Eu achei que seria leve.
No começo, parecia fácil não esperar nada,
não me apegar,
não criar história onde ainda era só começo.
Era como se eu pudesse entrar
e sair sem me machucar,
como se eu soubesse exatamente até onde ir.
Mas o tempo passou…
E, sem perceber, eu fui ficando.
Fui esperando.
Fui sentindo.
Tem dias que você chega perto
e eu me sinto escolhida,
vista, querida de um jeito que acalma.
E tem dias que você some
sem sair do lugar,
e eu fico aqui tentando entender
o que foi que mudou —
se foi você… ou se fui eu.
E é aí que dói.
E é esse vai e volta que me quebra.
Essa presença que aquece
e essa ausência que esfria tudo de uma vez.
Esse momento eu percebo
o quanto eu já tô dentro disso,
o quanto isso me atravessa,
mesmo quando eu tento fingir
que não é tão importante assim.
Eu me pego pensando em você
mais do que eu gostaria.
Me perguntando coisas
que eu nem queria perguntar.
Criando respostas pra um silêncio que não é meu.
Eu já tentei te diminuir dentro de mim,
te olhar com mais razão do que sentimento,
me convencer de que você nem é tudo isso…
mas não adianta.
Porque tem algo em mim
que volta,
que insiste,
que sente.
E aí eu me perco, me canso…
Cansa não saber.
Cansa esperar um posicionamento
que nunca chega inteiro.
Cansa essa dúvida que não tem nome,
mas pesa como se tivesse.
Você não me faz mal por ser ruim comigo.
Você me faz mal por não ser claro,
por não ser inteiro
quando eu preciso que seja.
E agora…
já não tá mais leve.
Tá doendo.
Tá me confundindo.
Tá me fazendo perder um pouco de mim.
E eu não sei até quando
vale a pena ficar
até onde eu preciso me diminuir
pra caber na ausência do outro.


















