Diário de uma detenta
Capítulo 2
"O vazio"
Sigo em uma prisão onde não tem grades, antes pensava que o mal estava dentro de mim, mas agora vejo que apenas estou sofrendo de um vazio profundo, estou sufocando, e devo sair disso antes que meu corpo se esvazie do sopro da vida.
Um dia você é livre, para ir, vir e fazer o que bem entende. É feliz, tem seus amigos, suas conquistas, suas guerras, e suas festas, mas não parece suficiente até você entrar em um lupim infinito mais uma vez. "Essa novela eu já vi antes", pensa você, tentando loucamente se segurar na idéia mais firme que há dentro de ti, luta contra tudo que está sentindo, pensando, mas a quem quer enganar, na verdade você está apenas mantendo as aparências, e quem não?
Em um mundo de aparências, você tem obrigação de parecer normal, parecer que está tudo bem, que vai se manter bem, e que nada poderia te atingir, até que um dia você percebe que ninguém precisa saber nada sobre isso, e se você precisar se reerguer, só poderá contar com você mesma, para preencher este vazio que agora, toma conta de tudo. O mesmo vazio que talvez, algum dia trará mais sentido para você do que jamais pudera imaginar antes.














