nós nos sentamos e pensamos sobre as maneiras em que queremos crescer. Planejamos e fazemos listas: listas de livros, lista de pessoas pelas quais orar, listas de objetivos que queremos alcançar. Em alguns anos, ficamos esgotadas. Revisamos nossas resoluções do ano passado e nos damos conta de que não crescemos da maneira que queríamos. E nos perguntamos se vale a pena escrever mais resoluções para o próximo ano.
Eu não sei onde você está este ano, mas se há algo que podemos ganhar nesse ano, que seja o próprio Cristo. Que se crescermos da maneira em que queremos crescer, somente nos gloriemos em Cristo. Gálatas 6:14 nos diz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo." É tão fácil nos gloriarmos em nossas realizações. Apesar de sabermos que fomos salvas pela graça, de alguma forma acreditamos que as nossas vitórias na vida cristã tem a ver com o quanto estamos comprometidas, o quanto lutamos incansavelmente contra o pecado, o quanto ardentemente buscamos a Deus.
Queremos ser identificadas pelo nosso êxito, não pelo de Cristo. No entanto, como disse Paulo, que nunca aconteça de nos gloriarmos em outra coisa a não ser na cruz de Cristo. Cristo ganhou a vitória sobre o nosso pecado. Porque Cristo morreu, estamos mortas para o pecado e ele já não nos domina. Cristo é a nossa vitória. E a nossa obediência não é a nossa justiça. Nossa obediência não é a forma como Deus nos vê e nos aceita.
A justiça e o sangue de Jesus são nossa única beleza, nossa única glória. Porque a minha única glória é a cruz de Cristo, quando eu falho em amá-Lo como eu gostaria, quando o acusador sussurra condenação em meu ouvido pela minha desobediência ao dar lugar a tentação, tenho um Mediador entre Deus e eu. Como diz o hino, "Ante o trono celestial. Ele intercede hoje por mim. Sumo sacerdote de amor. Quem vive a suplicar por mim." Sem importar o quanto falhemos em viver conforme o padrão (tendo por certo que falharemos em viver de acordo com o Seu padrão!) Nós sempre seremos Seus amados (Ef. 5:1b), sempre estaremos em Cristo Jesus (Rom. 8:1), e sempre, sempre sustentadas pela graça (Rom. 5:2).
Irmã, se você vai fazer uma resolução, que seja não conhecer nada além de Cristo e este crucificado. Que tudo o que você experimentar este ano seja um meio para levá-la a um conhecimento mais profundo do imenso amor de Jesus e o quão bem-vinda você é à Sua presença.
Esse artigo foi publicado em Aviva Nuestros Corazones, e re-publicado aqui com permissão do site.
“3 coisas para dizer a si mesmo quando os outros prosperam enquanto você sofre” - por Jeane Harrison
Você já reparou que o sofrimento nos faz mais atentos às bênçãos dos outros? É a mulher que se recupera de um aborto espontâneo a primeira a notar as gestantes no supermercado. É o funcionário demitido que sente que cada amigo do Facebook está comemorando uma carreira de sucesso. A mãe solteira e que tem muitas responsabilidades é quem observa os maridos entrando com os carregadores de bebês na igreja.
Houve um tempo em minha vida que parecia que Deus dizia "não" a cada pedido que eu fazia.
Eu guardava os "nãos" em meu coração como uma velha com uma casa cheia de gatos, trazendo diariamente minhas queixas diante de Deus. Finalmente, do nada, recebi uma bênção inesperada. Foi uma coisa muito pequena, por isso que alguns meses depois, meu marido não conseguia entender por que eu fiquei tão mal. Enquanto nós cozinhávamos na cozinha (bem, tecnicamente ele estava cozinhando e eu estava chorando em um banquinho), finalmente eu consegui conter as lágrimas “Senti como se fosse um sinal de que Deus ainda me amava.”
Nas semanas seguintes, Deus imprimiu três verdades em mim que me consolaram profundamente e mudaram radicalmente minha perspectiva . A primeira foi:
Eu não preciso de uma bênção de Deus para saber que Ele me ama. Eu só preciso olhar para a cruz para lembrar que Ele me ama.
Quando olhamos apenas para as circunstâncias de nossas vidas, muitas vezes parece que Deus tem seus favoritos. Como se Ele amasse a doce Susie Jane - com sua família feliz e vida fácil - mais do que Ele ama você e eu. Eu costumava me consolar pensando que um dia os problemas também chegariam na vida perfeita de Susie Jane. Mas pode ser que não. As pessoas realmente enfrentam diferentes graus de sofrimento enquanto elas estão na terra. E embora isso possa acontecer com Susie Jane alguma vez, é bíblico se alegrar com o sofrimento dela? E esperar que aconteça? Claro que não.
Ainda me lembro do dia em que Deus sussurrou estas palavras em negrito acima em meu coração. Imediatamente eu vi a cruz novamente. E assim eu tive a prova — PODEROSA prova — que Deus não havia me esquecido. Eu não precisava prová-Lo mais porque a prova já havia sido dada em um Monte há muito tempo, e com excelência.
Poucos meses depois, minha insegurança foi desafiada de novo quando uma doce amiga recebeu a bênção que eu desejava muito. Quando eu chorava a Deus em minha cama, quase pude escutá-Lo me dizendo com paixão: "Olhe para a cruz! Eu prometo a você que Eu te amo! Olhe para a cruz!" Sabe de uma coisa? Nem em mil anos eu trocaria esse momento íntimo e poderoso por uma bênção terrena fugaz. O que me leva à segunda lição:
Na economia de Deus, a bênção espiritual sempre supera a bênção terrena.
No livro alegórico "Pés como os da corça nos lugares altos", Grande-Medrosa embarca em uma jornada para os Lugares Altos. Quando ela já estava prestes a ir, o Pastor promete a ela "escolhi cuidadosamente para você as melhores e mais fortes guias." Grande-Medrosa fica horrorizada ao saber que as guias são Tristeza e Sofrimento. Mas mais tarde em sua jornada, quando o Pastor pergunta como se sente sobre elas, isso é o que ela diz:
“Nunca pensei que fosse possível Pastor, mas de alguma forma eu as amo... elas realmente querem me fazer chegar até os Lugares Altos, não só porque é o mandato que você deu a elas, mas também porque querem que uma covarde como eu chegue lá para ser mudada. Sabe Pastor, o que faz a grande diferença em meus sentimentos em relação a elas é que já não as olho com medo, mas como amigas que querem me ajudar.”
Isto é exatamente o que a passagem de Tiago 1: 2-4 quer que vejamos! Deus projetou o sofrimento para nos tornar mais semelhantes a Cristo. Por mais que deprecio encontrar tristeza e aflição em minha própria jornada, estas são as tutoras mais excelentes que eu poderia conhecer. E nada é mais encorajador do que olhar para trás e descobrir que por causa delas, eu já não sou a covarde que eu fui uma vez... ou a adolescente arrogante... ou a jovem adulta idólatra. Essa é a verdadeira bênção. Ser mais parecida com Jesus é mais valioso do que ter filhos ou ganhar prêmios ou encontrar um marido ... ou qualquer outra bênção terrena que poderíamos ter pedido.
A última parada em minha viagem para aceitar o sofrimento pessoal à luz da prosperidade de outras pessoas, foi João 21. Logo depois das profecias de Jesus sobre a futura morte de Pedro, Pedro olha para João e pergunta exatamente o que eu teria perguntado "Senhor, e quanto a ele?" (v. 21) Ao qual Jesus maravilhosamente responde, "Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa? Siga-me você." (v. 22)
Uau! E ai de mim! Se eu quero que ela receba a bênção que você queria, o que lhe importa? Se é minha vontade escrever a história da sua vida completamente diferente de como você queria que eu fizesse, o que lhe importa? Se é minha vontade dizer "Sim" a ela e "Não" a você, o que lhe importa? Siga-me você.
Amada crente, eu e você somos chamadas a uma só coisa: ao próprio Jesus. A amá-Lo o suficiente para seguí-Lo sem importar nada mais. Tal como Grande-Medrosa pôde ver no Vale da Humilhação "Bem nas profundezas do seu coração, ela só tinha um desejo ardente, não pelas coisas que o Pastor lhe tinha prometido, mas por Ele mesmo. Tudo o que queria era poder seguí-Lo para sempre".
Às vezes, só os vales e desertos podem nos ensinar isso.
Ainda me lembro do barulho que a cadeira fez quando ela se virou para mim. Lembro-me da urgência velada em sua voz quando ela me olhou com olhos suplicantes e perguntou: “Onde Ele está?”
Lembro-me da rouquidão de desespero em sua voz, e eu me lembro de sentir um momento de dúvida. Minha teologia simples e superficial não tinha resposta para um Deus que aparentemente não estava se fazendo presente.
Durante seis meses, minha amiga e colega de trabalho estava lutando contra um sentimento de apatia para com Deus. Ela clamou a Deus para fazê-la perseverar, para intervir, e para salvá-la da indiferença de seu coração. E por seis meses, eu tinha dito a ela a mesma coisa. Continue lendo sua Bíblia, continue orando, ele vai aparecer.
Mas naquele dia as palavras ficaram presas na minha garganta, capturadas pela dúvida e confusão. Eu realmente poderia prometer a ela que um dia Ele iria fazê-la sentir-se melhor? E em caso afirmativo, quando? É o nosso Deus realmente alguém que podemos coagir em se fazer presente?
Ela explicou com algo em sua voz que poderia ser confundido com raiva se não fosse a umidade em seus olhos: “Ele prometeu me fazer perseverar, mas Ele não está. Eu continuo orando e nada está mudando. Nada está acontecendo. E daí? Qual é a resposta? Suas promessas são mentiras, ou Ele não é real? Ou eu não sou sua? “
A grande diferença do Evangelho
Um das coisas a respeito do evangelho é, ao mesmo tempo em que nos livra do fardo doloroso das “obras de justiça”, não retira imediatamente a influência da visão de mundo que nos manteve no cativeiro por tanto tempo. Chegamos a Deus desesperados para aprender e crescer, mas com uma mente ainda conformada aos padrões que devem ser identificados e minados com as realidades do evangelho.
Este mundo está cheio de religiões e relacionamentos que irá treiná-lo a andar no caminho certo para que você não seja abandonado. “Faça certo, e eu vou apoiar você”. “Obedeça-me, e eu vou te abençoar com a minha presença”.
Este pensamento é a regra tácita de todos os relacionamentos: Cumpra com sua obrigação, e eu vou cumprir a minha. Mas no meio de tudo isso vem o sussurro da grande inversão do evangelho. Não é uma eliminação dos padrões estabelecidos, mas um novo caminho – o cumprimento de uma antiga regra para que uma nova lei pode ser dada.
Ele mantém todos os requisitos – todas as obrigações em nosso lugar – para que a bênção agora possa vir até nós sem que a nossa justiça seja a condição.
E esta nova forma tem realmente sido sempre o único caminho. É a resposta às orações cheias de fé dos reis de tempos antigos:
O Senhor nosso Deus seja conosco, como foi com nossos pais; não nos desampare, e não nos deixe. Inclinando a si o nosso coração, para andar em todos os seus caminhos, e para guardar os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos que ordenou a nossos pais. (1 Reis 8: 57-58)
Não é, “Deus, seja conosco porque nós temos obedecido você.” Não é, “Deus, seja conosco porque nós temos procurado por você.” Não é, “Deus, seja conosco porque nós não falhamos com você, traimos você, ou não ignoramos você. “
Em vez disso, a oração diz: “Deus, esteja conosco para que possamos obedecê-lo. Deus, esteja conosco para que possamos buscá-lo e amá-lo. Deus, esteja conosco para que possamos honrá-lo “.
Deus não nos deve a sua presença como uma recompensa pela nossa busca diligente dele. Então, muitas vezes, eu ainda me aproximo de Deus como se eu estivesse vivendo em um relacionamento de obras, como se estivesse ganhando a sua bênção com a minha obediência. “Se eu cumprir a minha parte, é melhor que Ele cumpra a sua!”
Mas aqui está a gloriosa verdade de que: a nossa busca é a prova de que Ele está próximo. Se eu faço “a minha parte”, é só porque Ele já fez a dele, e está trabalhando em mim para me capacitar para fazer a minha.
Um fruto estranho de Deus conosco
Então, qual é a resposta: Suas promessas são mentiras, ou Ele não é real? Ou eu não sou sua?
Aquele dia no escritório, a resposta à pergunta da minha amiga era clara. Ele está perseverando em você. Ele está lhe fazendo perseverar n’Ele. Qual seria a razão de você ainda estar orando? O fato de você ainda estar orando é uma prova de que Ele está respondendo às suas orações. Suas orações são a prova que Ele está trabalhando em você. Ele está aparecendo.
Agora, mais do que nunca, aquela conversa em nosso escritório ainda repercute em mim.
Eu pensei sobre isso recentemente, quando eu estava dirigindo para casa depois de um longo dia, e de repente toda a dor e confusão borbulhou na minha garganta e explodiu, e eu gritava a Deus, “Ajude-me! Por que você não está me ajudando?” E antes que o som desses gritos sequer tivesse evaporado do ar, eu podia ouvir a verdade ressoando em meio ao meu desespero: Ele está me ajudando! Se Ele tivesse me abandonado, então eu não estaria clamando a ele por ajuda agora.
E eu pensei sobre isso ontem, sentindo a frieza do meu coração e me perguntando, será que é esta a dor que se sente a cair? Com a desesperança assentada ao meu lado – e com o que restava da minha frágil fé – eu escrevi na página do meu diário as palavras, “Lute para mim.” E ao mesmo tempo em que as letras surgiam da minha caneta, eu podia ver a evidência em cada letra. Deus sussurrava suavemente: “Eu estou. Eu estou lutando por você. E eu estou ganhando. Por qual outra razão você está sentada aqui aos meus pés agora?”.
Às vezes perseverança não se parece uma brilhante e polida conformidade com os mandamentos de Deus. Às vezes, ela não se manifesta com alegria efervescente cada vez que você ouvir o seu nome. Às vezes a perseverança se parece com Jacó, lutando no escuro com um Deus que não podemos ver, apegando-se a Ele, recusando-se a soltá-lo, não importa o quão duro se torne.
Traduzido por Beatriz Rustiguel | Gentilmente cedido pelo blog Hermenêutica Particular | Original aqui
“Quem eu me esforço para perceber? O que Paris deveria nos ensinar” - por Amy Medina
Pelo menos 1000 civis foram mortos, 1300 mulheres e meninas estupradas, e 1600 mulheres e meninas sequestradas entre abril e setembro.
Uma esposa grávida é assassinada em casa durante uma invasão.
Uma mulher de 62 anos é assassinada em casa por seu namorado.
147 universitários são assassinados por terroristas.
41 pessoas são assassinadas por terroristas.
129 pessoas são assassinadas por terroristas.
Por que alguns são mais identificáveis que outros? Por que você imediatamente sabe a que pessoa ou lugar eu me refiro no caso de alguns, e não dos outros?
É por causa da mídia tendenciosa?
A área do mundo onde aquilo aconteceu?
Raça?
Porque alguns lugares são apenas perigosos e, assim, nós esperamos que coisas ruins aconteçam, mas outros chamam mais atenção dos noticiários porque são considerados “seguros”?
É porque todos nós podemos identificar Paris no mapa, mas não Líbano, Sudão do Sul ou Quênia? É porque podemos nos imaginar se escondendo de terroristas em uma casa de shows, mas não em um pântano sul-sudanês? É porque nós nos vemos como a esposa assassinada do pastor, mas não a namorada negra em Lancaster, Califórnia?
Provavelmente. E isso não é necessariamente ruim. Nós lamentamos mais profundamente quando a tragédia acontece mais perto de nós. Nós ficamos mais assustados quando podemos imaginar isso acontecendo conosco. O ataque em Garissa, Quênia, me afetou mais que o ataque em Paris, França, porque o Quênia fica do lado de onde vivo. O ataque ao shopping Westgate em Nairobi me assustou mais que o ataque em Beirute, Líbano, porque eu mesma estive naquele shopping. Assim, não seria justo para mim ficar irritada com você por se preocupar mais com Paris que Garissa porque te atinge mais de perto.
Mas… Apesar de todas as acusações (provavelmente) injustas de racismo ou preconceito que estão sendo lançadas por aí, épocas como esta são ótimas para examinar a alma. Não percamos a oportunidade de crescer.
Nós permitimos que somente a mídia nos diga pelo que orar? Nós separamos um tempo para procurar pessoas e lugares que talvez não estejam conseguindo a mesma atenção? Eu me senti constrangida a examinar com mais atenção as histórias esquecidas. Jesus procurou a prostituta, o publicano, a criança. Mesmo um pardal não cai sem que ele perceba. Quem eu me esforço para perceber?
Palavras de apoio e orações fluíram para o pastor americano cuja esposa grávida foi assassinada. Não há problema nisso. Ore por essa família. Mas permita que esse luto te lembre que muitos outros são assassinados, sem que ninguém perceba. Alguém foi atrás da família do homem que ontem atirou na namorada e, então, em si mesmo? Será que eles precisam de algum apoio e oração?
Ore por Paris. Mas permita que Paris lembre você de orar pelo Quênia, Líbano, Síria e Sudão do Sul. A tristeza e o terror que sentimos quando assistimos os relatos de Paris deveriam nos trazer mais empatia pelas milhões de pessoas que convivem com a ameaça de terrorismo todo dia.
Talvez um artigo que li explique melhor:
“O mundo ocidental está finalmente tendo um gostinho do medo constante que as pessoas de outras nações têm sofrido por gerações. Assim, solidariedade e compaixão pela França é algo bom.”
E, enquanto isso, não nos desesperemos, pois servimos ao Deus que tudo vê, e que nos ama o suficiente para não ficar apenas observando à distância.
Esse artigo foi originalmente publicado em Gil and Amy e re-publicado aqui com permissão do site Reforma21.org. Traduzido por Josaías Jr.
“Beleza, verdade e satisfação suprema” - por Aimee Byrd
Alguma vez você já sentiu uma profunda noção de sua insignificância? Você já teve um daqueles momentos em você se pergunta desesperadamente por que Deus permitiu-lhe continuar com as bênçãos e responsabilidades que Ele te deu? Você já pensou que talvez não seja capaz de prosseguir, que as pessoas que você ama merecem mais, e que Deus merece mais de uma testemunha do seu nome?
Jesus chamou isso de “pobres de espírito”. Meu pastor está pregando em Mateus e nós chegamos ao Sermão do Monte. Ontem, ele pregou sobre as três primeiras bem-aventuranças. Bem-aventurança realmente não é uma palavra que usamos em uma conversa normal. Nós usamos muito o termo abençoado, mas, geralmente, não da mesma maneira como Jesus o faz em seu sermão. Eu acho que é uma bênção ter uma família saudável e amar a Deus com tudo que ele me deu.
Essas bênçãos me sobrecarregam às vezes porque eu sou muito carente. Penso nas minhas queridas bênçãos, meus “próximos” mais próximos: minha família. Eu simplesmente não os amo tanto quanto eu gostaria: embora eu seja encorajada a reconhecer que Cristo me amou profundamente e que ele abençoa os meus esforços quando busco compartilhar esse amor com os outros, também sou ciente de que não consigo viver em conformidade com isso.
Esta é a maior bênção. Estamos todos no mesmo barco. Não alcançamos o padrão da justiça de Deus por nós mesmos e assim não amamos como deveríamos. Nós nem sequer apreciamos nossas bênçãos o suficiente. Subestimamos o que Deus nos dá. E ainda olhamos para nossas bênçãos buscando satisfação. O reconhecimento da nossa falência, aqui, é a maior bênção.
O mundo promove a autoestima. Autoestima não é uma bênção, é uma farsa. Meu pastor explicou que ser abençoado é ser ricamente satisfeito por conhecer o Rei. Estas bem-aventuranças, explicando a bênção suprema, nos mostram as marcas dos que são do reino de Deus. Autoestima promove a autoconfiança, a felicidade ocasional e a ilusão de controle. As três primeiras bem-aventuranças ensinam uma verdade posicional para aqueles que são necessitados, tristes e submissos.
Isso é um conforto. Quando eu estou triste, quando sinto minha depravação e me sinto inadequada, quando sinto o abismo entre minha fé e meus atos, quando desejo que eu fosse mais maleável para o que quer que Deus me ordenasse, sou abençoada por saber que alguém viveu uma vida que incorpora essas bem-aventuranças: Jesus Cristo. Meu pastor deixou claro que nós não entramos no reino porque cumprirmos essas coisas.
E, ainda assim, eu sou abençoada.
Pastor VanDelden garantiu-nos que entramos no reino por confiarmos no cidadão perfeito. “Eis o Rei em sua Palavra”. Precisamos do rei por sermos pobres de espírito. Nós amamos o Rei e, por isso, lamentamos tê-lo ofendido. Nos submetemos ao rei e, por isso, nos submetemos à Palavra de Deus em mansidão.
Não, eu não sou suficientemente pobre em espírito, eu não choro como eu deveria e tenho muito a crescer em mansidão. Nosso Rei Jesus viveu a vida de um homem que encarna esses atributos. Mas, como cidadãos do seu reino, vamos ser transformados à semelhança do nosso Rei. Estas bem-aventuranças descrevem como um cidadão do céu será reconhecido. E isso é bonito.
Compramos uma mensagem confusa da sociedade sobre a beleza verdadeira. Mas não há beleza sem verdade. Por enquanto, bonito é contemplar o Rei em sua Palavra. Bonito é viver de acordo com sua Palavra. Mas que bênção será contemplar a abençoada visão, quando veremos Cristo em sua glória revelada: a bênção suprema.
Sabe aqueles livros que você fica com vontade de sublinhar ou anotar quase tudo o que leu? O livro "As Doutrinas da Maravilhosa Graça" escrito por Michael Horton, é um deles. Eu separei algumas citações para compartilhar com vocês. Enjoy :)
"Não apenas caímos, somos caídos. Não apenas nos perdemos, somos perdidos."
"Você não pode separar a vontade de uma pessoa da sua natureza; e uma natureza que é oposta a Deus não pode e não irá tomar uma decisão por Deus."
"Quando respondemos em fé, estamos apenas estendendo a mão para algo que já foi executado por Deus. Nossa fé não nos faz merecer coisa alguma."
"A eleição é Deus fazendo por nós a decisão por Ele que nós nunca teríamos feito."
"Só quando sabemos que é Deus quem nos salva, não nós que nos salvamos com Sua ajuda, a adoração genuína pode conduzir a uma santidade e serviços genuínos."
"Ser justificado só pela graça, por causa de Cristo somente, só por meio da fé significa que somos declarados justos por causa do que Cristo fez, não porque aceitamos o que Cristo fez."
"Atualmente o mundo é muitas vezes mais profundo que a igreja. Frequentemente ouve-se pagãos honestos fazendo perguntas realmente boas: Qual é o significado da vida? A vida tem um propósito? Enquanto isso parece que nós, evangélicos, estamos fazendo as perguntas mais triviais: Dançar é pecado? Deveríamos imergir, respingar ou derramar? Jesus está realmente voltando em novembro?"
"O propósito de nossa criação é o prazer de Deus. Não é para nossa felicidade ou prazer que existimos, mas para Deus."
"Não podemos merecer o favor de Deus e ele não se impressiona nem com as nossas melhores tentativas. É como tentar sair de um buraco de areia: quanto mais escalamos e lutamos, mais nos aprofundamos."
"Se Deus me salva sem as minhas obras, então ele deve me escolher à parte delas também."
"A salvação é só pela graça, por meio da fé apenas. Deus não no dá a graça para nos salvarmos com a sua ajuda. Ele nos declara justos no momento em que desistimos de nossas próprias reivindicações de justiça e de nossas próprias lutas pela aprovação divina, reconhecendo a suficiência da justiça de Cristo como nossa própria."
"Nos dias de hoje, estamos tentando reconciliar Deus à humanidade em vez de reconciliar a humanidade a Deus. Nossos convertidos são fracos porque dependem de sua própria vontade e habilidade para confiarem e continuarem em sua jornada. Sua fé é fraca porque estão constantemente olhando para si mesmos. Deus se agrada com os escolhidos porque se agrada com o Amado em quem os escolheu, mas esta ênfase está perdida hoje."
"Quando Deus se prepara para iniciar a salvação de uma pessoa, ele inevitavelmente a conclui!"
"A mesma Palavra que nos criou, veio a nós em um ponto na história como um de nós!"
"Nunca antes as pessoas nutriram noções tão elevadas dos homens e tão pequenas de Deus. Os evangelistas falam sobre Deus como se tivéssemos de ter pena dele em vez de adorá-lo, como se ele estivesse se derramando em lágrimas no céu, esperando que as coisas melhorem e que as pessoas "o deixem fazer as coisas do seu modo."
"Falamos muito sobre fé hoje e não o suficiente sobre o objeto de nossa fé."
"O trabalho secular não é simplesmente um meio de fazer dinheiro para dar à igreja ou para prover o rendimento necessário a fim de ter o tempo livre para se voluntariar às atividades relacionadas ao ministério. O trabalho é divino, disseram os Reformadores. Os artesãos cristãos deveriam ser os melhores artesãos. (...) Afinal, não é um emprego; é um chamado!"
“Quando os cristãos começarem a ver que é tão devoto ser um homem ou mulher de negócios, advogado, dona de casa, artista, coletor de lixo, doutor ou operário quanto ser um missionário, evangelista, pastor, líder da mocidade, ou empregado de uma organização cristã, eles irão novamente se tornar sal e luz. Assim que uma jovem cristã perceber que é tão espiritual cantar na Ópera Metropolitana quanto no coro da igreja, começaremos a ver uma nova geração de cristãos libertos chamando atenção para seu Criador e Redentor.“
Justificação pela Graça - por Charles Spurgeon (Parte III)
Ainda não leu a Parte 1? Leia aqui.
Ainda não leu a Parte 2? Leia aqui.
III. E, agora, eu fecho com o terceiro ponto, sobre o qual serei breve e, espero, muito diligente – A MANEIRA QUE ESTA JUSTIFICAÇÃO É DADA.
John Bunyan diria que há alguns cujas bocas são um campo de irrigação para este grande dom da Justificação! Não estão eles alguns daqui, que estão dizendo: “Ó, se eu pudesse ser justificado! Mas, senhor, eu posso ser? Eu tenho sido um beberrão e um blasfemador. Tenho sido tudo o que é vil. Posso ser justificado? Tomará Cristo meus negros pecados e receberei sua alva túnica?” Sim, pobre alma, se desejares. Se Deus o fez solícito e se você confessar seus pecados, Cristo está disposto a tomar seus farrapos e te conceder Sua justiça, para ser sua eternamente. “Bem, mas como ela é para ser obtida?” alguém pergunta. “Devo ser um homem piedoso por muitos anos para então adquiri-la?” Ouça! “Gratuitamente pela Sua Graça”. “Gratuitamente”, porque não há um preço a ser pago por ela! “Pela Sua Graça”, porque nós não a merecemos! “Mas, ó senhor, eu tenho orado e não acho que Deus me perdoará a menos que eu faça algo para merecê-lo”. Eu lhe digo, senhor, que se você procurar algum merecimento seu, você nunca o achará! Deus dá a Sua Justificação gratuitamente. Se você trazer qualquer coisa para pagá-la, Ele a lançará em seu rosto e não lhe dará Sua Justificação. Ele a dá de graça.
O velho Rowland Hill foi pregar uma vez numa feira. Ele notou os vendedores ambulantes vendendo suas mercadorias por leilão. Então, Rowland disse: “Farei um leilão, também, para vender vinho e leite, sem dinheiro e sem preço. A meus amigos dali”, ele disse, “encontram uma grande dificuldade para atrai-los com seu alto preço – a minha dificuldade é atrai-los com o meu baixo preço”. Assim é com os homens. Se eu pudesse pregar que a Justificação pode ser comprada por vocês por meio de alguma obra soberana, quem daqui sairia sem ser justificado? Se eu pudesse pregar a vocês a Justificação por andarem uma centena de milhas, não seríamos nós peregrinos na manhã seguinte, todos nós? Se eu pregasse a Justificação por meio de açoites e torturas, há muito poucos aqui que não se açoitariam e, isso, até mesmo de forma severa! Mas quando ela é gratuita, gratuita, gratuita, os homens se afastam! “O quê? Eu estou para tê-la sem nada, sem fazer nada?” Sim, senhor, você está para tê-la por nada, caso contrário, não terá nada. Ela é “gratuita”. “Mas eu não devo ir a Cristo, lançar-lhe alguma reivindicação da sua misericórdia e dizer ‘Senhor, me justifique pois não sou tão mau como os demais’?” Isso não será feito, senhor, porque ela é dada “pela Sua Graça”. “Mas, não posso alimentar alguma esperança, pois vou a Igreja duas vezes por dia?” Não, senhor. É “por Sua Graça”. “Mas, não posso oferecer esse argumento, de que eu quero ser melhor?” Não, senhor. É “por Sua Graça”. Você insulta a Deus por trazer sua falsa moeda para pagar por Seus tesouros! Ó, quão pobres são as ideias que os homens possuem à respeito do Evangelho de Cristo, se acharem que podem comprá-lo! Deus não receberá seus centavos enferrujados, com os quais desejam comprar o Céu! Uma vez, um homem rico, enquanto morria, teve a ideia de que poderia compra um lugar no Céu construindo uma linha de asilos para pobres. Um bom homem colocou-se à cabeceira de sua cama e disse: “Quanto mais você deixará?” “Duzentas mil libras”, ele disse. “Isso não compraria o suficiente para os seus pés se sustentarem no Céu, pois lá as ruas são de ouro e, portanto, que valor teria o seu ouro? Ele seria considerado como nada quando as muitas ruas de lá são pavimentadas com isto”. Não, amigos, nós não podemos comprar o Céu com ouro, tampouco com boas obras, ou orações, ou qualquer outra coisa no mundo! Então, como podemos adquiri-lo? Clamando por ele! Assim como muitos de nós sabemos que, sendo pecadores, podemos ter Cristo pedindo por Ele! Vocês sabem que precisam de Cristo? Vocês podem tê-Lo! “Quem quiser, que venha e tome de graça da Água da Vida”. Mas se vocês abrirem caminho para suas próprias ideias e disserem: “Não, senhor, pretendemos fazer muitas coisas boas e, só então, creremos em Cristo”, vocês serão condenados caso se apeguem a tais desilusões! Eu seriamente os advirto que vocês não podem ser salvos dessa forma. “Bem, mas não temos que praticar boas obras?” Certamente sim – contudo, não devem confiar nelas! Vocês devem confiar inteiramente em Cristo e, - em seguida, depois, praticar as boas obras. “Mas”, alguém diz, “eu acho que se eu fizesse algumas boas ações, elas seriam uma pequena recomendação quando eu viesse”. Não, senhor, não seriam. Elas não seriam absolutamente nada. Deixe um mendigo vir à sua casa usando luvas brancas infantis, diga que ele está muito mal do lado de fora e precisa de uma esmola – as luvas brancas de pelica o recomendariam à sua esmola? Um bom chapéu novo que ele tivesse comprando o recomendaria à sua esmola? “Não”, você diria à ele, “você é um impostor miserável. Você não precisa de nada e tampouco terá! Fora!”
A melhor farda para um mendigo é o trapo e, o melhor traje com o qual um pecador pode vir a Cristo, é exatamente o mesmo que está usando – que ele venha com nada, a não ser o pecado sobre ele! “Mas, não”, você diz, “preciso ser um pouco melhor e, assim, Cristo me salvará!” Você não pode se tornar um pouco melhor, tente o quanto quiser. E, além disso – para usar um paradoxo – se você melhorasse, ainda assim estaria em pior estado, pois, quanto pior você estiver, tanto melhor para vir a Cristo —
“Aventurem-se nEle, aventurem-se totalmente;
Não permitam que outra confiança se firme.”
Não digo isso para incitar alguém a continuar pecando. Deus não permita! Se continuar pecando, você deve não ter vindo a Cristo. Não poderá fazê-lo. Seus pecados o impedirão. Você não pode estar acorrentado ao seu remo de baleeiro – o remo de seus pecados – e, ainda assim, vir a Cristo e ser um homem livre. Não, senhor, é arrependimento. É o imediato abandono do pecado. Mas, note: nem pelo arrependimento, nem pelo abandono de seus pecados, você será salvo. É por Cristo, Cristo, Cristo – somente Cristo!
Mas eu sei que muitos de vocês irão e tentarão construir sua própria Torre de Babel para alcançar o Céu. Alguns irão por um caminho, outros por outro. Vocês seguirão seu caminho – lançarão as bases para o Batismo Infantil, construirão a confirmação disto sobre elas e sobre a Ceia do Senhor. “Eu irei para o Céu”, vocês dizem. “Não guardo a Sexta-Feira Santa e o Natal? Sou um homem melhor do que esses dissidentes! Sou um homem mais extraordinário. Não oro mais do que qualquer um outro?” Vocês ficarão um bom tempo subindo essa escada, até que fiquem uma polegada mais altos, pois, esse não é o caminho para alcançar as estrelas! Alguém diz: “Eu irei e estudarei a Bíblia, crerei na sã Doutrina e, não tenho dúvidas, por crer nela serei salvo”. Na verdade, você não o será! Você não pode ser mais salvo por crer na sã Doutrina do que por praticar as boas obras! “Disso”, diz outro, “eu gosto disso, então irei, crerei em Cristo e viverei como eu desejar”. De fato, você não viverá assim! Pois, se você crer em Cristo, Ele não o deixará viver segundo a vontade da carne. Pelo Seu Espírito, Ele o constrangerá a mortificar seus desejos e paixões. Se Ele te der a Graça de fazê-lo crente, Ele te dará a Graça de viver uma vida santa também – se Ele te der a Fé, ele também te dará as boas obras depois disso! Você não pode crer em Cristo a menos que renuncie toda o engano e resolva servir a Ele com um firme propósito de coração. Acho que, finalmente, ouço um pecador dizer: “Essa é a única porta? Posso me aventurar por ela? Então, eu irei! Mas, eu não te entendo muito bem. Sou alguém como o pobre Tiff, daquele notável livro “Dred”. Eles falam muito sobre o caminho, mas eu não posso vê-lo, pois, se o pobre Tiff pudesse ver o caminho, ele levaria seus filhos por ele. Eles falam sobre luta mas, eu não vejo ninguém lutando, ou, então, eu lutaria”.
Então, deixem-me explicar. Encontro na Bíblia: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores”. O que você precisa fazer, senão crer nisto e confiar nEle? Você nunca será desapontado com uma fé tal como essa! Deixe-me ilustrar novamente o que tenho feito uma centena de vezes, porém, por não achar outra ilustração melhor, o farei novamente. A fé é algo como isto. Há uma história de um capitão de um navio de guerra, cujo filho – um jovem rapaz – gostava muito de subir o cordame no navio. E, uma vez, correndo atrás de um macaco, ele correu até o mastro até que, finalmente, ele chegou a gávea principal. Ora, a gávea principal, vocês estão cientes, é como uma grande mesa redonda colocada sobre o mastro, de modo que o garoto estava sobre o grande mastro. Havia muito espaço para ele, mas a dificuldade era – explicando da melhor maneira que eu posso – que ele não podia alcançar o mastro que estava sob o convés, ele não era alto o suficiente para descer deste grande mastro, alcançar o mastro inferior e então descer. Lá estava ele sobre a gávea principal – ele conseguiu chegar lá, de uma forma ou de outra – mas ele nunca poderia descer. Seu pai viu isto e olhou para cima, horrorizado. O que ele faria? Em alguns instantes seu filho cairia e se faria em pedaços! Ele estava se agarrando ao grande mastro com toda a sua força, mas em pouco tempo ele cairia sobre o convés e ali ficaria – um cadáver em pedaços. O capitão pediu uma trombeta. Ele a aproximou dos lábios e gritou: “Rapaz, na próxima vez que o navio balançar, se jogue no mar”. Era, na verdade, sua única maneira de escape. Ele poderia ser retirado da água e trazido para cima, para o navio, mas, se caísse no convés, ele não poderia ser resgatado! O pobre rapaz baixou os olhos ao mar. Era uma longa distância. Ele não podia conceber a ideia de se jogar na corrente aterradora lá embaixo. Para ele, ela era bravia e perigosa. Como poderia ele se lançar na direção dela? Então, ele se agarrou na gávea principal, com toda a sua força, embora não houvesse dúvidas de que se soltaria e pereceria. O pai pediu uma espingarda e, apontando-a para ele, disse: “Rapaz, na próxima vez que o navio sacudir, se jogue no mar, ou eu atirarei em você!” Ele sabia que seu pai manteria a palavra. O navio balançou de um lado, o garoto foi para o mar e, depois, para os braços musculosos dos marinheiros que, sem seguida, o resgataram e o trouxeram para o convés.
Ora, nós, como aquele jovem, estamos, por natureza, em uma posição de extraordinário perigo, do qual, nenhum de nós pode escapar por si mesmo. Infelizmente, temos algumas boas obras em nós mesmos, como aquele grande mastro, e nos agarramos a elas tão afetuosamente, que nunca desistiremos delas. Cristo sabe que, a menos que dela delas desistirmos, seremos despedaçados, no final, pois essa confiança podre deve nos arruinar. Ele, portanto, diz: “Pecador, deixe sua confiança própria e caia sobre o mar do meu Amor”. Nós olhamos para baixo e dizemos: “Posso ser salvo por crer em Deus? Ele parece como se estivesse irado comigo e, portanto, não posso confiar nEle”. Ah, não te persuadirá o suave clamor da Misericórdia? – “O que crer será salvo”. Deverá a espingarda da destruição ser apontada em sua direção? Deverá ouvir a terrível ameaça: “O que não crer será condenado”? Sua situação é como a daquele rapaz – sua posição é de iminente perigo e seu desprezo ao conselho do Pai é do mais terrível alerta, o que faz do perigo ainda mais perigoso! Deixe de segurar-se! Isso é fé, quando o pecador deixa de agarrar-se, se joga ao mar e, assim, é salvo! E a mesma coisa que pareceria destruí-lo, é o meio dele ser salvo!
Ó, creiam em Cristo, pobres pecadores! Creiam em Cristo! Vocês que estão cientes de sua culpa e miséria, venham! Lançem-se sobre Ele! Venham e confiem no meu Mestre e, assim como Ele vive, diante do qual estou, vocês nunca crerão nEle em vão! Não, mas vocês se verão perdoados e seguirão seu caminho, pela Sua Graça, regozijando-se em Cristo Jesus!
Esse post é um trecho do sermão pregado na manhã de Sabbath do dia 5 de abril de 1857, pelo Rev. C. H. Spurgeon, no Music Hall, Royal Surrey Gardens; e publicado aqui com permissão do site.
Justificação pela Graça - por Charles Spurgeon (Parte II)
Ainda não leu a Parte 1? Leia aqui.
II. E agora, pelo auxílio do Espírito de Deus, me dirigirei ao EFEITO DO RESGATE. Ser justificado – “justificado gratuitamente pela Sua Graça pela redenção”. Ora, qual é o significado da justificação?
Teólogos irão confundi-los, se você perguntar a eles. Devo tentar o máximo que posso para fazer a justificação clara e simples – até que uma criança a compreenda. Não há coisa alguma que possa ser tida como uma justificativa pelos homens na terra, exceto uma. A justificação, como sabem, é um termo forense – ele é sempre empregado no sentido legal. Um prisioneiro é trazido ao tribunal de justiça para ser julgado. Há somente uma forma pela qual esse prisioneiro pode ser justificado – ele deve ser achado sem culpa e então, se é assim achado, ele é justificado – isto é, é provado que ele é um homem justo. Se vocês o acharem culpado, não poderão justificá-lo. A Rainha pode perdoá-lo, mas ela não pode justificá-lo. As ações não são justificáveis, se ele é culpado em relação a elas – ele não pode ser justificado por conta delas. Ele pode ser perdoado. Mas a realeza, em si mesma, nunca poderá purificar o caráter desse homem. Ele permanece tanto como um criminoso, ao ser perdoado, quanto como o era antes. Não há outro meio, entre os homens, de justificar um homem de uma acusação que está posta contra ele, senão provando sua inocência. Ora, a grande maravilha é que, mesmo sendo provado que somos culpados, somos justificados. O veredito de culpa foi dito contra nós – e, contudo, somos justificados! Pode algum tribunal terreno fazer isto? Não. Restou para o Resgate de Cristo efetuar aquilo que é uma impossibilidade para qualquer tribunal sobre a Terra! Somos todos culpados. Leiam o versículo 23, que imediatamente precede o texto: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Ali, o veredito de culpa é estabelecido e, logo depois, é dito que somos justificados gratuitamente pela Sua Graça!
Agora, deixem-me explicar a forma pela qual Deus justifica o ímpio. Estou prestes a conjecturar um caso impossível. Um prisioneiro foi julgado e condenado à morte. Ele é um homem culpado. Ele não pode ser justificado, pois foi criminado. Mas, agora, imaginem por um momento que uma coisa tal como esta poderia acontecer: uma segunda parte foi introduzida, a qual poderia tomar toda a culpa daquele homem sobre ela! Uma parte que poderia, com efeito, trocar de lugar com aquele homem e, através de um misterioso processo que, é claro, é também impossível para os homens, tornar-se aquele homem. Ou tomar o caráter daquele homem sobre si. Ele, o reto, colocando o rebelde em seu lugar e fazendo dele um homem justo – não poderíamos fazer isso em nossas cortes. Se eu estivesse perante um tribunal e ele concordasse que eu deveria cumprir um ano de detenção, no lugar de algum miserável que foi condenado, ontem, a um ano de prisão, eu não poderia receber sua culpa! Eu poderia receber a sua punição, mas não sua culpa. Agora, o que carne e sangue não podem fazer, Jesus Cristo, pela Sua redenção, o fez. Aqui estou, pecadores. Declaro-Me agora como um representante de todos vocês. Estou condenado a morrer. Deus diz: “Condenarei tal homem, eu devo e vou – eu o punirei”. Cristo chega, põe-me de lado e se coloca em meu lugar. Quando é exigido o argumento, Cristo diz: “Culpado”. Ele toma minha culpa para ser a Sua própria! Quando a punição está para ser executada, Cristo surge. “Puna-me”, ele diz – “Eu imputei minha justiça a esse homem e tomei seus pecados sobre mim. Pai, puna-me e considere aquele homem como se tivesse sido eu. Que ele reine no Céu. Que eu sofra a miséria. Que eu suporte sua maldição e que ele receba minha bênção”. Esta maravilhosa Doutrina da troca de lugares, de Cristo com pobres pecadores, é a Doutrina da Revelação! Ela nunca poderia ter sido concebida pela Natureza! Deixem-me, para que não tenha cometido um erro, me explicar novamente. A maneira pela qual Deus salva um pecador não é, como alguns dizem, passar por cima da pena. Não! A pena foi paga. É a colocação de outra pessoa no lugar do rebelde. O rebelde deve morrer. Deus assim disse. Cristo diz: “Serei o Substituto do rebelde. Ele tomará meu lugar e eu tomarei o dele”. Deus consente com isto. Nenhum monarca terreno teria poder para assentir em tal mudança, mas o Deus do Céu tem o direito de fazer tudo o que lhe apraz! Em Sua infinita misericórdia ele consentiu com ao procedimento. “Filho do meu amor”, ele disse, “Deves ficar no lugar do pecador. Deves sofrer o que ele deveria ter sofrido. Deves ser contado como culpado assim como ele o foi. Somente então olharei para o pecador com outra visão. Olharei para ele como se fosse você. Eu o aceitarei como se ele fosse meu Filho Primogênito, cheio de Graça e de Verdade. Darei a ele uma coroa no Céu e o tomarei ao meu coração para todo o sempre”. Assim é que somos salvos. “Sendo justificados gratuitamente pela Sua Graça, pela Redenção que há em Cristo Jesus”.
E, agora, deixem-me ir além e explicar algumas das características desta justificação. Tão logo um pecador é justificado, lembrem-se, ele é justificado de todos os seus pecados. Aqui está um homem pecador. No momento em que crê em Cristo, ele recebe o perdão imediatamente e seus pecados não são mais dele. Eles são lançados nas profundezas do rio. Eles são colocados sobre os ombros de Cristo e se vão. O homem levanta-se sem pecado à vista de Deus, aceito no Amado. Vocês perguntam: “O quê? Você diz isto literalmente?” Sim, eu digo. Essa é a Justificação pela Fé. O homem deixa de ser considerado pela Justiça Divina como um ser culpado. No momento em que ele crê em Cristo, sua culpa é dele totalmente tirada. Mas vou um passo além. No momento em que o homem crê em Cristo, ele deixa de ser considerado culpado por Deus! E mais, ele se torna justo, meritório – no momento em que Cristo toma seus pecados, ele recebe a justiça de Cristo para que, quando Deus olhar para o pecador, o qual, uma hora atrás, estava morto em pecados, ele o olhe com o mesmo amor e afeição com que sempre viu Seu Filho! O próprio Cristo disse: “Como o Pai me amou, assim eu vos tenho amado”. Ele grandemente nos ama, assim como Seu Pai o amou! Vocês podem acreditar em uma Doutrina como essa? Não ultrapassa ela todo o pensamento? Bem, ela é a Doutrina do Espírito Santo, a Doutrina pela qual devemos esperar, a fim de sermos salvos. Posso, a qualquer pessoa não esclarecida, ilustrar melhor este pensamento? Transmitirei a ela a parábola que nos é dita nos Profetas – a parábola de Josué e o Sumo Sacerdote. Josué entra, vestido com vestes imundas – tais vestes representando os seus pecados. Tira as vestes sujas. Isso é perdão. Põe uma coroa em sua cabeça e o veste com um traje real – o faz rico e reto – isso é justificação. Mas, de onde vieram tais trajes? E, para onde vão esses trapos? Porque os trapos que Josué usava foram tomados por Cristo e as vestes colocadas nele são os trajes com que Cristo se vestia! O pecador e Cristo fazem exatamente como Jônatas e Davi fizeram. Jônatas coloca sua túnica sobre Davi e este dá a Jônatas suas vestes – da mesma forma, Cristo leva os nossos pecados, levamos a justiça de Cristo e é por uma gloriosa substituição e troca de lugares, que os pecadores são livres e são justificados pela Sua Graça!
“Mas”, alguém diz, “ninguém é justificado desta forma até que morra”. Acredite, ele é sim:
“No momento em que crê um pecador
E confia em seu Deus crucificado,
De uma vez recebe ele Seu perdão –
Por Seu sangue, é completa sua Salvação.”
Se aquele jovem ali tem realmente crido em Cristo esta manhã, percebendo, por uma experiência espiritual, o que tenho tentado descrever, ele é tão justificado aos olhos de Deus agora quanto o será quando estiver diante do Seu Trono! Nem mesmo os espíritos glorificados, nas alturas, são mais aceitáveis a Deus do que o pobre homem, abaixo deles, que outrora foi justificado pela Divina Graça! É uma perfeita lavagem, perfeito perdão, perfeita imputação – somos completa e gratuitamente aceitos através de Cristo, nosso Senhor! Somente mais uma palavra, aqui, e então deixarei este assunto da justificação. Aqueles que uma vez foram justificados, o são irreversivelmente. Assim que um pecador toma o lugar de Cristo e Cristo toma o seu lugar, não há temor para uma segunda mudança! Uma vez que Cristo pagou a dívida, a dívida foi paga e nunca será cobrada novamente! Se vocês são perdoados, o são de uma vez e para sempre! Deus não dá ao homem um perdão gratuito, sob Sua própria promessa e, então, mais tarde, se retrata e o pune – longe de Deus fazer tal coisa! Ele diz: “Puni a Cristo. Você pode ir livre”. E, depois disso, podemos “nos regozijar na esperança da glória de Cristo”, pois, “justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. E agora ouço alguém clamar: “Essa é uma Doutrina extraordinária!” Bem, assim alguns podem pensar, mas, deixem-me dizer-lhes: ela é uma Doutrina professada por todas as igrejas Protestantes, embora eles não a preguem! Ela é a Doutrina da Igreja da Inglaterra, é a Doutrina de Lutero, é a Doutrina da Igreja Presbiteriana – ela é abertamente a Doutrina de todas as Igrejas Cristãs – e, se ela parece estranha aos seus ouvidos, é porque seus ouvidos são alienados, não porque ela é estranha! Ela é a Doutrina das Sagradas Escrituras, que ninguém pode condenar a quem Deus justifica e que ninguém pode acusar aqueles por quem Cristo morreu, pois eles estão totalmente livres do pecado! De modo que, como um dos Profetas tem dito, Deus não vê pecado em Jacó, nem iniquidade em Israel. No momento em que eles creem, sendo seus pecados imputados a Cristo, os pecados deixam de ser deles, a justiça de Cristo é a eles imputada e é contada como pertencente a eles, a fim de que, pela Graça de Deus, eles sejam aceitos!
Continua...
Esse post é um trecho do sermão pregado na manhã de Sabbath do dia 5 de abril de 1857, pelo Rev. C. H. Spurgeon, no Music Hall, Royal Surrey Gardens; e publicado aqui com permissão do site.
Justificação pela Graça - por Charles Spurgeon (Parte I)
“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3:24 – ACF)
O monte do conforto é o monte do Calvário. O abrigo da consolação é edificado com o madeiro da cruz. O templo do fortalecimento celestial tem como fundamento a Rocha ferida, ferida pela lança que seu lado perfurou. Não há cena alguma, em toda a história sagrada, que cause tanta alegria à alma como a cena do Calvário.
“Não é estranho que a negra hora,
Que sobre a terra pecadora jamais antes raiou,
Deve tocar o coração com poder mais suave
Para maior conforto que a alegria angelical?
E que para a cruz os olhos do pranteador devam tornar,
Mais cedo do que onde as estrelas de Belém ardem?”
Em nenhum lugar a alma encontra semelhante consolação, como naquele onde reinou a miséria, triunfou a angústia, onde a agonia atingiu seu clímax. Ali, a Graça cavou uma fonte que jorra água pura como cristal, cada gota capaz de aliviar as aflições e as agonias da humanidade! Vocês têm tido seus períodos de aflição, meus irmãos e irmãs em Cristo. E vocês confessarão que não foi no Monte das Oliveiras que encontraram consolo, nem no Monte Sinai, nem em Tabor. Mas o Getsêmani, o Gabatá e o Gólgota têm sido os meios de conforto para vocês. As ervas amargas do Getsêmani têm frequentemente tirado as amarguras da nossa vida agora. O flagelo do Gabatá tem repetidamente açoitado nossos cuidados e o suspiro do Calvário tem colocado todos os outros suspiros em fuga.
Temos, então, nesta manhã, um assunto que, assim creio, pode ser um meio de consolo para os santos de Deus, observando que ele tem sua origem na cruz e dela prossegue em um córrego rico de perenes bênçãos a todos os cristãos. Notem que temos em nosso texto, primeiramente, a Redenção de Cristo Jesus. Em segundo lugar, a justificação de pecadores fluindo dela. E, em terceiro, a maneira que esta justificação é dada, “gratuitamente pela Sua Graça”.
I. Primeiramente, então, temos A REDENÇÃO QUE ESTÁ EM OU É POR CRISTO JESUS.
A figura da redenção é muito simples e é de forma frequente utilizada nas Escrituras. Quando um prisioneiro é preso e feito escravo por um governo bárbaro, antes de ser libertado, é comum que um preço de resgate deva ser pago. Ora, nós, sendo, pela queda de Adão, inclinados para a culpabilidade e sendo, de fato, virtualmente culpados, fomos pelo irrepreensível julgamento de Deus deixados à vingança da Lei. Fomos dados às mãos da Justiça – Justiça que nos reivindicou para sermos seus escravos cativos para sempre – a menos que pagássemos um resgate que possibilitasse a redenção de nossas almas. Éramos, de fato, pobres como pequenas corujas e não tínhamos nada com que nos abençoar a nós mesmos. Éramos, como nosso hino tem dito, “devedores falidos”. Tudo o que tínhamos antes foi vendido. Fomos deixados nus, pobres e miseráveis e não podíamos, por meio algum, encontrar um resgate. Foi só então que Cristo entrou em cena, levantou-se como nosso Fiador e, no lugar de todos os crentes, pagou o preço do resgate para que fôssemos, naquele momento, libertados da maldição da Lei e livrados da vingança de Deus! Podemos, então, tomar nosso caminho, purificados, livres e justificados pelo Seu sangue!
Deixem que me esforce para mostrar-lhes algumas qualidades da Redenção que está em Cristo Jesus. Vocês se lembrarão da multidão que Ele redimiu. Não somente eu, nem somente vocês, mas “uma multidão que homem algum pode numerar”. Um número que excederá todas as estrelas do céu, como ultrapassará todas as contas mortais. Cristo comprou para si próprio alguns dentre cada reino, nação e língua sob o céu! Ele redimiu dentre os homens alguns de cada classe – do maior ao menor; alguns de cada cor – brancos ou negros; alguns de cada posição na sociedade – o melhor e o pior. Para homens de todos os tipos Cristo Jesus se deu como resgate, a fim de que fossem redimidos para Ele mesmo. Ora, concernente a este Resgate, devemos observar que ele foi totalmente quitado, e de uma só vez. Quando Cristo redimiu Seu povo, Ele o fez de forma completa. Ele não deixou uma única dívida a ser paga, nem ainda um centavo para quitar mais tarde. Deus exigiu de Cristo o pagamento pelos pecados de todo o Seu povo. Cristo se levantou para pagar toda a dívida que seu povo devia, qualquer que fosse. O Sacrifício do Calvário não foi um pagamento parcial – não foi uma exoneração parcial; ele foi um pagamento completo e perfeito e obteve uma remissão completa e perfeita de cada débito de todos os cristãos – tanto dos que já viveram, os que vivem e os que viverão, até o fim dos tempos. Naquele dia, quando Cristo foi pendurado na cruz, Ele não deixou nem mesmo um centavo para que pagássemos, a fim de satisfazer a Deus. Ele não deixou nada que não tivesse satisfeito. Todas as exigências da Lei foram então, ali, pagas por Jeová Jesus, o grande Sumo Sacerdote de todo o Seu povo! E, bendito seja o Seu nome, Ele também pagou tudo de uma vez! Tão inestimável era o Resgate, tão esplêndido e magnífico era o preço exigido por nossas almas, que alguém poderia imaginar que seria maravilhoso se Cristo o tivesse pagado em prestações – uma parte agora e outra depois. As dívidas dos reis eram, algumas vezes, pagas desta forma, uma parte imediatamente e a outra em prestações, ao longo dos anos. Mas não foi assim com nosso Senhor – Ele se deu como Sacrifício uma vez por todas. De uma vez Ele pagou o preço e disse: “Está consumado”, não deixando nada para ser concluído depois, por nós ou por Ele mesmo. Ele não tagarelou um pagamento parcial e então declarou que viria novamente para morrer, ou que sofreria novamente, ou que obedeceria novamente. Mas, sobre os pregos, até o último centavo, o Resgate de todos os Seus eleitos foi pago e um recibo da dívida inteira foi dado a eles. Cristo cravou a cédula em Sua cruz e disse: “Está feito, está feito. Tenho tirado a cédula das ordenanças e a cravei na cruz. Quem é que condenará Meu povo, ou quem é que o acusará? Pois eu, como uma nuvem, apaguei suas transgressões e, como uma densa nuvem, os seus pecados!”
E, quando Cristo pagou este Resgate, vocês notarão que Ele fez tudo sozinho! Ele era singular para este fim. Simão, o cireneu, poderia carregar a cruz, mas Simão, o cireneu, não poderia ser pregado nela. Aquele sagrado ciclo do Calvário foi guardado para Cristo somente. Havia dois ladrões com Ele ali, homens injustos, a fim de que ninguém pudesse dizer que a morte de dois justos ajudaram o Salvador. Dois ladrões foram pendurados ali com Ele, para que os homens pudessem ver que havia majestade em Sua miséria e que Ele podia perdoar homens e mostrá-los a Sua Soberania até mesmo enquanto morria! Não havia um justo sequer para sofrer. Nenhum discípulo participou de sua morte. Pedro não foi ali arrastado para ser decapitado. João não foi pregado na cruz lado a lado com Ele. Ele foi deixado ali sozinho! Ele diz: “Eu pisei o lagar sozinho. E não havia ninguém do povo comigo”. Toda a terrível culpa foi colocada sobre Seus ombros! Todo o peso dos pecados do Seu povo foi posto sobre Ele. Quando Cristo parecia cambalear sob esse peso – “Pai, se possível”. Mas, novamente endireitado – “Todavia, não a minha, mas a Tua vontade seja feita”. Toda a punição do Seu povo foi destilada em um cálice – nenhum lábio mortal poderia tomar dele mais do que um único gole. Quando Ele o levou a Seus próprios lábios, esse era tão amargo, que Ele esteve perto de rejeitá-lo. “Passe de mim este cálice”. Mas Seu amor pelo Seu povo era tão forte que ele o segurou em ambas as mãos e —
“Em uma espantosa síntese de amor
A aridez da condenação Ele tomou,”
Por todo o Seu povo! Ele o tomou completamente, a tudo suportou, tudo sofreu – de modo que agora e para sempre não há chamas do Inferno para os eleitos, nem um mínimo tormento! Eles não possuem aflições eternas – Cristo sofreu tudo o que eles deveriam sofrer e, agora, eles devem e avançarão livres! Todo o trabalho foi inteiramente completado por Ele, sem o auxílio de ninguém!
E notem, novamente, que isso foi aceito. Na verdade, foi um Resgate considerável. O que poderia ser a ele igualado? Uma alma “profundamente triste até a morte”. Um corpo despedaçado pela tortura, uma morte do tipo mais desumano. E uma agonia de um caráter tal que lábio algum pode descrever, nem pode a mente humana imaginar seu horror! Foi um preço considerável. Mas, digam: ele foi aceito? Houveram preços pagos, algumas vezes, ou ainda propostos, que nunca foram aceitos pela parte a quem foram oferecidos e, portanto, o escravo não foi libertado. No entanto, este foi aceito. Mostrarei a vocês a evidência. Quando Cristo declarou que Ele pagaria a dívida de todo o Seu povo, Deus enviou um oficial para prendê-Lo, a fim de encaminhá-Lo para isso. O oficial o prendeu no Jardim do Getsêmani e, prendendo-O, ele O encaminhou ao tribunal de Pilatos, ao tribunal de Herodes e ao tribunal de Caifás – o pagamento foi feito e Cristo foi sepultado! Ele foi trancado ali em uma vil resistência até que o recebimento do pagamento fosse ratificado no Céu. Ele ali repousou, em seu túmulo, durante uma porção de três dias. Foi declarado que a aceitação seria assim: o Fiador seguiria Seu caminho assim que os compromissos da Sua fiança estivessem cumpridos. Agora, imaginem suas mentes o Cristo sepultado. Ele está no sepulcro. É verdade que Ele pagou toda a dívida, mas o recibo ainda não foi dado. Ele está adormecido naquele túmulo apertado. Preso com um selo em uma enorme pedra, ele dorme ainda em Seu sepulcro. Não foi ainda a aceitação dada por Deus. Os anjos ainda não desceram do céu para dizer: “O trabalho está cumprido. Deus aceitou Teu sacrifício”. Agora é a crise deste mundo! Ele está suspenso, trêmulo, na balança. Aceitará Deus o resgate, ou não? Veremos. Um anjo vem do céu com um colossal esplendor. Ele faz com que a pedra deslize de sua frente. E sai o Cativo, sem nenhuma algema em Suas mãos, com os trajes sepulcrais deixados para trás! Ele está livre, para nunca mais sofrer, nunca mais morrer. Agora —
“Se não tivesse Cristo pagado a dívida,
Ele nunca teria sido posto em liberdade”
Se Deus não aceitasse Seu sacrifício, Ele estaria no sepulcro neste momento! Ele nunca ressurgiria dos mortos! Mas Sua Ressurreição foi a garantia da Sua aceitação por Deus – Ele disse: “Eu tinha uma reclamação sobre você para este momento. Agora, ela está paga. Tome o Teu caminho”. E a Morte entregou o seu Cativo real, a pedra foi rolada para o jardim e o Vitorioso saiu, levando cativo o cativeiro! E, além disso, Deus deu uma segunda prova de aceitação, pois Ele tomou novamente seu Filho Primogênito aos Céus e O colocou à Sua destra, muito acima de qualquer principado ou potestade! E isso significava dizer: “Sente-se no Trono, pois tendes feito o ato eficaz. Todos os Teus trabalhos e todas as Tuas misérias foram aceitos como o Resgate dos homens”. Ó meus amados, pensem que grandiosa visão deve ter sido quando Cristo ascendeu à Glória! Que nobre comprovação da aceitação de Seu Pai deve ter sido! Vocês não acham que veem a cena na terra? É muito simples. Alguns poucos discípulos estão em pé sobre uma colina e Cristo se eleva no ar lenta e solenemente, como se um anjo apressasse o seu caminho de forma suavemente gradual, como uma névoa exalada do lago até o céu. Vocês podem imaginar o que está acontecendo mais acima? Podem, por um momento, conceber como, quando o poderoso Conquistador adentrou pelas portas do Céu, os anjos O receberam —
“Trouxeram Sua carruagem do alto,
Para ao Seu Trono carregá-Lo,
Suas asas triunfantes bateram e clamaram:
‘Está feito o glorioso trabalho!’”
Vocês podem imaginar quão alto foram os aplausos quando Ele entrou pelas portas do Céu? Vocês podem conceber como os anjos se apertavam para observar, de seu voo, como Ele vinha conquistando? Podem ver Abraão, Isaque, Jacó e todos os santos remidos virem para contemplar ao Salvador e Senhor? Eles haviam desejado vê-Lo e, agora, seus olhos o contemplam em carne e sangue, Aquele que venceu a morte e o Inferno! Vocês podem vê-Lo, com o Inferno à roda dos Seus carros, com a Morte arrastada, como um cativo, pelas ruas reais do Céu? Ó, que espetáculo ali, naquele dia! Nenhum guerreiro romano jamais teve um triunfo tal! Ninguém jamais viu uma visão tão majestosa quanto aquela! A pompa de um universo inteiro, a realeza de toda a criação – querubins, serafins e todos os poderes criados – intensificaram aquela manifestação! E o próprio Deus, o Eterno, totalmente lhe coroou quando apertou Seu Filho ao peito e disse: “Muito bem! Muito bem! Tu terminou a obra que dei-Lhe a fazer. Aqui descanse para sempre, meu Único Aceito”. Ah, mas Ele nunca teria aquele triunfo se Ele não houvesse pago toda a dívida. A menos que Seu Pai tivesse aceito o Resgate, Ele nunca teria sido tão honrado! Mas, porque ele foi aceito, por isso Ele obteve tanta honra! Até agora, então, concernente ao Resgate.
Continua...
Esse post é um trecho do sermão pregado na manhã de Sabbath do dia 5 de abril de 1857, pelo Rev. C. H. Spurgeon, no Music Hall, Royal Surrey Gardens; e publicado aqui com permissão do site.
Muitos pais hoje estão perplexos quanto à questão de bater ou não em seus filhos. Alguns dizem que é uma forma de punição cruel e abusiva ou que promove a violência. Outros simplesmente dizem que “Não acreditam na palmada”. Mesmo alguns bem respeitados psicólogos cristãos orientam contra a palmada. É fácil ficar confuso.
Analisemos estes argumentos primeiro. Os dois primeiros podem ter alguma validade. Certamente há casos em que os pais batiam, e a criança cresceu com uma inclinação para a violência. No entanto, na maioria desses casos, os pais haviam abraçado uma forma mundana de bater em vez da forma bíblica de castigo. Eles haviam usado a vara sem a repreensão. Haviam punido o erro, sem explicar o certo e, na maioria das vezes, haviam castigado com raiva e com uma motivação errada. Sempre que os pais rejeitarem os métodos de Deus e abraçarem os métodos mundanos, problemas surgirão. Provérbios 14.12 nos diz: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”. Nesses casos, teria sido melhor que os pais tivessem se abstido de bater por completo do que dado uma surra de uma maneira que rejeita a santa intenção de Deus pela disciplina.
O uso da vara conforme os princípios divinos é claramente ensinado nas Escrituras. Dizer: “Eu não acredito em palmada” é dizer que os métodos ordenados por Deus para a instrução dos filhos estão errados. É rejeitar a Palavra de Deus. É dizer que você é mais sábio do que o próprio Deus. Os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is. 55.8-9).
O que exatamente é a vara?
Tedd Tripp define usar a vara como “Um pai, fiel a Deus e em fidelidade para com seu filho ou sua filha, assumindo a responsabilidade do uso cuidadoso, oportuno, calculado e controlado do castigo físico, para reforçar a importância de obedecer a Deus, resgatando, assim, a criança de continuar em sua estultícia até à morte”.
Por que bater é necessário?
Bater é parte do método ordenado por Deus para dirigir a estultícia para fora dos corações de nossos filhos. É-nos dito em Provérbios 22.15: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afugentará dela”. Esse versículo também define claramente qual deve ser a nossa motivação ao bater em nossos filhos. Não é para se vingar por nos envergonharem ou irritarem, ou para levá-los a obedecer apenas externamente, mas para expulsar a estultícia que está ligada aos seus corações. E se você conseguir alcançar seus corações, o comportamento cuidará de si mesmo.
Por que usamos a vara?
Você alguma vez ouviu falar de pais que não querem que seus filhos obedeçam? Certamente não. Todos os pais desejam filhos obedientes, mas muitos não conseguem obter obediência. Alguns se tornam tão desanimados e frustrados que convencem a si mesmos de que a obediência não é nem mesmo possível com seus filhos.
Por que os pais são desencorajados a ponto de desistir? Por que a disciplina não está funcionando com seus filhos? Por que seus filhos estão caindo em espiral para as profundezas da desobediência? Por que muitos pais recorrem frequentemente a gritos, súplicas, ameaças e até mesmo ao abuso físico na tentativa de educar seus filhos – tudo em vão? É porque eles não estão seguindo os conhecimentos do “manual de instruções”, a Bíblia. Roy Lessin diz:
Quando alguém compra um aparelho novo, ele é fornecido com um manual de instruções do fabricante. Ele diz como usar o aparelho e como mantê-lo da melhor forma. Se algo der errado, o cliente é encorajado a contatar o fabricante para reparos. Assim é com a família. A família é ideia de Deus. Ele a trouxe à existência. Em sua Palavra, ele deu instruções claras a respeito de como ele espera que ela funcione. Quando pais experimentam problemas na educação de seus filhos, ele é o único a ser consultado. Ele deu aos pais o rico conselho de sua sabedoria para orientá-los na importante questão da educação de seus filhos.
Por que usamos a vara?
A disciplina bíblica envolve ensino, repreensão, correção e uso adequado da vara. Você talvez esteja pensando: “Por que um pai amoroso bateria alguma vez em seu filho?”
O uso da vara demonstra fidelidade a Deus. Os pais que colocam sua confiança na sabedoria de Deus, compreendem a relação entre a vara e obediência. Atentar para os mandamentos de Deus ao usar a vara é confiar plenamente em sua sabedoria e confiar fielmente em seu conselho.
O uso da vara demonstra fidelidade para com a criança. Os pais que se recusam a bater estão causando uma injustiça espiritual para com seus filhos. Não bater é ser infiel à alma da criança. “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv. 23.13-14). Isso não significa que quanto mais você bater, mais provável é que seu filho vá para o céu. Significa, simplesmente, que o uso da vara ajuda a trazer a criança à observância e a um ponto em que está mais propícia a receber a Palavra de Deus
O uso da vara transmite sabedoria. A ligação da vara à sabedoria por meio das Escrituras é muito importante. A criança que não está se submetendo à autoridade parental está agindo estupidamente. Ela está rejeitando a jurisdição de Deus. A vara da correção traz sabedoria para a criança. Ela humilha o coração da criança e expulsa a estultícia que está ligada a ele. A Bíblia explica desta forma: “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv. 29.15).
A vara é uma responsabilidade
Quando os pais administram a vara, eles não estão meramente punindo seus filhos. Estão obedecendo à responsabilidade que Deus lhes deu. Existe um mistério em como a vara funciona, mas podemos estar confiantes de que, enquanto estamos obedecendo a Deus e trabalhando no bumbum, Deus está honrando nossa obediência e trabalhando no coração. Portanto, se você pretende resgatar seu filho da morte, se pretende arrancar a estultícia do coração dele pela raiz e se pretende transmitir sabedoria, você deve usar a vara.
Esse post é um trecho do livro “Não me faça contar até três!” (páginas 125-127 e 137-139) da Editora Fiel, escrito por Ginger Plowman. Publicado no site Voltemos ao Evangelho, e re-publicado aqui com permissão.
Fiquei admirada, impactada, aterrorizada. Molhei meu travesseiro com lágrimas relembrando tudo o que eu acabara de ler. Era o livro “O Refúgio Secreto”, escrito por Corrie Ten Boom, John e Elizabeth Sherrill.
A família cristã Ten Boom vivia na Holanda, em Haarlem. Corrie era a mais nova de quatro irmãos. Casper, seu pai, era um relojoeiro de grande prestígio na cidade mas “totalmente sem malícia para negócios”, como escreveu Corrie em seu livro.
“Às vezes ele trabalhava dias seguidos em um relógio que apresentava um defeito sério e depois se esquecia de cobrar. Quanto mais caro fosse o relógio, mais difícil era para ele pensar nele em termos de dinheiro. ‘A gente devia pagar para ter o privilégio de concertar um relógio destes’, dizia.”
Sua mãe morreu de um ataque cardíaco aos 63 anos e sua irmã Betsie, havia nascido com uma anemia perniciosa. Willem, irmão delas, se formou numa escola teológica e afirmava que se a Holanda não tomasse uma atitude, cairia sob o domínio dos nazistas.
Em 1940, as tropas da Alemanha nazista invadiram a sua pátria e os judeus começaram a ser perseguidos, maltratados e presos. Corrie e sua família, mesmo correndo grande risco, acolheram alegremente todos os necessitados que batiam na porta de sua casa. Foi construída uma parede falsa, que ficou conhecida como “o refúgio”, no quarto de Corrie para que os judeus pudessem se esconder caso a Gestapo aparecesse.
(Foto da entrada para o quarto secreto na casa dos Ten Boom)
No dia 28 de fevereiro, os alemães prenderam toda a família Ten Boom com a ajuda de um informante holandês. Eles foram para a prisão de Scheveningen. Dez dias depois Casper não resistiu e faleceu. Em seguida foram para o campo de concentração onde viveram momentos de horror, crueldade e humilhação. Mas, admiravelmente, Betsie mesmo estando muito fraca nunca perdeu a fé e sempre encorajava sua irmã Corrie.
“Certa manhã, a terra estava molhada e bem pesada, após uma noite de chuva. Ela [Betsie] nunca conseguia mesmo carregar muita terra; nesse dia, o pouquinho que apanhava com a pá, fazia-a tropeçar, ao levá-lo para as depressões que estávamos aplainando.
- Schneller! (Mais rápido!) gritou uma guarda. Não dá para ir mais depressa?
(…) A guarda arrancou a pá das mãos de Betsie, e foi pelo grupo todo exibindo o pouquinho de terra que fora tudo que ela conseguira pegar.
- Vejam o que a "senhora baronesa” está carregando! Ela vai ficar exausta!
Os outros guardas, e mesmo algumas das prisioneiras riram. Sentindo-se aprovada, ela se lançou numa imitação zombeteira do andar trôpego de Betsie. Havia um guarda conosco, nesse dia, e quando havia um homem por perto, as guardas ficavam muito animadas. Como as risadas aumentassem, senti uma raiva assassina. A guarda era jovem e bem nutrida - não era
culpa de Betsie se ela era velha, e passava fome! Para meu espanto, porém, Betsie também estava rindo.
- É! Eu ando assim mesmo! disse ela. Mas é melhor você me deixar carregar minhas “colheradas”, senão tenho que parar de todo.
O rosto gordo da mulher ficou rubro.
- Sou eu quem resolve quem pára e quem não pára.
E retirando o chicotinho do cinto, golpeou Betsie no pescoço e no peito. Fiquei fora de mim. Agarrei minha pá, e fiz menção de correr para ela. Betsie colocou-se na minha frente, antes que alguém pudesse ter visto meu gesto.
- Corrie, pediu-me ela tomando meu braço e abaixando-o. Corrie, continue a trabalhar!
Ela tomou minha pá e enterrou-a na lama. A guarda atirou a pá de Betsie em nossa direção desdenhosamente. Peguei-a meio estonteada. Uma mancha vermelha apareceu na gola de seu vestido; no pescoço, via-se um vergão. Betsie notou a direção de meu olhar e levou a mão - sua mão magra e ossuda - onde o chicote a atingira.
- Não olhe para isso, Corrie. Olhe só para Jesus. Ela retirou a mão: estava tinta de sangue.“
Betsie ficou cada vez mais fraca e acabou falecendo em virtude de doenças e fome. Antes de morrer ela disse a sua irmã: “Não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo”.
Corrie foi solta um dia após o Natal de 1944. No filme “O Refúgio Secreto”, Ten Boom narra o episódio de sua saída do campo de concentração, contando que mais tarde ela soube que sua soltura havia sido um erro burocrático. As prisioneiras de sua idade no campo foram todas mortas uma semana após sua libertação.
Após a guerra, Corrie retornou à Holanda para estabelecer centros de reabilitação. Ela voltou à Alemanha em 1946 e passou muitos anos de ensino itinerante por mais de sessenta países, durante os quais ela escreveu diversos livros. Seus ensinamentos eram focalizados no evangelho cristão, com ênfase no perdão. Em seu livro “Tramp for the Lord” (1974), ela narra a história de como, após estar ensinando na Alemanha, em 1947, ela se aproximou de um dos mais cruéis guardas de Ravensbrück. Ela estava relutante em perdoá-lo, mas orou para que conseguisse fazê-lo. Conforme ela escreveu:
“Por um longo momento, nós tocamos nossas mãos, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Eu jamais havia conhecido o amor de Deus tão intensamente quanto naquela hora.”
Na mesma passagem, ela escreve também que, em sua experiência do pós-guerra com outras vítimas da brutalidade nazista, aqueles mais capazes de perdoar foram os que mais facilmente puderam reconstruir suas vidas.
Corrie Ten Boom faleceu em 1983, no dia em que completava 91 anos. Hoje sua casa na cidade de Haarlem é um museu em homenagem a ela e sua família.
Esta é uma história de amor ao próximo, de perdas, de coragem e perseverança. Uma história de pessoas comuns que fizeram coisas extraordinárias, suportaram circunstâncias terríveis e venceram o ódio e a opressão pela fé e amor a Cristo. Uma história que continuará sendo uma fonte de inspiração e um marco no meu coração e no coração de milhares de pessoas.
"A medida de uma vida, afinal, não é sua duração, mas sua doação.” Corrie Ten Boom
Fonte: Wikipedia, Livro “Pais que mudaram o mundo”, Livro “O Refúgio Secreto”.
“Modéstia: A Preocupação de um Pastor” - por C.J. Mahaney
Faz quase dois mil anos desde que Paulo escreveu sua carta, mas 1 Timóteo 2:9 ainda permanece uma preocupação pastoral. Hoje o assunto é vestimenta imodesta e sensual mais do que traje ostentoso. É um enorme desafio tratar deste assunto. Eu sei do grande risco que corro de ser mal entendido ou ofender ao abordar este assunto, e da possibilidade de você sentir que estou pecaminosamente julgando ou acusando injustamente.
Por favor, saiba que eu não escrevo como alguém que se autonomeou um crítico. Eu sou apenas um pastor preocupado que sinceramente supõe que a maioria das mulheres cristãs que se vestem sem modéstia não tem consciência da guerra que os homens confrontam diariamente com a luxúria. Elas provavelmente não têm a menor idéia do que se passa na mente de um homem, e que efeito os seus corpos têm sobre os olhos e corações de homens jovens e velhos.
Mas eu não quero que ninguém continue ignorante depois de ler este capítulo. É por isso que eu quero que vocês ouçam dois homens jovens que representam tantos outros. Eu espero que as lutas e tentações deles - que não são exclusivas deles, mas comuns aos homens - a motivará a procurar modéstia e autocontrole por causa de seus irmãos em Cristo.
Primeiro: um dia na vida de um estudante de faculdade que busca pureza:
Cada dia no campus é uma batalha. Uma batalha contra o meu pecado, uma batalha contra a tentação, uma batalha contra minha mente depravada. Todas as manhãs eu tenho que clamar por misericórdia, força e uma convicção renovada para fugir da luxúria jovem. O Espírito é fiel para trazer a renovação de que eu preciso, e para me preparar para guerrear contra meu pecado, mesmo assim tentações ainda existem.
Eu sou grato porque Deus me criou para ser atraído para mulheres. Porém, o campus é um campo minado carregado. Há moças em todos os lugares, e com certeza eu passarei por moças atraentes enquanto eu caminho entre as classes. Para passar pelo dia ileso, ou eu tenho que estar ativamente ocupando minha mente e espírito com oração, citando textos bíblicos, ouvindo músicas de louvor ou olhando para a calçada. Muitos dias eu preciso fazer todos os quatro para estar seguro.
O que as mulheres parecem não entender completamente é que a luxúria é uma tentação constante. É ininterrupta. É agressiva. E ela faz tudo que pode para conduzir os homens até a morte. E as mulheres tem a opção de ajudar ou impedir objetivo e propósito da luxúria. Às vezes quando eu vejo uma moça vestida provocantemente, eu digo a mim mesmo, "Ela provavelmente nem mesmo sabe que 101 homens vão devorá-la em suas mentes hoje. Mas, por outro lado, talvez ela saiba." Para ser honesto, eu não sei a verdade, a verdade sobre porque ela escolhe vestir-se deste modo, caminhar do modo que caminha, agir do modo que age. Eu não sei porque eu nunca me sentei com uma moça e perguntei por quê. Tudo que eu preciso saber é que o modo com que ela se apresenta ao mundo é isca para enrascar minha mente pecadora e eu preciso evitar isto a todo custo.
Na maioria das vezes, a igreja serve como um refúgio para a constante represa da tentação para pecado. Porém, os membros da igreja ainda não estão livres do pecado, e há moças que são ignorantes e alheias às inclinações pecaminosas dos homens.
Eu tenho que confessar que até na igreja pode haver várias minas espalhadas. Para moças que são ignorantes, por favor, ajudem seu irmão em Cristo, e peçam a seu pai para examinar seu guarda-roupa. Pergunte a seu pai como você pode escolher melhor a santidade ao invés do mundanismo. Ele é homem, e ele sabe mais do que você sobre o assunto.
E para as moças que não seguem o padrão do mundo: obrigado. Obrigado mais de um milhão de vezes. Você está seguindo os mandamentos da Bíblia, e você está ajudando seus irmãos no processo.
Eu admiro a luta tenaz deste jovem pela santidade. E eu faço côro com ele na sua gratidão a todas as mulheres que escolhem vestir-se modestamente: obrigado mais de um milhão de vezes. Você está verdadeiramente servindo seus irmãos em Cristo por sua obediência à Palavra de Deus.
Como mulheres cristãs na igreja vocês podem ser uma bênção ou uma distração como o segundo jovem explica:
O lugar onde eu acharia que não teria que enfrentar tanta tentação é na igreja. Mas este nem sempre é o caso. Quando amigas minhas se vestem sem modéstia, isso definitivamente tem um efeito negativo na nossa amizade. Quando ela se veste imodestamente, torna-se difícil vê-la como uma irmã em Cristo. Há uma batalha constante acontecendo enquanto eu estou interagindo com ela. A comunicação se torna mais difícil, mas eu também estou tentando combater a tentação.
Eu também acho que algumas mulheres não estão conscientes de que até mesmo as pequenas coisas podem distrair muito os homens - mostrar uma pequena parte da barriga, ou até mesmo, usar uma bolsa que tem uma alça que fica entre os seios delas, etc.
Eu agradeço muito a Deus pelas amizades que Ele me deu no último ano e meio, e pelas mulheres piedosas em meu pequeno grupo. Eu aprecio muito o sacrifício que estas mulheres fazem para glorificar a Deus, e para servir e cuidar dos homens.
Eu ouvi uma história de uma das mulheres em nosso pequeno grupo que foi fazer compras e realmente gostou de uma camisa que ela estava experimentando. Entretanto ela pensou, "Não, eu não posso fazer isto com os homens." Essa foi a primeira vez que eu ouvi falar de qualquer coisa assim, e eu fiquei muito grato. É uma bênção tão grande ter amigas que se preocupam comigo o bastante para ser abnegadas e sacrificar o que poderia parecer atraente para me ajudar e ajudar outros homens a lidar com luxúria sexual.
Quando as mulheres se vestem modestamente, é atraente e me faz querer sair com elas. Eu acho a modéstia tão atraente e benéfica em amizades; faz com que seja mais fácil uma amizade ser centrada em Deus e não atrapalha o companheirismo.
Homens piedosos acham modéstia atraente. Eles apreciam mulheres que se vestem com autocontrole e moderação. Eles são gratos por mulheres que os servem ajudando-os combater a tentação de cobiçar.
Depois de ouvir sobre as lutas destes jovens, uma moça escreveu pra mim:
Eu tinha uma vaga idéia de que os homens eram mais afetados pela visão do que as mulheres. Mas eu nunca percebi como a tentação era dominante. . . Agora, sabendo um pouco do que os homens passam diariamente, eu tenho um desejo ardente de servir meus irmãos em Cristo. Eu quero fazer da igreja um refúgio para eles.
Graças à supervisão dos meus pais, não acho que o meu guarda-roupa é imodesto. Mas eu posso freqüentemente gastar muito tempo examinando minhas roupas, tentando ver como posso usar o que tenho para atrair os rapazes. Depois da sua mensagem, eu já não tenho o desejo de me vestir imodestamente. Pelo contrário, minha preocupação é proteger os rapazes e ajudá-los na sua caminhada com Deus. Eu não quero que minhas roupas ou comportamento os distraia de focalizar em Deus.
Eu espero que este desejo ardente de servir seus irmãos em Cristo caracterize toda mulher na igreja. Mas a igreja também deve ser um lugar onde o não convertido possa entrar vestido imodestamente e sentir-se acolhido calorosamente, não moralisticamente julgado. Entre mulheres cristãs, aquelas que se vestem imodestamente deveriam ser bondosamente corrigidas - não por pessoas farisaicas que tentam impor preferências pessoais, mas por aqueles que se consideram os piores pecadores, e que caridosamente supõe que o imodesto está fazendo aquilo por ignorância. Modéstia não é responsabilidade exclusiva dos pastores da igreja e suas esposas. É responsabilidade coletiva de todos os membros da igreja.
Este é o quarto de sete trechos extraídos do capítulo sobre modéstia do livro Worldliness: Resisting the Seduction of a Fallen World (Mundanismo: Resistindo à Sedução de um Mundo Caído) - Ed. Crossway, 2008 - de C.J.Mahaney. Publicado no blog Bom Caminho. Traduzido por Priscila Bernardi Heyse e Ester Bernardi Marafigo. Ver os demais trechos aqui.
Você já sentiu como se houvesse uma distância gigantesca entre a mulher que você é e a que você quer ser? Eu sim. A mulher que eu quero ser vive em minha mente, em algum espaço entre minha lista interminável de coisas para fazer e os nomes dos bonecos da Vila Sésamo. Ela é naturalmente paciente. Radicalmente destemida. Ela acredita que Deus é fiel, mesmo quando sente que Ele a esqueceu. Escolhe sempre o melhor para alimentar sua alma em vez da carne, se submete em vez de desafiar, se regozija em vez de queixar. Nunca tem problemas com seus filhos nem importuna seu marido.
Na verdade, a única pessoa a quem ela irrita é a mim. Ela me ilude e me perturba ao mesmo tempo. É a mulher em quem penso cinco segundos depois de ter dito o que eu não deveria ter dito. A mulher em quem penso quando meus filhos estão na cama e eu desejaria não ter sido tão impaciente com eles. Penso nela quando eu encontro alguém tão radiante que parece nunca duvidar de Deus. E também penso nela em dias nublados, quando me sinto culpada por não ter superado o desânimo.
Eu pensava que eu poderia encurtar a distância entre ela e eu dando um salto gigante. Talvez uma conferência de Beth Moore? Um retiro de oração fim de semana? Mas nunca consegui dar o salto. Às vezes eu achava que tinha feito, mas então, inevitavelmente decepcionava a mim mesma. A luta com o mesmo velho pecado. Caía da mesma velha maneira.
Pequenos momentos
Finalmente neste verão pude entender. A viagem de mim para ela é um de pequenos passos. Não é feito de conferências grandiosas nem de experiências que mudam a vida. Paul David Tripp me ensinou isso quando escreveu,
"O caráter e a qualidade da nossa vida são forjados em pequenos momentos. Nos afastamos do significado desses pequenos momentos porque eles são pequenos momentos. [Mas] estes são os momentos que compõem nossas vidas. (O que você esperava?, pág. 58)"
No contexto, ele escreveu sobre pequenos pensamentos, palavras e escolhas que moldam um casamento e criam o cenário para o futuro. Mas esta visão de pequenos momentos é uma maneira bíblica de ver a vida. Em Lucas 16:10 Jesus diz: "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito."
Com isso em mente, tenho feito uma oração simples durante o dia. Se eu estou acreditando numa mentira, lutando com ídolos ou prestes a entrar em erupção no calor do momento, eu oro “Deus, me ajude a ganhar esta batalha deste pequeno momento!” É tudo no que eu foco. Não penso em ganhar cada batalha, ou fazer um plano de santificação pessoal, ou vestir uma capa e escrever na minha testa: Super mãe. Só me foco na pequena batalha em minha frente, e com o poder de Deus e a ajuda de Cristo, eu luto para ganhar. Logo, dez minutos depois, quando o bebê despeja o prato de espaguete no tapete da minha sogra, eu oro: "Deus, me ajude a ganhar a batalha deste pequeno momento!" E assim continuo. Como o homem justo de Provérbios 24:16, posso cair sete vezes, mas pela graça de Deus me levanto, de novo e de novo.
Um de cada vez
Você constrói uma casa um tijolo de cada vez, escreve um livro uma palavra de cada vez, e vive a vida um momento de cada vez. Você e eu não temos que nos tornar na mulher de Provérbios 31 amanhã. Só devemos nos lançar à graça e ao poder de Cristo para viver fielmente hoje. Para fazer a escolha sábia. Para falar com bondade. Para rejeitar o terrível pensamento. Para arrepender-nos e levantar-nos de novo. E um dia vamos olhar para trás e perceber que através de toda uma vida, de um milhão de pequenos momentos, Deus nos fez crescer (1 Co 3:6, Fp. 1:6).
Madre Teresa, Adolf Hitler, Martinho Lutero, Jessica Simpson, todos eles têm uma coisa em comum. Tornaram-se em quem são, um pequeno momento de cada vez. E nós também.
Esse artigo foi publicado em Aviva Nuestros Corazones, e re-publicado aqui com permissão do site.
Há muitas pessoas que duvidam e minimizam a relevância do Antigo Testamento nos nossos tempos. Essas pessoas provavelmente nunca tiraram um tempo para ler o livro de Provérbios. Eu leio Provérbios quase todo dia e fico continuamente maravilhado com tamanha relevância desse livro. Parece que a sabedoria é atemporal. As lições que Davi ensinou a Salomão falam a mim e meus filhos tanto quanto falaram a homens e mulheres do Israel antigo. A sabedoria de Deus dada a Salomão continua a ressoar alto e claro em meu coração.
Se Salomão fosse vivo hoje e perguntássemos a ele como devemos nos relacionar com os outros neste mundo digital, se perguntássemos a ele como podemos honrar a Deus usando as redes sociais disponíveis a nós hoje, aqui está como ele provavelmente responderia.
Conte até dez antes de postar, compartilhar, enviar, submeter. “Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele”. (Provérbios 29.20). Quantas discussões poderiam ser evitadas e quantos relacionamentos salvos se as pessoas fossem apenas um pouco menos precipitadas em suas palavras? Antes de postar um artigo ou antes de comentar um status do Facebook, é sempre (sempre!) uma boa idéia reler o que você escreveu e considerar se suas palavras expressam fielmente seus sentimentos e se expressar tais sentimentos é necessário e edificante. E, aproveitando que estou neste assunto, uma revisão ortográfica também não machuca.
Deixe o insensato em sua insensatez. “Não responda ao insensato com igual insensatez, do contrário você se igualará a ele” (26.4). Há momentos em que é melhor deixar um insensato em seu canto que tentar mudá-lo. Algumas vezes é melhor apenas deixá-lo sozinho do que providenciar mais munição para ele. Isso significa que pode ser melhor ignorar o troll, deixar uma repreensão sem resposta, do que atormentá-lo e sofrer sua ira.
Exponha a insensatez. “Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio” (26.5). Aqui está – a inegável prova de que a Bíblia se contradiz! Estamos respondendo a um insensato de acordo com sua insensatez ou não? Evidentemente essa “contradição” é deliberada e está na Bíblia para mostrar que não há uma lei absoluta nessa situação. Há momentos em que a insensatez deve ser exposta, ou se o insensato é alguém que você acredita estar honestamente buscando sabedoria, ou se sua insensatez prejudicará outros. Se um insensato está impactando outros, afundando-os em sua insensatez, ele deve ser exposto em favor da saúde da igreja.
Saiba quando parar. “Se o sábio for ao tribunal contra o insensato, não haverá paz, pois o insensato se enfurecerá e zombará” (29.9). Há momentos em que você precisa parar em vez de sustentar um argumento. O insensato não tem real intenção de aprender ou de ser sábio. Pelo contrário, eles apenas buscam oportunidades de proclamar ruidosamente as tolices. Pare e então você pode ficar em paz. Desligue, faça log off, apague – faça o que você precisa fazer.
Tenha cuidado com o que você lê. “Como amarrar uma pedra na atiradeira, assim é prestar honra ao insensato.” (26.8). Tenha cuidado com as palavras que você lê e com a sabedoria em que você confia. Os insensatos podem parecer sábios, mas eles ainda guiarão os outros pelo mau caminho. Se você honra um insensato lendo e absorvendo suas palavras, está sendo como uma pessoa insensata que amarra a pedra na atiradeira, tornando a atiradeira inútil e ficando sem defesa.
Evite os fofoqueiros. “As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo.” (26.22). Há muito sites, blogs e perfis de Twitter dedicados quase que inteiramente a fofocas, a compartilhar o que é desonroso em vez de compartilhar o que é nobre. Evite essas pessoas e suas fofocas.
Seja humilde. “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios” (27.2). “O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra.”(29.23). Deixe que os outros te elogiem. Se você nunca recebeu elogios de ninguém, especialmente daqueles que são sábios, pode ser um bom momento para examinar seu coração e examinar se você está andando nos caminhos da sabedoria. Aqueles que são modestos e de espírito humilde receberão honra, enquanto o arrogante será humilhado.
Cuide da sua própria vida. “Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia (26.17)”. Se você já pegou um cão pelas orelhas, você sabe que isso trará problemas. Pegar um cão desconhecido pelas orelhas trará ainda mais problemas. Fique longe de brigas de outras pessoas em vez de entrar nelas como se fossem suas. Pode haver momentos de entrar em uma disputa teológica ou de tentar mediar uma discordância na blogosfera, mas a sabedoria lhe diria para cuidar da sua própria vida.
Não seja um perturbador. “Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará de volta sobre ele” (26.17). Aqueles que existem apenas para trazer problemas aos outros pagarão um preço. E, infelizmente, na Internet há muitos deles. Não seja um!
Examine por que você escreve. “A esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso”(27.14). O provérbio fala de uma esposa briguenta, mas poderia ser facilmente aplicado a qualquer pessoa. Se você está escrevendo meramente para ser briguento ou porque você curte um argumento, talvez seja melhor encontrar outra coisa para fazer. “O que o carvão é para as brasas e a lenha para a fogueira, o amigo de brigas é para atiçar discórdias”(26.21). Não seja o tipo de pessoa que atiça contendas por diversão própria.
Tome cuidado com o que você ensina. “Quem leva o homem direito pelo mau caminho cairá ele mesmo na armadilha que preparou, mas o que não se deixa corromper terá boa recompensa” (28.10). Aqueles que escolhem ensinar outros, aceitam uma séria responsabilidade; se eles levam os outros para o mau caminho, eles devem esperar que haverá conseqüências. Cuidado com o que você ensina, com o que você compartilha, que crenças você expressa. Lembre-se que suas palavras são públicas e que elas podem continuar acessíveis para sempre.
Caminhe com o Senhor. “Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo” (28.26). E aqui está a chave para todas as outras coisas. Confie no Senhor mais do que em você mesmo. Caminhe com o Senhor e nos caminhos de sua sabedoria ensinados nas páginas da Bíblia. Seja um homem sábio ou uma mulher sábia na Palavra e não um tolo que confia em sua própria sabedoria (ou na falta dela). Proteja-se com maturidade espiritual, com a verdadeira sabedoria, antes de aventurar no mundo das redes sociais.
Esse artigo foi originalmente publicado em Challies.com, e re-publicado aqui com permissão do site Reforma21.org. Traduzido por Carla Ventura.
“Esqueceu que você é salvo?” - por Tullian Tchividjian
Porque somos naturalmente muito mais inclinados a olhar para nós mesmos e para nossa performance do que para Cristo e o que Ele fez, precisamos constantemente de lembretes do evangelho.
Se, supostamente, devemos pregar o evangelho para nós mesmos todos os dias, qual é o verdadeiro conteúdo dessa mensagem? Do que exatamente eu preciso ficar me lembrando?
Você já …
Se Deus te salvou, Ele está te dando a fé para crer, você é agora um cristão, e você transferiu a confiança nas suas realizações e habilidades para a realização de Cristo, em nome dos pecadores – então aqui estão as boas novas. Na fraseologia de Colossenses 1, é simplesmente isto: Você já foi qualificado, você já foi entregue, você já foi transferido, você já foi redimido, e você já foi perdoado.
Tem sido largamente aceito que, no grego original, Efésios 1.3-14 era uma única longa sentença. Paulo começa tão submergido na absoluta grandeza, imensidão, tamanho e doçura da maravilhosa graça de Deus que nem sequer parou para respirar. No coração da sua eleição está a ideia de “união com Cristo”. Fomos abençoados, ele escreveu, “nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (1.3): nós fomos escolhidos (v. 4), agraciados (v. 6), redimidos (v. 7), reconciliados (v. 10), predestinados (v.11), e selados para sempre (v.13). Tudo o que precisamos, Paulo diz, já é nosso se estamos em Cristo. Ele já assegurou completamente tudo o que nossos corações estimadamente anseiam.
Uma compreensão estilhaçadora
Portanto, não precisamos mais confiar em posições, na prosperidade, nas promoções, na pré-eminência, no poder, no louvor, nos prazeres passageiros, ou na popularidade que já perseguimos tão desesperadamente por tanto tempo. Dia a dia, o que podemos fazer praticamente só pode ser experimentado assim que chegamos a um entendimento mais profundo de onde estamos posicionalmente – um entendimento profundo do que já é nosso em Cristo.
Eu costumava pensar que crescer como um cristão significava que eu teria que, de alguma forma, sair por aí e obter as qualidades e atitudes que estavam em falta em mim. Para a maturidade verdadeira eu precisaria achar um caminho para conseguir mais alegria, mais paciência, mais fidelidade, e assim por diante.
Então, cheguei a uma estilhaçadora compreensão de que não é isso que a Bíblia ensina, isso não é o evangelho. O que a Bíblia ensina é que amadurecemos à medida que chegamos a uma maior compreensão do que já temos em Cristo. O evangelho nos transforma precisamente porque não é em si uma mensagem sobre a nossa transformação interna, mas, sim, sobre a externa substituição realizada por Cristo. Nós, desesperadamente, precisamos de um Advogado, um Mediador, e um Amigo. Mas, o que mais precisamos é de um Substituto. Alguém que pôde fazer e assegurar por nós o que nós nunca poderíamos fazer ou assegurar por nós mesmos.
Menos de mim, mais de Jesus
O árduo trabalho do cristão é pensar menos em si mesmo e em sua performance e mais em Jesus e na performance dEle por mim. Ironicamente, quando nos focamos principalmente em nossa necessidade de melhorar, na verdade, pioramos. Nos tornamos neuróticos e concentrados apenas em nós mesmos. A preocupação com os meus esforços acima dos esforços de Deus por mim me faz cada vez mais autocentrado e morbidamente introspectivo.
Você poderia afirmar isso desta forma: santificação é o árduo trabalho diário de voltarmos para a realidade da nossa justificação – recebendo as palavras de Cristo, “Está consumado” em partes novas e mais profundas do nosso ser a cada dia, em nossas regiões rebeldes de incredulidade. Isso é voltar para a certeza de nosso perdão garantido objetivamente em Cristo, apertando o botão “reset” mil vezes por dia. Ou, como Martinho Lutero colocou tão adequadamente em seu Prefácio à Carta de São Paulo aos Romanos “progredir é sempre começar de novo”. O real progresso espiritual requer um diário “regredir”.
Em seu livro Porque Ele me ama, Elyse Fitzpatrick escreve sobre a importância da memória no crescimento cristão:
Uma razão pela qual não crescemos em ordinária e grata obediência como deveríamos é porque temos amnésia, nós esquecemos de que somos limpos dos nossos pecados. Em outras palavras, a falha em curso na santificação (o lento processo de se tornar parecido com Cristo) é resultado direto da falha em lembrar do amor de Deus por nós, visto no evangelho. Se nos falta o conforto e segurança que o Seu amor e perdão são destinados a fornecer, nossas falhas vão ser como algemas aos nossos pecados de ontem, e não teremos fé ou coragem para lutar contra eles, ou o amor de Deus [do qual nos esquecemos], que é destinado a capacitar essa guerra. Se nós falhamos em lembrar da nossa justificação, redenção, e reconciliação, vamos lutar ainda mais na nossa santificação.
Em outras palavras, o crescimento cristão não acontece primeiro por nos comportarmos melhor, mas por crer melhor – crendo em maiores, mais profundos e mais luminosos caminhos que Cristo já assegurou para pecadores.
Pregue isso para você todos os dias e você irá experimentar cada vez mais a escandalosa liberdade que Jesus pagou tão caro para garantir para você.