hajoon.
a proximidade entre os dois lhe dava grande ansiedade, não por conta da paixão inquietante de outrora ( também por isso, mas não somente ) e sim por todas as coisas não ditas que pairava entre eles. o dedo de hajoon desliza para frente e para traz no tecido da calça que ele usa, o rosto fixo em luzes brilhantes presas nas árvores próximas a eles. prontamente, se vira para o xiangyi. ela sabe o que ele quer dizer e se sente mal por não conseguir organizar os pensamentos de uma forma que pudesse apagar aqueles de xiangyi. para alguém que geralmente tem jeito com as palavras, é frustrante não conseguir achar as certas para aquele momento. “ obrigado, ” responde com a voz mais baixa. ele não acha que se iguala à beleza de xiangyi naquela noite, nem de longe. na verdade, nem nunca. “ não. eu… vim sozinho, ” ele assente. faz silêncio por um momento. tem algo incômodo dentro do peito dele. se lembra das sessões de terapia, de tudo que a psicóloga lhe disse, e isso o ajuda a falar. “ xiangyi, eu queria ter vindo com você. me sinto idiota por não ter falado com você, e não estou falando só de hoje. ”
o silêncio paira entre eles de uma forma que chega a doer. mas não a dor física que xiangyi pensava aguentar, mas uma dor que consumia o peito inteiro até não restar mais nada batendo ali. irônico, ele nunca pensou que algo realmente batesse ali no peito dele até estar se dando conta de toda aquela dor. engole em seco, alisando a própria roupa naqueles gestos inquietos de sempre, como se tivesse algo errado consigo mesmo, parado. ele era uma pessoa que não conseguia ficar parada, quieta, sem que coisas ruins lhe passassem a cabeça e, naquele momento, ele engolia todos aqueles péssimos pensamentos para conseguir estar ao lado de hajoon. apenas ao lado dele, não tinha muito direito de exigir algo mais. ele assente com a cabeça e dá um sorriso desconfortável logo em seguida. " entendo. ", é a única coisa que consegue tirar da boca naquele momento. ele se põe no silêncio amargo mais uma vez antes de ouvir aquele enxurrão breve de palavras, ditas de uma vez só. xiangyi morde a ponta da própria língua até doer. " eu devia ter te convidado, não foi culpa sua. " ele respira fundo. " não é culpa sua a última parte também, eu não te culpo não me querer ao seu lado, na verdade. não tem como eu te culpar. " as palavras saem cruelmente tristes em uma tonalidade que xiangyi nunca saberia reconhecer, em meio a um turbilhão de sentimentos que ele ainda não entende, sua cabeça começa a latejar. " mas... mesmo eu não te culpando, mesmo eu entendendo, eu... " como semrpe xiangyi não é bom com as palavras, mas engole e tenta mais uma vez. " eu... eu gostaria de passar o dia de hoje com você. se é a festa do amor, faria sentindo eu passar ela com a pessoa que me ensinou o que é... " ele gesticula, para todo o ambiente, porque a palavra não sai: amar.













