Desci do barco, em mar aberto. Talvez fosse uma questão de perspectiva.
Mesmo a talassofobia batendo forte, era preciso uma inspeção mais técnica no estrago feito pelas tempestades que desbravei ao longo do caminho. Depois de tanto atracada, fez-se necessário avaliar as condições para seguir em alto mar.
E o que encontrei foi muito pior. A facilidade com que os buracos se abriram durante as intempéries foi dada pela estrutura, que mal se sustentava. Do leme ao mastro, uma rachadura despercebida em todos esses anos.
Me aproximei dela e, ao tocar as fibras partidas, a rachadura se abriu ainda mais, revelando-se mais profunda.
Não bastariam os remendos tantos quantos fossem, ainda encobriu-se o principal, me cegando do que precisava ver.
Agora que vi onde nasce, os remendos se desfizeram ao perder o sentido: é impossível remediar.
O leme deteriorado direcionara a história para marear em círculos, e não percebê-lo me levou a crer que sou o pior marujo já visto nos sete mares.
Como navegar num barco quebrado da origem?