Eu, na minha melhor camisa, limitei-me ao desprezo porque pronto… pobre ser. Ele insiste com um tom mais elevado: - QUAL É O SENTIDO DA VIDA? Descontraídamente, encho os pulmões, dirigo-me a ele, fito-lhe a testa por 10 segundos, e debito pontilhosamente: - O sentido da vida é o que o que senhor quiser. (conto interiormente até 4, fitando a sua testa franzida) 1 2 3 4 - Para as pessoas que seguem religiões, levar uma vida regida pelos ensinamentos do seu ou dos seus deuses em harmonia com o meio envolvente, com vista à elevação do espírito é o sentido da vida. Para outros, o sentido é da prosperidade. De levar uma vida em que se conseguiu acumular mais bens capitais que os seus pais. Dar à sua descendência mais do que a sua ascêndencia lhe deixou. Alguns levam a vida no sentido mais hédonista. Buscam o prazer imediato. As acções são feitas de maneira a tudo o que é feito é rentabilizado num curto espaço de tempo. Alguns acreditam que as pessoas que vivem assim tendem a ser menos felizes no longo prazo. Eu considero que existe, alguns factores que podem ter influência no rumo tomado por uma pessoa. Eu diria: O contexto social, a educação e o core interior/ vulgo coração. Ao que o tipo excessivamente agasalhado e mal-cheiroso responde, obrigado mas já sei isso tudo. Não me está a dar novidade nenhuma. O que eu precisava era mesmo de ouvir algo que nunca tivesse ouvido. Coço o pescoço, limpo com a palma da minha mão o suor invisível invísivel da minha calva cabeça e digo-lhe: ah! esqueci-me, existe também considero outro grupo, que têm o seu próprio sentido de vida. As transparentes. As transparentes? Sim, transparentes. Não transparente no sentido de não terem nada a esconder às outras pessoas. Ou melhor,.. nem se pode verdadeiramente considerar que escondem algo a alguém. São transparentes no sentido de não terem real envolvência nem importância nos assuntos do seu trabalho, da sua família, dos seus conhecidos. Ninguém os ouve, não acrescentam valor. Só ocupam espaço, porque se nem isso fizessem, aí seriam de facto transparentes. Se desaparecem, são facilmente substituiveis e passado uns dias já ninguém dá falta deles (isto se alguém alguma vez deu) Oliver traça um sorriso perpendicular às suas orelhas. Levanta a pestana direita e frisa o lado esquerdo da cara. Estávamos a falar do sentido da vida. Está-me a falar-me de tipos de personalidade. Está, engenhosamente, a querer dizer-me que faço parte desse grupo, porque a minha conversa é-lhe enfadonha. Apenas fui sincero e disse-lhe que não me comuniquou nada de relevante. Disse-lhe que gostava que me cantassem algo novo. O senhor menospreza-me e diz que o eu estar ou não estar é igual para o mundo. O que eu concluo, é que, de facto, a vida é desprovida de sentido Olhe sabe, eu nem tenho que falar consigo. Só falei por misericórdia, e porque o queria ofender de alguma forma. A sua presença incomoda-me e para mim o desprezo e cobardia são actos de seres vazios. O senhor está completamente livre de dar o sentido que quer à sua vida. Porém, lembre-se apenas de uma coisa: Se faz essa pergunta a um completo desconhecido na rua é porque certamente se sente vazio. E entrego-lhe uma novidade de ultima hora: Esse vazio não se enche com balbucinanços inovativos de pessoas que não o conhecem. Pare de se questionar e esperar respostas: Va mas é trabalhar pá.









