você começou como um silêncio barulhento, como quando a chuva cai forte, mas a sensação é de paz. você sempre me explodiu e me juntou na mesma proporção. ao seu lado eu me encontrei e me perdi. talvez tenha me perdido enquanto me encontrava, porque se perder faz parte do processo de se achar. descobri coisas sobre mim que eu nunca pensei que iria descobrir por causa de um outro alguém. sempre acreditei que tudo em mim só podia vir de dentro. de mim mesma. das minhas mudanças, andanças, descobertas. mas você apareceu e eu me vi amando traços que não sabia que um dia iria amar. me vi dando importância pra coisas que nunca pensei que um dia fosse me importar. valorizei a letra de cada música que você colocou no meu caminho, mesmo que antes eu só me importasse com a batida. eu chorei e senti medo, porque amar também é temer o fim. é temer a perda. é como quando a gente sente uma felicidade absurda, quando a vida se arruma e tudo começa a dar certo, mas bate o medo do que vem depois. medo de quando a tristeza e a desgraça encontrarem o caminho de volta. a gente sofre tanto por tudo o tempo todo que às vezes é difícil só se permitir aproveitar o momento. aceitar de braços abertos que a vida às vezes é boa. e tu foi a minha parte boa. mas depois começaram os ruídos. a gente sabia que ia terminar. que em determinado momento o nosso nós perdeu o sentido e que só não queríamos abandonar os planos, porque foram importantes pra nós dois. porque às vezes é muito mais fácil abraçar e viver no passado do que sofrer e planejar um novo futuro. a gente lutou, suportou e suportou e suportou, até que um dia você chegou e sentou ao meu lado naquele nosso sofá velho que eu odiava, mas você amava. você lembra o que me disse? eu nunca na vida vou esquecer o modo como você colocou a mão no meu joelho e não disse nada por minutos que me pareceram horas. eu sabia que finalmente um de nós estava abandonando a batalha. você foi bem mais corajoso que eu, te admiro e te agradeço por isso. você me perguntou se eu ainda o amava e eu respondi que sim. você disse que também me amava e que por isso era difícil. nós não falamos mais nada. nada. nosso fim terminou com um eu te amo e o silêncio, porque briga alguma consertaria o que quebrou no caminho. discussão alguma reacenderia qualquer paixão entre nós. foi o silêncio de quem diz que palavra alguma poderia descrever a dor e o vazio que é reconhecer que só amar não é suficiente, e eu nunca quis tanto que essa afirmação estivesse errada. te amei tanto, tinha que ser o bastante, mas não foi.
outroeu











