Esse sentimento estranho
Isso não é sobre orgulho. Em nenhum aspecto da palavra. Mas quando acorda - ás 9:00, com a cara amassada e o ego ferido - é a única palavra que consigo pensar para descrever aquele tempo. Orgulho. e já abro um parenteses aqui. esse orgulho não tem nada a ver com o ego que venho pisando há mais de um ano. Tem a ver com a sensação de realização com que terminava o dia, quando descia do ônibus, por volta das 22h, com os olhos inchados de sono, as pernas ardendo e um sorriso enorme no rosto. Sorriso que não dependia de nenhum romance. Aliás, na época andava sempre com o coração partido e a auto estima na palmilha do velho all star. E sabia o que me esperava em casa. Mesmo assim, levantava ás 6 da manhã, ia dormir depois das 3 da madrugada e achava um bom tempo pra sorrir. Descia a rua de casa toda noite enumerando a sorte que tinha em ser eu mesma. E, nesses instantes, apesar de todos os meus inumeráveis defeitos, não trocaria de lugar com ninguém no mundo.
Inveja também vem sendo uma palavra recorrente. não como uma palavra, mais como uma sensação, aquela queimação que começa na base da espinha e que atravessa seu corpo até achar o caminho para seu estômago e que você tenta matar antes que seu cérebro formule a palavra: inveja. Dizê-la então, é impensável.
Tudo isso é muito estranho. Tudo. O fato de você acabar idolatrando você mesmo de um tempo diferente e confuso. O modo como foge do antigo tumblr como se tocá-lo fosse queimar a pele.O gosto azedo de morte que sente na boca ao ver os cadernos antigos do colégio, e a verdadeira vontade de morrer ao ver seus maiores medos serem atirados em você sem piedade pelo irmão sem coração. E você para. E sorri. E aí lembra de quando sorrir era motivo de orgulho e não um rasgo na sua cara para esconder que está totalmente quebrada. E não faz a mínima ideia de como achar o caminho da cola.








