Lembro-me do primeiro ataque a Inition, As Primeiras Cinco estavam ao redor das águas da vida quando aconteceu. Larici, uma de minhas irmãs, foi a primeira a nos alertar do ataque que vinha de cima. Larici era a responsável pelas fronteiras de nosso lar, vocês a conhecem como Emma, esse é seu nome terrestre.
Bom, jamais havíamos testemunhado um ataque antes. No início ficamos extremamente confusas e Inition ficou também, podia sentir a energia pura das águas da vida se agitando pelas entranhas de nossa casa. A hostilidade que vinha dos que atacavam, a hostilidade que vinha de fora perturbava a paz e a pureza de nossa casa. Minhas irmãs, confusas, agruparam-se entre o Vale do Kiu e as águas da vida. A Primeiras Cinco não deram nenhuma ordem, elas continuaram sentadas em volta do lago, pareciam estar em paz.
Nós, A Elite das Nove, juntamente com As Quatro Guardiãs enfrentamos o povo sem luz que nos atacou de cima. Eles chegaram, muitos deles em grandes objetos metálicos chamados de naves, e tentaram nos aniquilar. Eles eram os Bl’ed, um dos primeiros planos a serem criados a partir de Inition. Um plano sem luz, nem ás águas da vida conseguiram transformar aquela essência em algo luminoso. Eu podia sentir a inveja deles, eu podia sentir a raiva deles. Eram sentimentos novos, eu não sabia os nomes na época. Não soube até chegar na Terra.
Lutamos contra eles por um tempo, descobrindo o que era matar pela primeira vez. Rylli e Rera não gostaram da sensação, elas me disseram. Eu também não gostei da sensação, ter sangue de outro povo em minhas mãos. Um povo criado por Inition, abençoado pelas Águas da Vida e mortos por nós, guerreiros IN. O tempo também foi um mistério, nós não contávamos o tempo como os humanos contam. A guerra pode ter durado um dia, um mês, um ano. Nunca soubemos exatamente.
Lembro-me de como vencemos. Lembro do líder dos Bl’ed ajoelhando-se na terra de Inition, uma arma afiada nas mãos enquanto me encarava com os olhos cor ônix. Lembro-me de sermos só nós dois, ele gabando-se da inteligência precária de seu povo. Eu estava cansada. Eu estava em choque. Havia matado muitos deles naquele tempo, carregava o sangue deles em minhas mãos.
Lembro-me de enfiar uma de nossas Gahei nele. Uma de nossas ferramentas usadas como arma. A sensação da Gahei atravessando o corpo dele, cortando o discurso barato que ele usava para ofender meu povo, os IN.
Lembro-me de que os sobreviventes foram embora sobre os gritos de minhas irmãs e d’As Quatro Guardiões.
Lembro-me de vencer. Lembro-me de matar. Sensação que ainda não consegui esquecer.
- Liel (Sophia).












