“Jungmi não era do tipo que costumava ser agressiva com os outros. Obviamente, tinha pavio curto e se estressava fácil, soltando alguns palavrões e xingamentos, mas raramente chegava ao ponto de ameaçar alguém ou partir pra violência. O que estava acontecendo ali, era apenas fruto do estresse de uma garota que além de ter visto uma pessoa doce e meiga ouvir coisas que machucam profundamente, ainda tinha passado a noite inteira acordada lidando com suas crises de pânico.
Jieun, foi somente alguém que a novata encontrou para canalizar a sua raiva, um acidente naquela tarde. Suas palavras irritavam a mais nova, deixando-a cada vez mais estressada. Completamente cega, não levava em consideração nenhuma das palavras ditas por ela. Seu coração disparava, como um sinal de que alguma coisa ruim aconteceria.
Ouvir da mais velha, que talvez Daniella tivesse a mandando ali para lhe chantagear foi o que estava faltando para que a ex modelo saísse do sério. A garota se levantou num pulo, os lábios cerrados, os olhos encarando firme a expressão de medo no rosto delicado da chinesa. Sua destra agarrou com força o copo que antes era seu objeto de distração, e não hesitou em momento algum em despejar o líquido na face da outra. Observou com tamanha raiva o líquido roxo se espalhar pelo rosto e uniforme escolar da garota, e então subiu em cima da mesma, para chegar ao outro lado, onde a mesma estava. Suas mãos agarraram com força a gola da blusa alheia, e com os dentes cerrados e a testa quase colada na da menor, soltou um "Jamais tente colocar a culpa de algo em alguém que não está aqui pra se defender, Jieun", soltando a mais velha com raiva, só disse mais uma coisa antes de dar as costas: "Você é uma mimada, e quando tem a chance de se redimir só acaba sendo ainda mais mimada, e devia se lembrar que eu não sou garota de recados".
Jungmi olhou em volta pela primeira vez, notando os olhares dos outros alunos que pareciam bastante incrédulos com a situação. E mentiria se dissesse que também não estava. Sua atitude assustava até ela mesma, já que sabia que não estava certa em dizer aquelas coisas, muito menos em fazer. O único pensamento que tinha para lhe confortar era que talvez ela merecesse aquilo.
"Espero que goste de uva".”