Não tem jeito não A gente sempre espera piorar A gente sempre deixa de cuidar Do que já tem na mão Mas é sem querer Sem querer
Cícero
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Não tem jeito não A gente sempre espera piorar A gente sempre deixa de cuidar Do que já tem na mão Mas é sem querer Sem querer
Cícero
mas é que eu realmente gosto de te devorar com os olhos antes de tocar tua pele.
eu não tenho pressa em te amar.
tocar a ponta dos seus dedos. olhar no fundo dos seus olhos e perceber aquele teu sorriso torto que você dá quando sua timidez toma conta de você. entrar no teu abraço e querer permanecer ali por toda uma vida. passar a mão pelo emaranhado do seu cabelo. sentir o perfume da curva do teu ombro e me encaixar ali. tentar decorar todos os sinais espalhados por toda a extensão da tua pele. querer memorizar tua voz e tua risada só para ficar repassando na minha cabeça por horas, depois. tocar teus lábios. encostar meus lábios nos teus. roubar teu gosto. deixar meu gosto em ti. ouvir com atenção cada uma das suas histórias. tentar entender todas as coisas que você tentar me explicar. rir quando você não souber o que dizer. me deitar com você. te observar dormindo e te achar o ser mais lindo do mundo. planejar um futuro com você. pensar em ter filhos um dia, casar e toda aquelas coisas que a gente imagina quando ama. desejar mais do que tudo realizar tudo com você.
entrelaçar minha vida na tua.
pra sempre.
por vezes eu me reconstruí sem ninguém notar que já não era mais eu ali.
é tudo um processo sobre construir seus próprios muros e pontes e saber a hora de demolir tudo e começar de novo
“Sem ter amor não é viver.”
Vinicius de Moraes.
Eu vi estrelas no céu, mãe, eu comi estrelas e agora elas brilham em mim, eu estou chorando porque quero voar mas não consigo, o céu, mãe, eu quero morar no céu onde ninguém machuca meus braços e as minhas mãos não são esmagadas; aqui eles apertam a minha voz, aqui eles chutam meus sonhos para a vala, aqui eles querem me ver preso à dor. Eu não aguento, o paraíso é muito distante daqui? Porque se der, eu vou a pé, eu vou com os pés no chão contando os minutos para que eu veja tudo indo embora: você, meus amigos infelizes, meus professores angustiados, a população morrida, mãe, as guerras na Síria me afetam, há poetas perdendo seus dedos pra guerra e a gente só pode pedir para o infinito os guardarem, e a seca dos interiores consomem meu cérebro, a gente pode levar água mãe, a gente pode salvá-los, diz que sim, eu não aguento esse mundo, estão pisando nos meus ombros, eu não suporto o peso da roda-gigante, do tic-tac, da solidão que pede meu corpo e eu, sem forças, o dou. Amazing grace, se eu pudesse colocar essa música para tocar para os africanos que passam fome agora, mãe, eu faria; eles devem precisar de comida, e aqui dizemos que livros saciam. Saciam mesmo? Acho que se jogássemos páginas no deserto eles rasgariam-nas e comeriam-nas até dar disenteria. Eles riem quando digo que quero ser um elefante ou uma girafa, e por quê? A beleza do mundo perdeu-se entre tantos computadores e falas absurdas, os apartamentos contêm mais objetos do que sentimento, eu não aguento isso eu não aguento isso, poesia é motivo da chacota e porque decoro poemas me chamam de louco, mãe, eu estou morrendo aqui, estou perdendo meu fôlego, o paraíso está perto? meus pés doem, cadê a água, e meus amigos, e os livros, e poesia mãe a poesia, cadê? Os Estados Unidos ainda mandam no mundo, eu preciso engolir o sistema para estudar, o metrô parece uma prisão à luz do dia, eu estou com preguiça de viver, eu desabafei demais, mas mesmo assim eu falo sozinho, meu melhor amigo são as palavras e elas ainda assim nem dizem tudo, elas só dizem um pouco. Mãe, hoje me machucaram, falaram que eu sou antissocial, e o que é ser isso, mãe? Isso é legal? É que eu só me preservo de todas as facas que me lançam, eu queria flores, e poemas, e canções; queria abraçar o mundo que sofre sem causas aparentes. Mãe, o paraíso já chegou? meus olhos estão se fechando, eu já não vejo nada… mãe, eu não sinto nada.
Floresinexatas
a vida vai queimar em você em dias específicos da semana: quarta, sexta, domingo. a vida não poupa ninguém. a vida vai te fazer agachar no quarto-escuro à noitinha de um feriado - hoje? - e a vida fará você se recordar dos erros para nunca mais cometê-los. a vida não poupa ninguém. a vida lamberá suas cicatrizes e te fará um ser curado. você vai se perceber curado daquele buraco no peito em algum dia, também específico, enquanto lava-se a louça, observa-se o céu, escreve-se. você estará curada do queimão, da falta de ar, da hipersensibilidade. a vida vai te ensinar tanta coisa, ainda. da dor à autorrealização. da vontade de fugir à vontade de permanecer. a vida. a vida, esse extrato de momentos alegres e tristes, que podem ser quintas ou sextas, que pode tirar a paz ou amansá-la, que condena o amor ou que absolve-o, que te carrega no colo ou te derruba no chão. a vida, não menos do que esta. a vida vai queimar em você uma espécie de mundo.
amor é poesia escarnecida, que ninguém mais tem coragem de acreditar.
ando tão cansada ultimamente mas não é o cansaço do corpo é da alma tudo sempre me parece tão assustador em proporções elevadas nada normal tudo me atingi de uma forma descomunal me tirando de órbita
nc.
O tempo costura as feridas sem anestesia.
Você gosta de memórias porque sabe que elas nunca mudam, ao contrário das pessoas.
Blackbird, 1997
por que sou tão inútil a mim mesmo.
me olha com olhar de fome de quem me quer até a alma.
Eu sou quebrada, em mais ou menos quatro pedaços. Creio e sinto dizer que só tenho um pedaço bom, e que ele é bem minúsculo. Os outros três são parecidos, mal vividos, meros cacos do resto da minha dor. Digo agora o que tem de principal em cada pedaço do que me sobrou. O pedaço um é infeliz, solitário, profundo em tudo e muito, muito egoísta. O pedaço dois é triste, vazio, cheio de dor e sufocado por si prório. O pedaço três, não tem cor, sabor ou vontade, eu poderia até dizer que não existe, mas seria maldoso da minha parte (que contraditório). E não menos importante o pedaço quatro, esse pequenino pedaço tem uma esperança que eu não não saberia por em palavras, ele é como se fosse alma desse meu corpo imundo, ele é entupido de gratidão, enxerga beleza onde raramente alguém consegue ver e tem um medo de se mostrar que podemos dizer que é antissocial, ele consegue ser feliz em poucos momentos, mas nunca se deixa bater, ele sempre quer ter e ser mais. Para manter o equilíbrio desse meu quarteto, eu pego um pouquinho de cada pedaço para tentar me fazer inteira. Sou uma bomba, que em qualquer momento pode explodir e destruir tudo ao meu redor. O que mais tenho medo é de quando eu explodir, os pedaços se multiplicarem. Mas o pedaço bom vai ficar ali, me fazendo forte.
Ana Lua. (via florejaste)
eu também quis ser motivo, mas eu fui passado.
é assim que acontece quando queremos intensificar algo sem vida. a gente insiste, mexe aqui e ali, mas quando já está morto, pressionar fede.
e eu estava lá, tentando fazer acontecer, enquanto você cada vez mais distante, mais indiferente, me fazia sentir que ali não era meu lugar. e nunca foi. porque casa é onde a gente chega e sente vontade de nunca mais ir. mas em ti eu cheguei e tudo que eu sentia era frio e vontade de chorar.
não foi saudades. foi falta.
falta da pele. do cheiro. do toque.
saudades é querer voltar. falta é saber que foi bom mas ter certeza de que voltar é pedir pra doer.
eu não quero mais sentir dor.
adeus.
j.
Em uma sala cheia de arte, eu estaria olhando para você.