Todos os jeitos e trejeitos, daquela que me fascina.
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@a-nossa-carolina
Todos os jeitos e trejeitos, daquela que me fascina.
Quando a Ana Carolina apareceu na novela global, Celebridade. Exibida no ano de 2003/2004.
“O amor é azulzinho...”
Ela chorou por um minuto e eu choro sempre que vejo essa imagem. Estamos sempre acostumados a vê-la sorrindo, brincando, séria e/ou com a postura de que nada a abala. Muitos atacam de diversas formas, falam coisas muito ruins, ultrapassam os limites e esquecem que ela também é um ser humano. Que tem problemas, traumas, dificuldades, sentimentos, etc. assim como basicamente todos nós. Ela não é só uma capa de CDs e DVDs, ou a voz que canta “aquelas músicas tristes” como muitos falam, nem somente a figura ou a persona que ela mostra ser publicamente. As pessoas olham umas fotos, assistem alguns vídeos ou vão em shows e acham que a Ana Carolina é inatingível, inalcançável ou inabalável. Mas para quem já leu o seu livro, leu ali também o seu íntimo. E não vou negar, doeu em mim. Doeu senti-la tão humana. Doeu saber que ela também é atingível e abalável. Doeu sentir de alguma forma o que jamais cogitaria que existisse por trás da persona Ana Carolina. Mas a beleza daquelas palavras me fizeram reler o livro umas quatro vezes. A beleza daquela alma. A beleza da poetisa que já sabia existir, mas vi e prestigiei o seu nascer. Ana Carolina tem esse dom de dar uma beleza a nossa dor. Antes, com sua voz, hoje, com suas palavras também. E digo mais, não há melhor coisa para se ter de um ídolo, do que a verdade de quem ele é. E ela nos deu isso. Quando alguém me perguntar “quem é Ana Carolina?”, não direi mais a lista - bem extensa - das coisas que ela faz. Apenas direi “leia o Ruído Branco”. Conhecerás assim a verdade arrebatadora de quem é Ana Carolina. E, por tabela, talvez conhecerás algumas tuas. Pois foi o que me aconteceu. É o que sempre me acontece, desde que ouço as músicas ou leio/vejo algumas entrevistas. Me (re)conheço. E me reconheci em muitas de suas poesias. Tanto. E já nem sei o que doeu-me mais em ler: o íntimo dela ou o meu. (P.s: Esse gif foi retirado do programa Sem Censura, Ana se emocionou após a Leda ler “O silêncio”, poesia que ela fala sobre seu pai e sua meia-irmã.)
HG – Agora sobre os figurinos… Por que tanto preto? Ana – Não tenho nada contra o preto e nenhuma cor, respeito todas as cores do arco-iris. Não sou uma WIB Women in Black, relaxem.
Hugo Gloss/2013
HG – Aliás, você é pegadora? Eu sei que as suas festas são babado! Ana – Isso é uma pergunta ou uma afirmação? Você está muito ai se eu te pego com o badalo na balada, babado”. Risos. O povo fala o povo fala mesmo. Risos. Sou na minha, Glossssssssssss.
Hugo Gloss/2013
“Eu não gosto da Ana Carolina!” “Beleza, fera. Mas ninguém te perguntou nada.”
HG – Por que você acha que suas fãs são tão escandalosas? Não te irrita tanta gritaria nos shows? Ana – Faz parte do show de todo artista que se relaciona com seu público no campo das emoções e dos sentimentos descritos em uma música. É carinho e paixão, os fãs sabem que tipo de show eles estão, não sou uma “boy band”, meus fãs apreciam a música e na hora de animar, eles animam.
Hugo Gloss/2013
HG – Em entrevista ao UOL você disse que não quer levantar bandeiras porque é um preconceito ao contrário. Ao mesmo tempo o seu álbum é cheio de citações gays, como “No Rio o beijo gay não choca mais”, “Eles falam de mim porque eu sou diferente, eu falo deles porque são iguais” (eu entendi como uma referência a homofobia). Não é contraditório? Ana - Ótimo você tocar nessa questão. Esses versos tratam disso, se alguém disser que você é diferente, fale deles também, pois eles são iguais a você. Somos todos diferentes individualmente, mas iguais como humanidade e deveríamos nos ver assim, sem grupos, guetos, partidos, inimigos. Fui entrevistada pelo Uol para falar do meu disco, vieram com questões sobre o casamento da Daniela Mercury e Marco Feliciano, e eu disse que obviamente apoiava Daniela, somos amigas, e que não perderia tempo em falar dele. Quem me conhece e acompanha minha carreira sabe que sempre apoiei, dei voz a causa gay e falei abertamente sobre minha sexualidade. Levantei bandeiras nesse sentido e literalmente, no entanto quiseram interpretar minhas palavras para criar uma “faceta” da minha pessoa, que não corresponde a realidade. Sei dos meus princípios e sou fiel a eles e ao meu público. Só posso ser a favor da igualdade de direitos e disse o que acredito, devemos ser todos iguais, não deveria haver grupos distintos “nós gays”, “eles héteros”, “nós negros”, “eles brancos” e que, se nos tratarmos como iguais, sem preconceitos ou diferenças, não precisamos parecer “diferentes” aos olhos de todos. Somos uma coisa só, seres humanos. Todo mundo tem que ser quem é e de preferência ser feliz. Inclusive, quero que todos leiam a resposta ao Bloggay falando sobre essa entrevista.
Hugo Gloss/2013
Tão neném quando dá as gargalhadas, que sim, sorrio feito besta junto!
Amo as caras e bocas dela sim! Bicha lindaaaaaa!
PAS: “Essa merda é inteligente”, “eu sou inteligente”? AC: E aí é questionável. Eu também sinto isso, às vezes alguém diz que tal filme é sensacional, “cara, tem que ver!”. Sou cinéfila, vou, faço lista e anotação, já assisti a mais de 1500 filmes, mando pros amigos. Também tenho esse espírito de porco que vocês têm, se falam muito eu já demoro pra ver o filme, fico menos complacente. A gente é meio resultado das pessoas que estão à volta. Sinto, por exemplo, que vocês críticos têm amigos críticos, e não só isso, como tem pessoas que estão ao lado de vocês, “fala mal lá de fulano!”. PAS: Você entende que muitas vezes esse sujeito ao lado dizendo “fala mal de fulano!” é exatamente o fã do artista? AC: Sim! PAS: O fã gosta que o crítico fale mal, porque aí ele vai poder ficar contra o crítico, a favor do artista. AC: A vida é isso, não tem jeito. Eu estava perguntando pra um amigo que escreve, e ele estava falando de outro amigo que também é crítico: “Se ele falar ‘não gosto’, na hora eu já vou achar que não é bom”. Então é assim?! É um cartel? É um negocinho meio fechado. PAS: Cartas marcadas.
Farofafá/2013
Quando o rosto pessoa é uma obra de arte.
PAS: É um clichê que todos nós precisamos desafiar, não? Se o público gosta a crítica não gosta, e vice-versa. É tudo fórmula também. AC: Noto que, se for algo com um cunho mais sexual, a crítica não gosta muito. Como se os críticos não tivessem pau nem comessem as bocetas das mulheres deles. O cara não sente nada ali. É como se a emoção não pudesse afetá-lo. E outra coisa também: quando o crítico não entende a canção, ele tende a gostar. “Porra, não entendi essa merda, deve ser legal”.
Farofafá/2013
PAS: Você descobriu uma fórmula de sucesso, é isso? AC: Não existe uma fórmula. Tem um público aí que me acompanha. Eu sou uma artista que vendo o quê? No máximo 100 mil cópias de um disco, hoje. Já vendi 1 milhão em um ano, em 2006, com o disco Ana & Jorge (2005, com Seu Jorge) e a coletânea Perfil. Tem as pessoas que vão comprar de novo? Pode ser que sim. Mas a gente tem isso por base, pode ser que sim, ou que não também. O disco N9ve (2009) caminhou pra um lugar de harmonia um pouco mais sofisticada – pensando na canção “Traição”, que fiz com Chiara Civello, mas gravei com Esperanza Spalding e Daniel Jobim, ou no samba “Torpedo”, que fiz com Gilberto Gil. Eu tinha um e-mail em que falava com as pessoas, com os fãs, e fui massacrada nesse disco. Massacrada, de ficar preocupada. A árvore do sucesso te deixa numa sombra, e se tenta sair você pensa: será que esse sol vai me queimar? Será que consigo ficar aqui? Não, mas eu vou ficar aqui. Fiz o N9ve, fiquei pegando aquele sol ali, mas a cada e-mail pejorativo que chegava… Diziam “não estou entendendo onde você quer chegar”, “não vou mais no seu show”. Criticavam a música “Era”, que é supercomplicada de entendimento, com arranjo do Arthur Verocai.
Farofafá/2013
É meu neném sim! ❤